O sinal elétrico era medido através da força aplicada ao músculo e, através dele, o investigador indicava aos motores da prótese quanta força aplicar no movimento. Recorrendo a um mecanismo “simples”, feito com fios de pesca, João Gouveia, investigador do Departamento de Engenharia Mecânica e do Humans Robotics Lab, fazia uma demonstração sobre Eletromiografia durante um workshop inserido na Semana de Bioengenharia. O evento, organizado pelo Núcleo de Engenharia Biomédica e pelo Núcleo de Engenharia Biológica do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, decorreu entre os dias 4 e 7 de maio, no campus Alameda.
No seu trabalho de investigação, João Gouveia utiliza esta técnica para perceber o efeito da eletroestimulação no músculo. “Quando o músculo contrai há um sinal elétrico que é gerado e esse sinal elétrico pode ser detectado, quanto mais força fazemos com o músculo maior é esse sinal conseguimos depois detectá-lo e usá-lo para, replicar a força que estamos a fazer no músculo, num dispositivo externo”, explicou. Além de permitir o controlo de próteses de “forma mais natural”, a técnica pode também ser utilizada para diagnósticos de doenças neurológicas, através da observação dos nervos da componente motora e da identificação de atrofia muscular.
A demonstração com a prótese atraiu estudantes curiosos, que aproveitaram a sessão para trocar ideias com o investigador. João Gouveia acredita que a Semana de Bioengenharia é não só “uma boa forma” de os estudantes ganharem “direção”, mas também motivação. Enquanto alumnus de Engenharia Biomédica, considera que estes eventos oferecem “um leque maior do que aquilo que é exposto” nas aulas.
Alice Gomes e Teresa Ferreira, ambas estudantes de Engenharia Biomédica, participaram nas atividades da Semana de Bioengenharia e não deixaram os workshops de fora. Teresa Ferreira já tinha algum conhecimento sobre eletromiografia e afirmou ter achado a demonstração interessante, considerando que é “sempre enriquecedor conhecer um pouco de todas as áreas”. Já Alice Gomes, com interesse na área da biomecânica e dos biossinais, surpreendeu-se com o quão “barata e acessível” era a prótese construída pelo investigador.
“A melhor edição em termos de logística”
Gonçalo Serra, estudante da licenciatura em Engenharia Biológica e coordenador-geral da 11.ª edição da Semana da Bioengenharia, acredita que esta foi “sem dúvida a melhor edição em termos de logística”, tendo representado “um maior salto de ano para o outro”, com cerca de 150 inscritos, 87 colaboradores, 22 bancadas e uma incubadora de startups”. Para o coordenador-geral do evento, o conhecimento sobre diferentes áreas científicas é essencial “num mundo cada vez mais multidisciplinar”. “A Semana de Bioengenharia tem um ponto extremamente positivo porque, além de ser sobre Engenharia Biológica e Engenharia Biomédica, tem muita colaboração com, por exemplo, Engenharia Mecânica e Eletrotécnica. Acho que faz sentido para qualquer estudante, mesmo de fora, vir às nossas palestras”, referiu. “Este ano, tivemos uma equipa que se dedicou muito. Esta foi a maior e a mais ambiciosa edição e, sem dúvida alguma, que isso deveu-se à qualidade das pessoas e dos colaboradores”, complementou.
Inserida na Semana das Carreiras, o evento contou ainda com palestras, debates, sessões de conversa com alumni, pitches, uma sessão de “Tease your Thesis”( formato de apresentação de teses de mestrado), além de um feira de empresas.