Campus e Comunidade

Dia Internacional do Microrganismo no Técnico destacou o papel destes seres vivos na sociedade

Como parte das celebrações, Isabel Sá-Correia, professora emérita da Universidade de Lisboa, dá agora nome ao Laboratório de Ensino em Ciências Biológicas no campus Alameda.

Um “papel essencial no nosso quotidiano e no planeta” – é com estas palavras que o Grupo de Ciências Biológicas do Departamento de Bioengenharia do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, descreve a ação dos microrganismos, dedicando-lhes anualmente um evento de celebração. Com efeito, 17 de setembro marca o Dia Internacional do Microrganismo, assinalando-se a efeméride do envio de uma carta do experimentalista Anton van Leeuwenhoek à Royal Society of London, onde relata as primeiras observações de seres unicelulares ao microscópio.

No campus Alameda do Técnico, as celebrações deste ano subiram o tom. Às habituais atividades de divulgação no jardim de Química, junto à Torre Sul, juntou-se uma homenagem a Isabel Sá-Correia, professora distinta da Escola e professora emérita da Universidade de Lisboa, cujo nome adorna agora a entrada – e o próprio nome – do Laboratório de Ensino em Ciências Biológicas, espaço por onde passaram e continuarão a passar várias gerações de estudantes.

“O Técnico é uma instituição de afetos e esta iniciativa mantém a memória de pessoas que nos definem enquanto escola”, afirmou Rogério Colaço, presidente da Escola, às pessoas que se acumulavam num sexto piso apinhado da Torre Sul para assistir ao descerrar da placa com o novo nome do laboratório. O docente viria a fazer uma correção ao próprio discurso – “o ‘Técnico’ não existe; só existem as pessoas que fazem o Técnico, as que por aqui passaram desde 1911”. Pessoas essas como Isabel Sá-Correia, cujo “entusiasmo, paixão, dedicação e rigor” foram destacados por João Pedro Conde, presidente do Departamento de Bioengenharia. “É uma inspiração para todos nós”, concluiu.

Confessando-se inicialmente “um pouco constrangida”, Isabel Sá-Correia agradeceu a todos os que apoiaram a iniciativa, falando de “uma homenagem, na verdade, para tanta gente que construiu este laboratório”. Defensora de que “o ensino experimental é absolutamente essencial”, a docente emérita deixou o desejo de que o laboratório “continue a levar a aprendizagem e a investigação aos alunos e a criar conhecimento”. Uma coisa assegurou – “o Técnico tem, de facto, uma presença notável nas ciências biológicas”.

Prova disso mesmo é o volume de iniciativas que estariam nessa tarde a ocupar o jardim de Química, ao lado do mesmo edifício. Pontuando várias bancas dispostas pelo espaço exterior, estudantes de mestrado, doutorandos, professores e investigadores organizaram um ‘trilho da microbiologia’, que os visitantes percorreram, ficando a conhecer a ciência que se faz no Técnico (e com direito a doces, autocolantes, porta-chaves e canetas alusivas ao tema, no fim).

Aqui se ouviu falar de muito do que os microrganismos fazem – alguns são potencialmente prejudiciais à saúde humana, outros agem como fungicidas, outros permitem a recuperação de proteína que seria desperdiçada em resíduos não tratados, outros ainda são usados na produção de medicamentos. Dado este contacto transversal com o ramo da microbiologia, o Dia do Microrganismo torna-se “um evento muito importante para, por exemplo, os alunos que começaram agora a estudar no Técnico”, segundo Sandra Pinto, professora do Técnico e investigadora do Instituto de Bioengenharia e Biociências (iBB). “Alguns poderão ainda estar indecisos relativamente à área que querem seguir”, explica, sendo-lhes benéfico contactar com os projetos de investigação em exibição.

Inês Rodrigues não partilha da indecisão referida. Aluna do Mestrado em Engenharia Biológica, soube no seu primeiro dia no Técnico, durante a Semana de Acolhimento, que a Escola possui um Clube de Cervejeiros, a que fez questão de se juntar. “Entrei mais para perceber os métodos de produção e como decorre este processo de fermentação”, partilhou, com um gesto para as garrafas dispostas na banca deste clube, “mas também pelo convívio que se tem”. “Todos os anos fazemos workshops para desenvolver novas cervejas e há sempre receitas que ficam – hortelã e ananás, framboesa amarga… em cada competição, há sempre quatro ou cinco sabores”, tudo graças à atividade das leveduras, fungos microscópicos essenciais ao processo de fermentação.

“Mais do que a ciência em si”, João Almeida procura “transmitir alguma coisas gira para cada visitante”. O doutorando em Biotecnologia e Biociências participa no evento há vários anos, mesmo antes de ter ingressado no Técnico para iniciar o seu doutoramento, e defende que “aquilo que realmente atrai na ciência são as pequenas coisas interessantes”, uma abordagem que vê ter sucesso neste tipo de evento. “Os fungos têm quitina nas paredes e há bactérias que conseguem comer essa quitina e, por isso, destroem esses fungos; os corais têm microalgas e bactérias dentro de si, e são eles que lhes conferem as suas cores; existem bactérias que produzem melanina e é por isso que têm uma coloração preta ao microscópio…” – podem ser ‘micro’, mas estes organismos ainda perfazem um gigantesco mundo por descobrir.

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