Pedro Domingos, professor do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, foi distinguido, a 15 de dezembro de 2025, com o Prémio AICA/ Ministério da Cultura/ Millennium BCP de Arquitetura, numa cerimónia realizada no Centro Cultural de Belém.
A distinção, atribuída pela Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos de Arte, reconhece “um trabalho longo de dedicação a uma prática focada na qualidade e no rigor”, explica. Para Pedro Domingos, o prémio reflete um percurso que tem conciliado de forma contínua a atividade profissional com o ensino e a investigação. “[A prática] não existe separada do ensino – pelo contrário, transporto-a diretamente para as aulas e partilho-a com os alunos como matéria viva, em permanente construção”, afirma. Neste contexto, sublinha o papel do Técnico enquanto espaço de experimentação e desenvolvimento de pensamento crítico em arquitetura. “A Escola tem sido um espaço fundamental de investigação, onde é possível desenvolver e ensaiar ideias sobre o território, paisagem, programa e construção com uma liberdade que a prática profissional nem sempre permite”.
O Prémio AICA/Ministério da Cultura/Millennium BCP de Arquitetura integra um conjunto de distinções anuais dedicadas a reconhecer percursos e obras que se distinguem no contexto da arquitetura em Portugal. A atribuição resulta da avaliação de um júri de especialistas e críticos, que valoriza a “consistência do trabalho desenvolvido”, a sua “relevância no debate disciplinar” e o contributo para a “prática e reflexão arquitetónica contemporânea”.
Com um percurso que considera “muito variado e estimulante”, Pedro Domingues identifica o início do seu interesse pela arquitetura ainda no ensino secundário, na Escola Secundária Filipa de Lencastre, em Lisboa, após uma visita à Fundação Calouste Gulbenkian. “Essa experiência impressionou-me profundamente”, recorda. “A partir daí decidi que queria ser arquiteto”.
Pedro Domingos é docente desde 2003, tendo integrado o corpo docente do Técnico em 2019. A atividade letiva, que tem vindo a desenvolver em várias instituições, é descrita como “um trabalho de investigação paralelo, muito rico e complementar da prática de projeto”.
Licenciado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, iniciou a sua atividade profissional no atelier do arquiteto Carrilho da Graça, onde colaborou durante dez anos, período que considera “determinante na consolidação de uma abordagem à arquitetura e à cidade”. Posteriormente, co-fundou um gabinete com a arquiteta Inês Lobo, vindo a coordenar a sua própria estrutura desde 2003, em articulação com diversas colaborações.
Ao longo das últimas duas décadas, tem desenvolvido projetos em diferentes escalas e contexto, destacando o trabalho em habitação unifamiliar como um espaço de investigação sobre o habitar. “Tem funcionado como um laboratório de ideias sobre o espaço doméstico”, descreve.
Entre os projetos em curso, refere ainda intervenções de maior escala, incluindo a reabilitação do antigo Mosteiro do Desterro, em Lisboa; um conjunto de 160 apartamentos de habitação a renda acessível em Setúbal; e um Centro Cultural em Loulé. O projeto do Mosteiro do Desterro é apontado “como um dos mais exigentes” do seu percurso, pela articulação entre um conjunto monástico do século XVI e novas construções contemporâneas.