Campus e Comunidade

Bolsas de estudo Alumni-Técnico reforçam o “compromisso com a igualdade de oportunidades” no Ensino Superior

Apoio atribuído a dez estudantes evidencia o contributo da comunidade alumni na resposta a necessidades concretas.

“Garantir que o acesso e a permanência no Ensino Superior não dependem da falta de recursos” esteve no centro da cerimónia de assinatura das Bolsas Alumni-Técnico, que decorreu a 17 de março, na Sala de Reuniões do campus Alameda do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa. Foram atribuídas 10 bolsas de estudo, num momento que reuniu estudantes, antigos alunos e representantes da comunidade académica em torno da igualdade de oportunidades no acesso ao Ensino Superior.

Promovida pela Associação de Antigos Alunos do Instituto Superior Técnico (AAAIST), a iniciativa integra o Fundo Solidário Alumni-Técnico, cuja missão foi reformulada em 2023 para reforçar o apoio direto aos estudantes através da atribuição de bolsas anuais até 4 mil euros, contribuindo para maior estabilidade ao longo do percurso académico.

Entre os bolseiros distinguidos, Sérgio Santos e Vicente Duarte, ambos estudantes do 3.º ano de Engenharia Informática e de Computadores, renovaram o apoio atribuído no ano anterior. “Se, no ano passado, este reconhecimento foi vivido como uma conquista, este ano assume-se como um compromisso de continuidade, assente no rigor e no empenho necessários para garantir a excelência académica”, afirmou Vicente Duarte, que deixou ainda uma palavra de reconhecimento: “Agradeço aos mecenas pela consistência do seu apoio e ao Técnico por reconhecer o talento e criar condições para que possamos prosperar”.

Entre os novos bolseiros, Francisco Pereira, agora estudante do 1.º ano de Engenharia Informática e de Computadores, descreveu a entrada no Técnico como “o culminar de um caminho feito de persistência, marcado por momentos em que este objetivo parecia distante, mas que hoje se concretiza como um sonho realizado.” Referindo-se aos desafios acrescidos de estudar longe de casa, acrescentou: “Sendo estudante deslocado, os desafios são duplicados, pelo que esta bolsa representa um voto de confiança que recebo com profunda gratidão – por acreditarem em mim, por me acolherem e pelas ferramentas que me proporcionam para o futuro”.

A responsabilidade associada ao apoio foi igualmente sublinhada por Laura Pedro, aluna do 1.º ano de Engenharia Biomédica do Técnico. “Procuro que este apoio tenha um impacto positivo que vá além do meu percurso individual, assumindo o compromisso de retribuir no futuro, seja a nível social ou económico, o valor que hoje me é proporcionado”. 

A lista de bolseiros inclui ainda Alexandre Silva e André Mota (Engenharia Aeroespacial), Francisco Silva (Engenharia Física e Tecnológica), Gabriel Beça e Rui Costa (Engenharia Física e Tecnológica) e Martim Carriço Vicente (Engenharia Informática e de Computadores).

Em representação dos mecenas, Eduardo Morgado, alumni do Técnico, afirmou que “acreditar no potencial destes estudantes implica mais do que reconhecer o seu mérito – exige dar o primeiro passo e criar condições concretas para que possam avançar e concretizar os seus objetivos”, sublinhando o papel da comunidade alumni na promoção de oportunidades.

Por sua vez, Ana Dias, ex-presidente da direção da AAAIST no biénio 2023/2025, enquadrou a iniciativa como “um contributo para o desenvolvimento do país, ao promover a mobilidade social e assegurar que ninguém fica para trás”. Criado em 2010, o Fundo Solidário recebeu, no último concurso – aberto entre 5 e 28 de setembro de 2025 – 92 candidaturas, das quais 51 foram consideradas elegíveis. “Plantou-se uma semente com o propósito de criar oportunidades, e hoje o desafio passa por fazê-la crescer”.

Na continuidade deste trabalho, Paula Silva, vice-presidente da associação, destacou o envolvimento de 106 mecenas, que permitiu angariar mais de 45 mil euros, apelando ao reconhecimento coletivo do seu papel. “Continuaremos a trabalhar para que mais estudantes possam beneficiar deste apoio”, afirmou.

No encerramento da cerimónia, Rogério Colaço, presidente do Técnico, recorreu a uma metáfora para sintetizar o impacto da iniciativa. “Uma bolsa é como um regador. Permite cuidar, nutrir e fazer crescer o talento, assegurando que nenhuma semente fica por desenvolver”. Num contexto em que mais de 600 estudantes do Técnico são elegíveis para bolsas sociais sem acesso a apoio, sublinhou a importância de reforçar este modelo: “É essencial não deixar secar sementes e consolidar o compromisso com a igualdade de oportunidades”.

As Bolsas de estudo Alumni-Técnico assumem uma lógica de solidariedade intergeracional, através da qual antigos bolseiros, já inseridos no mercado de trabalho e em condições financeiras para tal, contribuem voluntariamente para apoiar novas gerações.

A edição de 2025/2026 assinala um crescimento no número de apoios atribuídos, com 10 bolsas, duas das quais renovações, duplicando face às cinco atribuídas no ano letivo anterior. Este resultado reflete também o envolvimento de diferentes estruturas do Técnico, nomeadamente o Núcleo de Desenvolvimento Académico (NDA) e o Núcleo de Desenvolvimento de Carreira e Alumni (NDCA), no acompanhamento e concretização do processo.

O Técnico promove mais de 20 bolsas financiadas por mecenas para apoiar estudantes de licenciatura e mestrado dos vários cursos da Escola.

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