Campus e Comunidade

Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Ambiente celebrou 45 anos a “olhar para o futuro das cidades”

Comunidade académica do Técnico reuniu-se no “Dia DECivil” para refletir sobre desafios urbanos e o papel da engenharia na transformação do território.

À entrada do Técnico Innovation Center powered by Fidelidade, a ‘Ponte da Vinci’, apresentada, pela primeira vez, à Escola a 22 de setembro de 2025, recebia quem chegava como um sinal de continuidade entre legado e inovação. Foi neste enquadramento que o Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Ambiente (DECivil) do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, assinalou, a 5 de maio de 2026, 45 anos de atividade académica, reunindo estudantes, professores, investigadores e parceiros institucionais num dia dedicado à partilha e ao propósito de “olhar para o futuro das cidades”.

Rogério Colaço, presidente do Técnico, enquadrou a data como um momento de continuidade e responsabilidade, afirmando que “celebrar 45 anos é reconhecer uma história sólida, construída com conhecimento, exigência e serviço público”. Num horizonte marcado pela transformação das cidades, destacou o papel crescente dos profissionais destas áreas na resposta aos desafios urbanos contemporâneos e na construção de soluções mais sustentáveis e resilientes. “Construir o futuro exige fazer melhor”, refletiu. “É um compromisso com as próximas décadas”.

Sob o tema “Construir o futuro: desafios e soluções para a cidade do amanhã”, a tarde trouxe para o centro do debate a relação entre tecnologia e território, numa intervenção conduzida por António Costa Silva, professor do Técnico e ex-ministro da Economia e do Mar do XXIII Governo Constitucional de Portugal. Ao caracterizar o momento atual, o docente destacou “um tempo de profundas interrogações, mas também de extraordinária capacidade de inovação”, propondo que “a Inteligência Artificial terá, neste século, um impacto comparável ao da eletricidade no século XX”.

A partir desta leitura, sublinhou o “potencial transformador” destas ferramentas na engenharia e na arquitetura, apontando para o desenvolvimento de ‘Gémeos Digitais’ do território – réplicas virtuais 3D de cidades ou infraestruturas físicas, alimentadas por dados em tempo real – como uma “via para antecipar riscos e apoiar a gestão urbana num contexto de crescente complexidade”. “Se não alterarmos o paradigma das cidades, não conseguiremos responder aos desafios atuais colocados”, frisou, defendendo uma transformação dos sistemas urbanos assente na economia circular, na inovação de materiais e na redução das emissões. 

Entre intervenções, o ambiente foi marcado pela participação ativa da comunidade académica do Técnico, com a apresentação de projetos estudantis, como a exposição “5×5”, organizada pelo Núcleo de Estudantes de Arquitetura (NucleAR) e a instalação “Projeto Relâmpago 2026”, construída a partir de materiais reciclados, como caixas de resmas de papel A4 e tubos de plotter, numa iniciativa conjunta do Núcleo de Estudantes de Engenharia do Ambiente (NEEA) e da Associação de Estudantes de Engenharia Civil do Técnico (Fórum Civil).

Evento atribuiu 14 Bolsas e Prémios para estudantes do Técnico

A atribuição de bolsas e prémios constituiu um dos momentos centrais da celebração, refletindo o “investimento continuado na formação e no percurso dos estudantes”. No total, foram atribuídas 14 bolsas académicas através de programas de mecenato e parcerias institucionais, abrangendo áreas como mérito, ação social e mobilidade. Entre os estudantes distinguidos, Nuno Croft de Moura, estudante do Mestrado em Engenharia Civil do Técnico e reconhecido como ‘Melhor Aluno’ na unidade curricular de “Patologia e Reabilitação da Construção”, destacou o impacto deste apoio ao considerá-lo “um fator de motivação e de valorização do percurso académico desenvolvido”. No âmbito do alargamento da iniciativa a novas empresas parceiras, está ainda prevista a criação e atribuição de 13 novos prémios e bolsas para o ano letivo de 2026/27.

A reflexão regressou ao futuro urbano com a mesa-redonda “Quem vai viver nas Cidades do Amanhã”. José Viegas, engenheiro civil e docente do Técnico, sublinhou que o acesso ao espaço urbano “permanece incerto e dependente das decisões tomadas no presente”,  identificando um momento “necessário de transição ao nível da mobilidade”. A necessidade de repensar políticas públicas, reforçar o transporte coletivo e reduzir a dependência do transporte individual foi apontada como “essencial para garantir soluções mais sustentáveis e inclusivas”.

“Este dia é, antes de mais, uma oportunidade para mostrar o que fazemos e criar um espaço de diálogo entre a academia e a sociedade”, afirmou Luís Calado, docente do Técnico e presidente do DECivil. A ambição, acrescentou, “mantém-se projetada no futuro”, com o objetivo de “continuar a cruzar ensino, investigação e prática na construção das cidades que se seguem”.

A celebração contou também com a presença do Centro em Território, Urbanismo e Arquitetura (CiTUA) e do Instituto de Investigação e Inovação em Engenharia Civil para a Sustentabilidade (CERIS), unidades de investigação associadas ao Técnico, com destaque para o seu contributo científico nas áreas do ordenamento do território, arquitetura e engenharia civil sustentável.

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