Lançado a 9 de julho de 2024, a bordo do voo inaugural do Ariane 6 da Agência Espacial Europeia (ESA), o ISTSat-1 tornou-se um marco para o Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, e para o setor espacial nacional – é o primeiro nanossatélite universitário português, tendo sido totalmente desenvolvido por investigadores e estudantes do Técnico.
Volvidos dois anos, de boa saúde, o equipamento continua a orbitar o planeta, com um tempo restante de vida estimado em cerca de dez anos, durante os quais terá as suas operações acompanhadas a partir da estação-terra instalada no campus Oeiras do Técnico.
Este foi apenas o primeiro passo da jornada espacial do IST NanoSatLab, contudo. O laboratório e consórcio reúne a participação de quatro centros de investigação associados à Escola (o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Investigação e Desenvolvimento (INESC-ID), o Instituto de Telecomunicações (IT), o Instituto de Engenharia Mecânica (idMEC) e o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-Lisboa)) e tem já os olhos postos no futuro, com duas missões em preparação, Argus e 5G Nanosatellite.
A primeira, Argus, tem já data de lançamento prevista para outubro deste ano, a bordo da Transporter-18 da SpaceX. Constituída por dois CubeSats, a missão pretende demonstrar novas formas de determinar autonomamente a posição e orientação de satélites em órbita, recorrendo a algoritmos de inteligência artificial executados diretamente a bordo. Munidos de quatro câmaras e um processador, estes satélites irão analisar imagens da superfície terrestre para apoiar a navegação autónoma em órbita. Esta é uma missão de parceria entre o IST NanoSatLab e a Carnegie Mellon University (CMU) e, tal como no caso do ISTSat-1, o comando e controlo da missão serão assegurados a partir da estação terrestre instalada no campus Oeiras do Técnico.
5G Nanosatellite, a outra missão na mira do IST NanoSatLab, é uma parceria entre este consórcio do Técnico, a Altice Labs e a Universidade do Luxemburgo, com desfecho previsto para 2029. O projeto pretende demonstrar a ligação direta entre um satélite em órbita baixa e a rede terrestre 5G, combinando um terminal 5G e uma antena compacta desenvolvida pelo NanoSatLab, com o objetivo de multiplicar as janelas de transferência de dados a partir de satélites, hoje tipicamente limitadas a quatro períodos de dez minutos por dia.
“O ISTSat-1 demonstrou que o Instituto Superior Técnico tem capacidade para desenvolver tecnologia espacial de forma integrada, envolvendo estudantes, investigadores e parceiros nacionais e internacionais; hoje temos uma equipa mais experiente, uma infraestrutura consolidada e conhecimento que nos permite participar em missões mais ambiciosas”, resume João Paulo Monteiro, investigador do IST NanoSatLab e do ISR-Lisboa.
O impacto do ISTSat-1 faz-se sentir também na formação de novas gerações de engenheiros. O projeto esteve na origem do fortalecimento da comunidade estudantil dedicada ao desenvolvimento de satélites, em particular no grupo LISAT – Lisbon Student Satellite Team, que desenvolve o seu próprio satélite sob orientação dos investigadores do laboratório, beneficiando diretamente da experiência acumulada ao longo da missão pioneira.