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Biomed Summer Camp regressou para dar “perspetivas” de futuro na Engenharia Biomédica a estudantes do ensino secundário

Semana organizada pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Biomédica incluiu demonstrações práticas sobre epigenética, workshops de modelação e impressão 3D, visitas de estudo, entre outras atividades.

De bata branca vestida e pipeta na mão, estudantes do ensino secundário abraçaram um desafio: identificar, entre as cinco amostras, a pertencente a uma pessoa portadora de síndrome de Angelman, uma doença genética cuja componente epigenética está associada a alterações na metilação do ADN. Esta foi uma das atividades do Biomed Summer Camp 2026, que decorreu entre os dias 6 e 10 de julho, no campus Alameda do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, e reuniu 30 estudantes do ensino secundário interessados em conhecer melhor a Engenharia Biomédica.

“O buffer é o azul e a enzima é o transparente. Um detalhe muito importante é que a enzima é muito espessa, por isso vocês têm de picotar muito devagarzinho”. As instruções eram dadas por Francisca Mateus, responsável pela atividade prática e oradora da palestra sobre epigenética. Foi o fascínio pelas Ciências e a vontade de compreender “como tudo funciona” que levou a estudante de doutoramento no Técnico a escolher a especialização em Bioengenharia e Biociências. Atualmente, dedica-se ao estudo de células estaminais e à sua otimização, no seu projeto desenvolvido no Instituto de Bioengenharia e Biociências (iBB). “O objetivo do meu trabalho é otimizar estas células, eliminando alguns dos problemas que lhes estão associados, para que possam ter uma maior aplicabilidade em terapias regenerativas, terapias celulares e outras aplicações”.

Tratando-se de um tema novo para os participantes, Francisca Mateus acredita que a atividade despertou a curiosidade dos estudantes. “Acho que eles gostaram imenso de saber que já é possível criar uma célula-estaminal em laboratório, ficaram bastante entusiasmados”.

Entre eles estava Guilherme, aluno da Escola Secundária Camilo Castelo Branco. “Gostei muito do que fizemos em epigenética, achei interessante a estudante de doutoramento ter falado do trabalho que faz em laboratório e das doenças que está a estudar”, afirmou.

Enquanto isso, três pisos acima, um outro grupo assistia à demonstração de um sistema de eletromiografia. Um estudante colocava elétrodos nos músculos gémeos de um colega para captar sinais elétricos produzidos pela contração do músculo, convertendo o movimento em dados analisáveis.  

Esta tecnologia, utilizada para treinar o tempo de reação de atletas, fazia parte de um projeto desenvolvido por estudantes de Engenharia Biomédica no âmbito de uma unidade curricular. Constança Mourão, presidente do Núcleo de Estudantes de Engenharia Biomédica (NEBM), explicou a importância desta atividade. “Decidimos trazer isto também porque alguns deles querem perceber mais ou menos o que é que nós, alunos universitários, desenvolvemos ao longo do ano, porque às vezes pensam que é só estudar e nós também criamos coisas muito interessantes”, afirmou.

Na segunda edição da iniciativa, o programa contou com mais atividades práticas, mais visitas de estudo e o dobro de participantes, provenientes de diferentes partes do país. “É uma semana que nós conseguimos desmistificar um bocadinho o que é Engenharia Biomédica, dar a conhecer o que realmente se pode fazer neste curso e o que podem esperar se vierem para engenharia biomédica no Técnico”.

Além de divulgar o curso, esta iniciativa procura ajudar jovens estudantes  ainda indecisos quanto ao seu futuro académico. É o caso de Maria Inês, que terminou o 12.º ano no colégio São João de Brito e está dividida entre Engenharia Biomédica, Medicina ou Ciências Farmacêuticas. A participante explicou uma das atividades que lhe permitiu compreender melhor as diferentes áreas do curso e as respetivas saídas profissionais. “Passámos a tarde a conversar com duas pessoas que já terminaram o curso e que partilharam o seu percurso em duas áreas bastante diferentes. Estou a gostar e a aprender muito e tenho realizado atividades muito engraçadas e bastante diversas”, declarou.

Acreditando que “quanto mais experiência melhor”, também Rafaela, finalista da Escola Secundária de Albufeira, procura tomar uma decisão mais segura. A ligação entre Medicina e Engenharia é aquilo que mais desperta a sua curiosidade, interesse reforçado durante a visita à Fundação Champalimaud integrada no programa. “Senti que me deu muita experiência, consegui perceber todo o backstage que enquanto pessoas comuns e estudantes não conseguimos ter acesso. Ninguém nos proporciona estas experiências”, concluiu.

Já Afonso, estudante do Liceu João de Deus, acredita que a Engenharia Biomédica é o curso que melhor responde às suas paixões. “Acho que até me está a surpreender, está a ter mais do que eu gosto e do esperava”, afirmou o estudante, destacando também a aplicabilidade do curso. “Gostei muito de uma (atividade) de neurociência, demonstrada por uma estudante de doutoramento, que com um aparelho conseguia detectar, através de sinais elétricos, quais as zonas do cérebro que eram ativadas quando o paciente movia um braço, por exemplo. E isso pode ajudar muito na recuperação pós AVC”, contou o estudante.

Além das atividades em laboratório e das visitas de estudo, o programa incluiu também workshops. Brick by Brick foi dedicado à modelação 3D e permitiu aos estudantes aprender as bases de CAD (Computer- Aided Design) e criar uma peça LEGO para impressão 3D. Guilherme Reinoite, especialista em Solid Edge na CADflow e um dos formadores da atividade, sublinhou a importância destas competências “Tudo, mas mesmo tudo, na indústria biomédica é desenhado com modelação 3D”, explicou.

Vítor Teixeira, antigo aluno de Engenharia Aeroespacial do Técnico, atualmente gestor técnico da CADflow e formador do workshop, destacou a importância de proporcionar experiências práticas aos futuros universitários. “O mais importante é sempre assegurar a devida mentoria dos estudantes, assegurar que desenvolvem não só conhecimento teórico, mas também a parte prática, terem esta experiência para perceberem se é realmente isto que querem fazer nas suas vidas”.

Para o formador, “perspetiva” é a palavra que resume esta iniciativa. “É sobre aquilo que podem vir a fazer no futuro, sobre o estado do mercado e sobre os próximos passos que podem dar para lá chegar”, concluiu.

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