Campus e Comunidade

Estudantes do secundário regressaram ao Técnico para conhecer a realidade e oportunidades na área da Engenharia de Minas e Recursos Energéticos

Visitantes do “Ciências nas Férias” alargaram os seus conhecimentos sobre Engenharia de Minas e Recursos Energéticos com atividades, jogos e visitas às instalações da Escola.

Para entender “o que nos dizem as rochas” e desvendar “os segredos geológicos do subsolo”, 30 estudantes do ensino secundário reuniram-se no Laboratório de Geociências e Geotecnologias (GEOLAB), no campus Alameda do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, para participar na 8.ª edição do “Ciências nas Férias”, edição da Páscoa, entre 30 de março e 2 de abril.

Durante a semana de atividades, os estudantes experimentaram um jogo de computador desenvolvido especialmente para o programa. O desafio consistia em investir em escavações, traçar um modelo de corpos mineralizados e gerir um orçamento limitado, de acordo com o número de perfurações possíveis, aproximando-os da realidade dos engenheiros de minas.

“Têm de ver a profundidade das jazidas”, estimulava a supervisora de um dos cinco grupos durante a atividade. “Mesmo com o conhecimento de uma carta geológica, às vezes, há investimentos que não têm retorno” explicou de seguida Amélia Dionísio, docente do Departamento de Engenharia de Recursos Minerais e Energéticos (DER),  investigadora do Centro de Recursos Naturais e Ambiente  (CERENA) e responsável pela iniciativa.

Terminada a atividade, deixaram para trás as anotações feitas nos cadernos e passou-se para outra componente prática. Durante o lanche, garrafas de água, rochas e medidores de condutividade substituíram os teclados para dar seguimento à atividade dinamizada por Orquídea Neves e José Manuel Marques, também docentes do Técnico.

A atividade permitia estabelecer relações entre a água e os minerais e rochas por onde circula. Para isso, os participantes analisaram rótulos de garrafas e compararam parâmetros como a mineralização e a condutividade. “Águas que circulam em ambientes diferentes apresentam níveis distintos de mineralização e condutividade. Isso pode dar-nos uma ideia da composição quantitativa da água em termos de minerais dissolvidos”, explicou Orquídea Neves.

Catarina Gonçalves, membro do CERENA e monitora, pela primeira vez, no “Ciências nas Férias”, destacou as atividades realizadas, como a Realidade imersiva com óculos 3D e o peddy paper.  Explicou que a iniciativa oferece uma visão geral do curso de  Engenharia de Minas e Recursos Energéticos e das suas “aplicabilidades práticas”. Ao longo da semana, os estudantes tiveram a oportunidade de “fazer o estudo da pedreira, visitar o local, trazer amostras e fazer ensaios laboratoriais”, explicou.

Catarina, aluna do 11.º ano do Colégio Oriente, soube da iniciativa através do seu pai: “fui ver a publicação nas redes sociais e entusiasmei-me”, contou. Já Samuel, da Escola Secundária de Alvide, e Leonor, da Escola Básica e Secundária de Salvaterra de Magos, tiveram conhecimento através dos professores e mostraram interesse nos cursos de Engenharia Química e Engenharia Mecânica do Técnico.

Após visitarem uma pedreira, os alunos receberam, no terceiro dia, a associação Cluster Portugal Mineral Resources (ACPMR), que deu a conhecer, através de um jogo, a importância dos recursos minerais no quotidiano. “O objetivo é perceber que minerais existem, onde os podemos encontrar e o que podemos fazer com eles. Numa dinâmica de aplicação, estabelecemos a ligação entre os minerais e os produtos”, explicou Tânia Peças, gestora de projeto.

Além desta atividade, os estudantes construíram maquetes ao ar livre, desenvolvendo propostas de reabilitação de pedreiras em fase de pós-exploração. João Meira, representante da Visa Consultores, empresa especializada em indústria extrativa, explicou que a principal mensagem a ser transmitida é que “a indústria extrativa pode ser feita respeitando as regras ambientais e de sustentabilidade, sendo necessário e imperioso reabilitar os espaços e não abandoná-los após a exploração”.

Duarte, estudante da Escola Secundária Madeira Torres, apresentou o projeto do seu grupo, que consistia na construção de termas: “É uma pedreira de sal-gema que foi abandonada. O caráter salino tem propriedades benéficas, o que pode aumentar o turismo e dinamizar a cidade. Além disso, os habitantes da vila teriam acesso gratuito”, explicou. Rita, da mesma escola, desenvolveu com o seu grupo um hotel sustentável com piscinas naturais. Após a construção, os estudantes apresentaram e defenderam os seus projetos perante os restantes participantes.

O último dia do “Ciências nas Férias” foi dedicado à análise dos dados recolhidos ao longo das atividades, à preparação e apresentação de um portefólio em ambiente de storytelling e à conclusão das atividades, com a entrega de diplomas.

“O interesse dos miúdos aumentou. Excepcionalmente, tivemos de abrir 30 vagas, o limite era os 25”. Amélia Dionísio concluiu que todas as edições têm sido “vencedoras”, considerando que os inquéritos realizados no fim das atividades passam uma “imagem muito positiva” da iniciativa.

As propinas do curso de Minas e Recursos Energéticos do Técnico são garantidas por várias empresas portuguesas do setor dos recursos minerais e energéticos, através do programa Recursos +.

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