Entre os dias 6 e 10 de abril, a sala do Rob9-16, no Campus Oeiras do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, encheu-se de cabos, sensores, computadores (e muita curiosidade). Durante cinco dias, jovens dos 9 aos 16 anos participaram na oficina “Project X: Autonomia Sobre Rodas”, promovida pelo programa Rob9-16, um clube de Robótica dinamizado por estudantes do Técnico desde 2024.
“Aprendemos a programar e a trabalhar com Arduino, que é como um mini-computador”, explicou Silvestre, de 13 anos, descrevendo os primeiros contactos com programação e eletrónica, que marcaram o início da semana.
Pouco a pouco, os conceitos começaram a ganhar forma. Depois de experiências iniciais, como programar semáforos ou resolver desafios de lógica, chegou o momento mais aguardado da semana: construir um carro robótico. “Primeiro aprendemos o código e depois aplicámos no carro, o que foi mais complicado”, contou Maria, de 15 anos, que viu nesta atividade uma oportunidade para explorar o seu interesse pela engenharia.
Entre ligações de hardware e linhas de código, cada grupo foi desafiado a montar o seu veículo autónomo, com o objetivo de desenvolver um carro capaz de se movimentar e reagir ao ambiente. “Tínhamos de fazer com que o carro não batesse nos obstáculos e encontrasse o melhor caminho”, mencionou Guilherme, participante da atividade.
Ao longo da semana, desafios de criptografia, programação em ambiente digital, construção de estruturas e visitas a laboratórios trouxeram variedade aos dias. “Gostei muito de fazer o carro, mas também da atividade do labirinto no computador e da criptografia”, partilhou Margarida, de 11 anos, que resumiu a experiência de forma simples: “Gostei de tudo!”.
“Aqui é divertido, não é uma coisa muito séria. Dá para aprender e ao mesmo tempo estar à vontade”, acrescentou Margarida, colega de atividade, que destacou o ambiente de aprendizagem como “prático e descontraído”.
Também para a equipa de monitores, que acompanhou as atividades, o contacto “desde cedo com a área” destacou-se como uma mais-valia. “Muitos chegam ao Técnico sem nunca terem tido este tipo de experiência, e aqui ganham uma base e confiança que faz diferença”, afirmou Ana Pinto, estudante de Engenharia Aeroespacial e monitora nesta edição.
“Eu sei que quero seguir uma área ligada à robótica, e isto ajuda a perceber melhor o que gosto”, contou também Sofia, de 13 anos, mencionando o equilíbrio entre teoria e prática ao longo da semana, que a levou a aprofundar o interesse já existente na área.
No último dia, todos os esforços convergiram para os testes finais. Ajustes de última hora, correções de código e alguma expectativa marcaram os momentos antes da mini-competição entre os carros desenvolvidos. “Conseguimos juntar a parte de aprender com a de experimentar”, resumiu Sofia a sua experiência. “Estamos a programar, a construir e a ver as coisas a acontecer. Acho que é isso que torna tudo mais interessante”.