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Do lixo eletrónico à inovação em materiais: Jornadas de Engenharia Química destacam o impacto da investigação na sociedade

39.ª edição das JEQ decorreu no Técnico, entre 24 e 26 de fevereiro, integrada nas Semanas das Carreiras, com foco na sustentabilidade, inovação em materiais e ligação à indústria.

Um circuito impresso, um sensor biomédico ou um telemóvel descartado partilham hoje o mesmo desafio: o impacto ambiental dos materiais que os compõem. Foi a partir desta realidade que a 39.ª edição das Jornadas de Engenharia Química (JEQ) do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, promovida pelo Núcleo de Engenharia Química do Técnico (NEQIST), reuniu estudantes, investigadores e empresas para discutir o contributo da Engenharia Química na resposta a desafios globais.

Inserida nas Semanas das Carreiras do Técnico e explorando “O Impacto da Engenharia Química na Sociedade”, a iniciativa destacou o papel da Engenharia Química na transição energética, na descarbonização e no desenvolvimento de soluções sustentáveis, reforçando a ligação entre formação académica, investigação e aplicação industrial.

Entre as sessões com maior adesão esteve a intervenção de Elvira Fortunato, dedicada ao problema do lixo eletrónico e às respostas tecnológicas emergentes. “A ciência e a tecnologia têm de estar de mãos dadas”, sublinhou, ao apresentar exemplos de investigação em que a escolha de materiais e processos é pensada à luz dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas. 

Numa abordagem que privilegia materiais abundantes na natureza e soluções com potencial de escalabilidade industrial, a cientista do Centro de Investigação de Materiais do Laboratório Associado i3N, da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), e ex-ministra de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, destacou o desenvolvimento de novos materiais sustentáveis e a aplicação do grafeno induzido por laser, com potencial em biossensores e dispositivos biomédicos. “O grande desafio não é apenas desenvolver novos materiais, mas garantir que são produzidos de forma sustentável e que chegam à indústria e à sociedade. A Engenharia Química tem aqui um papel central, porque liga a ciência fundamental à implementação de soluções concretas”, afirmou.

A biocompatibilidade dos materiais e a possibilidade de aplicação direta na pele – incluindo conceitos de ‘pele eletrónica’ – foram igualmente abordadas, evidenciando o potencial da Engenharia Química na interface entre tecnologia e saúde. A utilização de diferentes tipos de laser para otimização das propriedades de materiais sintetizados demonstrou a versatilidade da área e a sua capacidade de gerar soluções adaptáveis a múltiplos contextos, desde sensores bioquímicos para monitorização de glucose até dispositivos para aplicações energéticas e biomédicas.

Questionada sobre a produção em grande escala, Elvira Fortunato apontou como principal obstáculo o “desconhecimento, por parte das empresas, do trabalho desenvolvido nas universidades”, defendendo a necessidade de maior diálogo e colaboração entre os dois setores. “A criação de alternativas mais sustentáveis e económicas depende dessa articulação, num esforço conjunto para substituir materiais não reutilizáveis por soluções mais eficientes”, reforçou, acrescentando que “a ciência é um pilar de cada país”.

Também para Margarida Girão, presidente das Jornadas, “ir além do que o curso exige” é decisivo na preparação dos estudantes para um contexto profissional em transformação. “A participação em iniciativas como as JEQ permite complementar a formação académica com competências práticas e uma visão mais clara das diferentes saídas profissionais”, defende a responsável. “O contacto direto com profissionais e empresas ajuda os estudantes a perceber onde podem aplicar o conhecimento que adquirem ao longo do curso e quais são as áreas com maior potencial de crescimento”.

Oferecendo “uma perceção muito mais próxima da realidade industrial”, a integração de uma feira de empresas reforçou a aproximação ao tecido empresarial. “Aproveitar oportunidades de contacto com a indústria e com diferentes áreas ajuda a construir um perfil mais completo e mais preparado para os desafios do futuro”, acrescentou, destacando que temas como sustentabilidade, transição energética e descarbonização “irão moldar fortemente o futuro da Engenharia Química”.

Entre 24 e 26 de fevereiro de 2026, as Jornadas de Engenharia Química decorreram no campus Alameda do Técnico, reunindo a comunidade académica e o setor empresarial em torno de desafios globais e oportunidades de inovação, bem como do papel do engenheiro químico na sociedade. “Desde o projeto inicial até ao controlo e melhoria contínua, é o engenheiro químico que garante que as operações são tecnicamente viáveis, eficientes e economicamente sustentáveis”, rematou a presidente das Jornadas.

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