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Estágios de Verão no Departamento de Engenharia Química do Técnico abriram portas à investigação científica para estudantes de licenciatura

Iniciativa reuniu 35 estudantes de licenciatura para duas semanas de investigação científica, atividades laboratoriais e contacto direto com docentes e investigadores do Técnico.

Os Estágios de Verão no Departamento de Engenharia Química (EstVerDEQ´2026) regressaram, para a sua 9.ª edição. Entre os dias 6 e 17 de julho, 35 estudantes de licenciatura, provenientes de quatro instituições de ensino superior e de oito cursos diferentes, participaram em atividades práticas em laboratório, visitaram as instalações do departamento e assistiram a seminários sobre temas atuais da Engenharia Química. Ao longo de duas semanas, desenvolveram ainda projetos de investigação sob a orientação de docentes e investigadores do Técnico, no campus Alameda do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.

Num dos laboratórios do Complexo Interdisciplinar, Bernardo Suzano e Tiago Pires trabalhavam no desenvolvimento de sensores óticos para a deteção de biomarcadores associados ao diagnóstico de doenças. Sob a orientação dos docentes Pedro Paulo e Rui Silva, os estudantes utilizaram uma técnica de microscopia de fluorescência de elevada sensibilidade, capaz de detetar a fluorescência emitida por uma única molécula.

Bernardo Suzano, estudante de Química Aplicada noutra faculdade da Grande Lisboaa, considera que o estágio lhe permitiu explorar uma nova vertente da Química. “Há muitas áreas da Química com as quais nos podemos identificar e esta foi, para mim, mais uma oportunidade de explorar uma delas”, afirmou.

Em conjunto com o colega, Tiago Pires recorreu a nanopartículas de ouro para desenvolver um método capaz de identificar, no sangue, moléculas de RNA (Ácido Ribonucleico) que podem funcionar como biomarcadores de cancro.

Tiago Pires já conhecia os cantos à casa. O estudante da Licenciatura em Engenharia Biomédica do Técnico considera que os estágios constituem uma oportunidade para cruzar diferentes áreas do conhecimento. “Nós, na parte da Química, fazemos a síntese das nanopartículas e, na “Torre de Química”, na parte da Bioengenharia, desenvolvemos fragmentos de ADN que depois conjugamos com essas nanopartículas para conseguirmos detetar estas moléculas de RNA”, explicou.

Além da componente científica, Tiago Pires destacou o acompanhamento dos docentes. “São pessoas incríveis e ajudam-nos a dar estes primeiros passos na aquisição de conhecimento”, afirmou.

Partilhando da mesma opinião, Bernardo Suzano, sublinhou a proximidade com os investigadores do departamento. “Sinto que posso fazer qualquer pergunta e, muitas vezes, a resposta acaba por abrir portas para outros temas e outras curiosidades. É sempre muito satisfatório”.

Para Pedro Paulo, docente do Técnico e um dos organizadores do projeto, estas semanas permitem aproximar os estudantes da investigação científica e dar a conhecer o trabalho desenvolvido no departamento. “Nós oferecemos esta oportunidade para que os estagiários desenvolvam uma perspetiva sobre o que é fazer investigação científica e, ao mesmo tempo, para divulgar os nossos mestrados e, eventualmente, atrair futuros estudantes interessados nas linhas de investigação e na atividade que desenvolvemos no Técnico”, afirmou.

Os sensores para deteção de biomarcadores foram apenas um dos vários projetos desenvolvidos durante a iniciativa. Noutro laboratório, Vasco Pinto, estudante de Química Tecnológica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa), trabalhava em processos catalíticos para a oxidação de α-pineno, com o objetivo de converter compostos de menor valor em produtos com maior valor no mercado.

Segundo o estudante, o estágio permitiu-lhe adquirir experiência laboratorial numa área pouco explorada na licenciatura. “No meu curso tenho sobretudo unidades curriculares teóricas. Não tenho contacto laboratorial com áreas como a catálise e os processos catalíticos e, por isso, estou a gostar”, explicou.

No último dia dos estágios, os participantes assistiram à apresentação dos mestrados do Departamento de Engenharia Química, participaram numa sessão de pitch, onde apresentaram os projetos desenvolvidos ao longo das duas semanas, e receberam os diplomas de participação.

Entre eles estava Leonor Rodrigues, estudante de Bioquímica também em Ciências ULisboa, que procurava conhecer uma área diferente da sua formação. Sob a orientação dos docentes João Tomé e Pedro Santos, participou num projeto dedicado ao desenvolvimento de fotossensibilizadores radiomarcados para o diagnóstico e tratamento oncológico. “O objetivo era desenvolver compostos que conseguissem reunir tanto a parte de fluorescência e radiomarcação, ligado ao diagnóstico e, também, à parte de terapia fotodinâmica, uma parte mais terapêutica para tratar o cancro”, explicou. 

Para a estudante, o estágio revelou-se “uma experiência muito enriquecedora”. “Consegui desenvolver competências que nunca pensei adquirir em tão pouco tempo e tenho muito a agradecer aos docentes que me acompanharam”.

Enquanto organizador do EstVerDEQ’2026, Pedro Paulo, sublinha a importância de estimular “o gosto pela ciência” e de proporcionar aos estudantes “uma experiência no mundo da investigação científica”. “Nós tentamos que, em cada edição, haja sempre aqui uma boa correspondência entre aquilo que eles esperam dessa experiência e aquilo que nós podemos proporcionar enquanto Escola de Ciência e Tecnologia”, afirmou.

O docente deixou ainda uma palavra de agradecimento a todos os investigadores e docentes que acolheram estudantes nos seus laboratórios. “É uma atividade que é enriquecedora, mas que também exige essa disponibilidade e essa generosidade”.