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Da logística hospitalar à oncologia personalizada: alumna do Técnico distinguida com prémio de melhor tese na Bélgica

Dissertação de Natacha da Silva, alumna do Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, recebeu o prémio de melhor tese de mestrado de 2025 da Louvain School of Management.

Uma investigação dedicada aos desafios logísticos das terapias personalizadas contra o cancro valeu a Natacha da Silva, alumna do Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, o prémio de melhor tese de mestrado de 2025 da Louvain School of Management, na Bélgica. O prémio correspondeu ao valor de 500 euros. 

O trabalho desenvolvido no âmbito do programa de duplo grau entre o Técnico e a Universidade belga, incidiu sobre o desenvolvimento de ferramentas de apoio à decisão para otimizar o desenho e o planeamento da cadeia de abastecimento de terapias oncológicas personalizadas, recorrendo a um caso de estudo aplicado ao Serviço Nacional de Saúde português.

“Estas terapias estão em elevada expansão e, por serem personalizadas, tornam a logística e distribuição destes tratamentos muito complexa e cara”, explica. A investigação centrou-se em questões relacionadas com a localização de hospitais especializados e com a distribuição de doentes, articulando “uma perspetiva económica de encontrar o planeamento com menos custo para o Serviço Nacional de Saúde e para os pacientes” com “uma perspetiva social de maximizar o acesso”.

A alumna conta ter recebido a distinção “com surpresa e orgulho”, atribuindo o reconhecimento à relevância crescente do tema “não só no contexto português, mas também num contexto europeu e global”. Destaca ainda a articulação entre as duas instituições de ensino como um dos “aspetos mais marcantes” do percurso de duplo grau. “Ter a oportunidade de trabalhar com professores de duas universidades diferentes permitiu-me contactar com perspetivas complementares e desenvolver uma abordagem mais abrangente ao problema”, refere, mencionando a orientação de Bruna Mota, professora do Técnico.

A proximidade a investigadores e profissionais de saúde foi também “determinante para redefinir o foco” inicial da dissertação. Perante a “escassez de dados disponíveis sobre vacinas personalizadas contra o cancro”, a investigação foi redirecionada para terapias ‘CAR T Cells’, um tipo de tratamento que utiliza células imunitárias do próprio doente, modificadas em laboratório, para reconhecer e combater células cancerígenas. “Após várias reuniões com médicos e professores da Universidade de Lisboa, identificámos que existiam outras terapias igualmente personalizáveis e que já estavam a ser aplicadas em Portugal”, acrescenta.

Uma experiência internacional que reforçou a ligação ao Técnico

“A oportunidade de obter dois diplomas em dois anos aliada com a experiência internacional de estar integrada num programa que junta um elevado nível de qualidade de ensino e a oportunidade de integrar uma instituição inovadora e prestigiada era um fator bastante atrativo para mim”, recorda Natacha da Silva.

O contacto com diferentes abordagens à engenharia e à gestão industrial permitiu-lhe reconhecer competências que associa diretamente à formação recebida no Técnico. “Algo que está bastante intrínseco aos cursos do Técnico é o desenvolvimento do espírito crítico e do raciocínio lógico”, afirma. Para a alumna, uma das componentes centrais da formação passa por “fazer a ligação entre a teoria que aprendemos e aquilo que é o mundo empresarial e profissional”, traduzindo esse conhecimento “em ações que efetivamente melhorem a forma como pensamos não só os processos industriais, mas o nosso modo de trabalhar e de abordar os desafios”.

Durante o período de mobilidade na Bélgica, Natacha da Silva acompanhou diferentes métodos de ensino e prioridades académicas, dando destaque a áreas como logística e gestão da cadeia de abastecimento. “Foi muito interessante observar essas diferenças não só nos métodos de trabalho, nos exemplos dados em aula e até nas matérias que os professores consideram mais relevantes”, refere.

Fora do contexto académico, a vivência universitária ficou também marcada pela continuidade da prática desportiva. Nadadora durante a licenciatura, integrou equipas universitárias da UCLouvain, conciliando a competição com os estudos e a vida académica internacional. “Consegui ter uma experiência académica bastante completa”, afirma.

A experiência internacional acabou, contudo, por reforçar a ligação a Portugal e ao percurso realizado no Técnico. “Uma boa parte daquilo que aprendi lá fora foi a olhar para dentro e a valorizar o que também é feito cá”, conclui, considerando que o período passado no estrangeiro foi “fundamental para a decisão de ingressar no mercado de trabalho nacional”.