A cada póster estava atribuído um número. Posicionados junto dos resumos dos seus projetos, estudantes do Técnico preparavam-se para mais uma apresentação pública dos Projetos Integradores de 1.º Ciclo (PIC), uma unidade curricular que desafia estudantes a aplicar a teoria na resolução de problemas reais. O Técnico Innovation Center powered by Fidelidade recebeu, no dia 9 de junho, dezenas de estudantes da Licenciatura de Engenharia Biológica e de Engenharia Biomédica para a 2.ª edição do BioPIC Fórum, iniciativa do Departamento de Bioengenharia (DBE) do Técnico.
Entre os projetos apresentados encontrava-se o de Joana Bicho, desenvolvido em colaboração com a Faculdade de Motricidade Humana e o Centro de Alto Rendimento do Jamor. Procurando resolver um “problema do dia-a-dia” identificado na avaliação de saltos verticais, a estudante criou uma ferramenta de automatização integrada num software já utilizado pelas instituições, tornando o processo mais rápido e personalizado. “Neste momento, estamos a ver se conseguimos que seja aplicado diretamente no Centro de Alto Rendimento do Jamor. Já testei o ambiente físico e, até agora, correu tudo bem”, referiu.
Mais à frente estavam Marta Câmara e Henrique Arraiol, ambos estudantes de Engenharia Biomédica, que desenvolveram um projeto baseado em algoritmos de inteligência artificial explicável para apoiar a deteção de cancro da mama através da análise de dados obtidos por tecnologia de micro-ondas, permitindo futuras decisões clínicas, sem a utilização de radiação ionizante. “Temos cerca de 5 meses de trabalho. É bom poder expor agora um bocadinho o que andámos a fazer neste último semestre”, enquadrou Henrique Arraiol.
Na segunda ronda de apresentações, junto ao póster 17, Maria Castanheira, Carolina Machado, Mariana Pereira e Acsa Freitas apresentavam uma solução de visualização tridimensional pseudo-holográfica aplicada à ortopedia. O projeto procura melhorar a comunicação entre médicos e pacientes através de modelos tridimensionais de baixo custo que complementam as tradicionais imagens bidimensionais, como o raio-x e a tomografia computadorizada. “O paciente sente muita dificuldade em compreender a patologia. É importante desenvolver novas soluções que permitam uma visualização mais intuitiva desta anatomia e que melhorem a comunicação clínica”, explicou Maria Castanheira.
Para Nuno Mira, docente do Técnico e coordenador da unidade curricular, o formato “congresso” adotado responde aos desafios colocados pela diversidade dos projetos desenvolvidos pelos estudantes. “Queríamos envolver os colegas docentes com competências específicas nessas áreas, não só para proporcionar aos alunos uma avaliação mais justa, mas, acima de tudo, um feedback mais realista, mais verdadeiro do que aquilo que nós conseguiríamos oferecer, que obviamente é menor nas áreas em que nós não dominamos tanto”, explicou.
Além da avaliação dos docentes, os estudantes puderam votar no projeto favorito, contribuindo para uma pequena componente da classificação final. “Foi muito giro verificar o ano passado que a melhor nota dada por todos os professores avaliadores coincidiu com o póster que os alunos identificaram como o melhor”, explicou. “A grande maioria dos nossos alunos está preparada para isto. É muito diferenciador e permite aos alunos tomar contacto com realidades diversas”, complementou.
A sessão incluiu ainda a apresentação de estudantes de Mestrado. Entre eles esteve o trabalho desenvolvido por Gil Silva, Dinis Fernandes e Rodrigo Rosado, estudantes de Mestrado em Bioengenharia em Medicina Regenerativa e de Precisão.
O grupo apresentou um modelo baseado num “coração num chip”, desenvolvido a partir de células humanas, que poderá ser utilizado para estudar doenças cardíacas e testar potenciais tratamentos.
“É interessante verificar que em qualquer um dos níveis, eles (alunos) fazem trabalhos excelentes, e é muito gratificante avaliá-los porque, de facto, eles empenham-se muito e percebem mesmo no fundo do problema ou do conceito científico que tiveram a desenvolver”, afirmou Tiago Fernandes, coordenador do Mestrado de Bioengenharia em Medicina Regenerativa e de Precisão. Enquanto avaliador e orientador dos projetos de mestrado, destacou as vantagens do modelo adotado. “Este formato é muito interessante porque é interativo, é presencial, implica que as pessoas falem umas com as outras e alivia um bocadinho o peso da avaliação em termos até simbólicos”, acrescentou.
Também Ana Azevedo, professora do Técnico e coordenadora de Mestrado em Engenharia Biológica, considera que este é modelo “que funciona muito bem”. “Geralmente estes temas são distribuídos para pessoas que têm mais know-how na área e quando cada avaliador só tem oito projetos torna-se mais leve do que, por exemplo, os coordenadores terem de avaliar mais de cem”, explicou a docente pretende adotar o modelo para Projeto Integrador de 2º Ciclo (PIC2)
Durante a tarde, o evento aberto ao público, contou com a apresentação de Projetos de Inovação Pedagógica (PIP) do DBE e com um painel de discussão sobre Bioengenharia, Saúde, Indústria e Financiamento Nacional e Europeu, moderado pelos Professores Susana Vinga e Frederico Ferreira.
A mesa redonda reuniu Francisca Leite, diretora Executiva do Hospital da Luz, Marta Candeias, responsável do Gabinete de Apoio a Projetos de Investigação e Inovação no IST-ID, Paula Videira, diretora do Laboratório Associado i4HB, e Tiago Matos, professor Assistente no DBE, que refletiram sobre a necessidade do reforço de soluções científicas com impacto na sociedade.