Campus e Comunidade

ElectroDay 2026 – a “tarde dedicada aos estudantes de Eletrotécnica” que mostrou o que se faz no Técnico

Evento reuniu dezenas de projetos elaborados por estudantes do Técnico e deu oportunidade ao público para votar nos seus favoritos.

“Este é um dia de celebração – temos aqui mais de 180 alunos a concluir o primeiro ciclo”. Com o Técnico Innovation Center powered by Fidelidade já permeado de bancas de projetos estudantis, Nuno Horta, presidente do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e Computadores do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, dava o mote para o início da edição de 2026 do ElectroDay. Cumpre-se a tradição anual que dá oportunidade aos estudantes finalistas da Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores para mostrar os projetos que desenvolveram no seio do programa ElectroCap, uma abordagem ao ensino oferecida no contexto da unidade curricular de Projeto Integrador de 1.º Ciclo. 

“O nosso objetivo é garantir que os alunos conseguem fazer protótipos que demonstrem a sua solução, e não ficar apenas pela teoria do que deveriam fazer”, explica Luís Caldas de Oliveira, professor do Técnico envolvido na organização do ElectroDay. A importância do evento seria corroborada mais tarde por Pedro Amaral, ao afirmar que “gostava que todos recordassem este como um momento muito positivo da vossa vivência na Escola”. Para o vice-presidente do Técnico para a Interface Empresarial, Inovação e Empreendedorismo, “estar no Técnico não é só estar na maior escola de Engenharia do país (e talvez uma das melhores da Europa e do Mundo) – é também ter momentos de onde levamos as melhores recordações da nossa vida”, de que é exemplo o ElectroDay.

O programa tem como objetivo principal criar condições para que os estudantes possam integrar o máximo de conceitos adquiridos ao longo do primeiro ciclo na resolução de um problema ou desafio real, envolvendo os estudantes numa iniciativa com valor para os próprios, para o Técnico e para a sociedade.

A variedade de temas de projeto esteve na ordem do dia – percorrendo o espaço, tropeçava-se em criatividade e inovação a cada passo. Um grupo apresentava uma cinta para ser envergada por trabalhadores expostos aos elementos – o dispositivo mede a temperatura exterior, humidade e ritmo cardíaco, estimando também a temperatura corporal do profissional, emitindo alertas sonoros e vibratórios quando detetados cenários perigosos. Outro grupo exibia um aquecedor autónomo que funciona a energia solar, com aplicações em áreas onde seja importante manter um controlo da temperatura, como na agricultura (estufas) ou na prevenção do congelamento de infraestrutura industrial (condutas de combustível, armazenamento de baterias).

Mais adiante, uma mancha de luzes coloridas demonstrava uma pulseira para comunicação de emergência médica em ambientes de festival de música. Quando ativada, a pulseira fica vermelha e as da proximidade ficam amarelas, destacando a zona para onde a equipa médica se deverá deslocar. A par disso, a posição da pulseira é triangulada com feixes presentes no recinto do evento, sendo comunicada às equipas de emergência através de uma app, juntamente com a ficha clínica da pessoa (que consentira previamente com a partilha em caso de emergência).

Até no processo de produção de betão os estudantes do Técnico encontraram uma fonte de ideias para projetos – assim que é aplicado em obra, o betão húmido começa a endurecer (num processo apelidado de ‘cura do betão’), com as maiores transformações a ocorrer ao longo dos primeiros 28 dias. Se este processo não for acompanhado adequadamente, o material pode criar fissuras na fase de cura, pondo em causa a sua qualidade e do edificado. Este processo costuma ser feito e acompanhado ‘a olho’, pelo que um grupo de estudantes do Técnico quis criar uma maneira de monitorizar três propriedades essenciais para esta cura – a temperatura, a humidade e o vento (que pode fazer o betão ‘secar’ demasiado depressa). Para isso, criaram sensores que analisam a evolução temporal destas grandezas, lançando alertas e notificações em ‘pontos críticos’ onde seja preciso intervir.

 

Prémios atribuídos no ElectroDay atestam versatilidade das ideias dos estudantes

Fruto de uma parceria com a Jerónimo Martins e a NOS, houve lugar à atribuição de dois prémios, cada um distribuído por três grupos (um vencedor e duas menções honrosas).

O Prémio Académico Jerónimo Martins para a Capacidade de Comunicação e Impacto do Programa ElectroCap foi atribuído ao projeto Ignis, com os projetos CHAINGUARD e Lab In a Cube a conquistar menções honrosas. Quanto ao Prémio Académico NOS para o Melhor Demonstrador e Inovação do Programa ElectroCap, as menções honrosas foram para os projetos Crop Auditing e Orbis, com Concrete Monitoring System a alcançar o lugar de destaque. Ambos os prémios incluíram ainda uma componente de apoio ao ensino no valor de 2670 euros, entregue ao Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores.

O público também teve voto num terceiro prémio. A inscrição gratuita no evento conferia a cada visitante um certo montante de ElectroCoins, moeda fictícia com que foi possível ‘investir’ nos projetos mais promissores ou com as apresentações mais eficazes. O pódio ficou, em ordem ascendente de ElectroCoins, para Flare (73 mil), Crop Auditing (111 mil) e Ignis (137 mil).

E porque houve lugar para mais do que projetos em exibição, Filipe Marques relembra que “a malta de Eletro compõe para aí 40 ou 50% do carro – sem eles, isto não anda”. O aluno está no segundo ano da Licenciatura em Engenharia Aeroespacial, mas o que o traz à edição de 2026 do ElectroDay é o facto de ser membro do Projecto de Sustentabilidade Energética Móvel (PSEM), núcleo de estudantes do Técnico onde, como defendeu, os conhecimentos de Eletrotecnia são essenciais. Ao lado do GP23, o protótipo que o núcleo levou para o Técnico Innovation Center nesse dia, está o FST14, outro veículo feito por estudantes do Técnico, desta vez da equipa de Fórmula Student da Escola, a FST Lisboa. Maria Cunha, membro deste núcleo, confirma que, também no Fórmula Student, “são os estudantes de Eletro quem efetivamente põe o carro a andar – aliás, a parte autónoma é praticamente toda feita por eles”.

Fotogaleria.

 

Composição das equipas premiadas

  • CHAINGUARD – Filipe Lavos, Francisco Motta, Francisco Mendonça, João Ferreira, José Guita, Vasco Oliveira;
  • Concrete Monitoring System – Afonso Cristóvão, David Ferreira, Diogo Silva, Gonçalo Gonçalves, Gonçalo Carvalhal, José Batalha;
  • Crop Auditing – Dyanne Freire, Filipe Ferrão, Gonçalo Martins, Maria Henriques, Rodrigo Barreiros, Tiago Rei;
  • Flare – Augusto Fragoso, Guilherme Andrade, Margarida Amaral, Matilde Nunes, Pedro Gouveia;
  • Ignis – Bárbara Trigueirão, Carolina Rodrigues, Diogo Vicente, Gonçalo Caetano, Marco Mendonça, Salvador Carvalho;
  • Lab In a Cube – Cristina Wang, Lexin Weng, Lumi Pereira, Sara Pereira, Tiago Duanmu, Yaqi Xu;
  • Orbis – Carolina João, Francisco Caravana, Margarida Sebastião, Matilde Silva, Tiago Carvalho, Tomás Ribeiro.