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“Formar pessoas, produzir conhecimento e contribuir para a sociedade”: Shaping the Future juntou novos docentes e investigadores do Técnico

11.ª edição do programa decorreu entre 23 e 25 de junho e reuniu docentes e investigadores em período experimental para três dias dedicados ao desenvolvimento de carreira e investigação no Técnico.

Cartões de diferentes cores distribuídos à entrada, pequenos grupos que se formavam entre corredores e conversas que começavam antes mesmo da primeira sessão. No Museu do Design (MUDE), na Baixa de Lisboa, a 11.ª edição do programa Técnico Shaping the Future arrancou a 23 de junho com um convite à descoberta do espaço, da instituição e das pessoas que, nos próximos anos, irão partilhar percursos de ensino e investigação no Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.

“É uma carreira exigente de ensino e investigação”, descreveu Rogério Colaço, presidente Técnico, ao refletir sobre os desafios da docência universitária. Recordando as transformações vividas pela academia nas últimas décadas – da adaptação ao ensino à distância durante a pandemia ao impacto da inteligência artificial e das novas tecnologias – sublinhou a necessidade de adaptação contínua. “Cabe a nós [docentes e investigadores] estar preparados para responder a essa mudança, preservando aquilo que continua a ser essencial: formar pessoas, produzir conhecimento e contribuir para a sociedade”, sintetizou.

Convidados a participar numa atividade de ‘quebra-gelo’, docentes e investigadores do Técnico circularam pelas várias salas do MUDE em exercícios de observação e trabalho em grupo. Entre galerias e os diferentes pisos do edifício,  as primeiras apresentações deram lugar à partilha de percursos e experiências, prolongando-se depois em mesas-redondas e discussões em pequenos grupos. Os cartões coloridos que identificavam os diferentes departamentos e áreas científicas serviam agora para “aproximar novas ligações dentro da Escola”.

“Já conhecia algumas pessoas, mas estas atividades permitiram-me conversar com colegas com quem provavelmente não teria oportunidade de interagir no dia-a-dia”, referiu Diana Neves, agora professora do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) no Técnico. “Com as expectativas altas”, veio à procura de “encontrar ferramentas que [a] ajudassem a preparar esta nova etapa da carreira”.

A seu lado, Hugo Magalhães, também do DEM, valorizou os momentos informais proporcionados pelo programa. “Estas sessões criam oportunidades para conversar com pessoas que estão a viver fases semelhantes da carreira”, observou. Para o docente, deste contacto inicial “podem surgir ideias para futuras colaborações”.

“Permitem tornar mais visíveis dificuldades frequentemente vividas de forma individual”

Ao longo de três dias, as sessões foram compondo um retrato das várias dimensões da carreira académica. Temas como liderança, integridade científica,  internacionalização e articulação entre ensino e investigação sucederam-se, revelando a diversidade de responsabilidades que “acompanha a vida académica para além da sala de aula e do laboratório”.

Para Luís Lemos Alves, coordenador do Acompanhamento e Desenvolvimento dos Docentes e Investigadores do Técnico, o programa “procura criar um espaço onde se discutem não apenas as funções, mas também o contexto em que elas acontecem”. O contacto entre participantes “desde o primeiro momento”, referiu, “constitui uma das componentes centrais da iniciativa.”

As experiências de períodos sabáticos no estrangeiro, as perspetivas de progressão na carreira e o equilíbrio entre ensino, investigação e gestão científica estiveram igualmente em destaque. Em vários momentos, docentes e investigadores do Técnico partilharam percursos académicos em instituições internacionais e estratégias de organização do trabalho científico. 

“Percebemos que muitos dos desafios se repetem, independentemente da área científica”, referiu João Ribeiro, professor do Departamento de Matemática do Técnico. “É importante definir prioridades em diferentes momentos da carreira, reconhecendo que nem todas as responsabilidades podem ter o mesmo peso em simultâneo”.

A partilha de experiências dos primeiros anos de docência encontrou eco entre os participantes. Isabel Boavida, investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Engenharia Civil para a Sustentabilidade (CERIS) e agora professora do Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Ambiente (DECivil) do Técnico, considerou que estes momentos “permitem tornar mais visíveis dificuldades frequentemente vividas de forma individual”. “Ouvir diferentes percursos ajuda-nos a perceber que muitos desafios são comuns e que existem estratégias que podem ser adaptadas a outros contextos”, afirmou.

“Saio daqui com novos contactos e com uma maior confiança para os próximos anos”

A perspetiva dos estudantes integrou igualmente a reflexão sobre o ensino e a aprendizagem. Mariana Calhegas, alumna do Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial do Técnico, regressou ao período em que desenvolveu a dissertação através do programa Capstone. Sob orientação de Susana Relvas, professora do Técnico, recordou o contacto com um problema real e a proximidade com o contexto empresarial. “Ter alguém que nos incentiva a arriscar e a sair da zona de conforto faz diferença”, afirmou, sublinhando a importância do acompanhamento recebido ao longo do projeto de mestrado e a forma como esta “experiência contribuiu para a transição para a vida profissional”. 

Na mesma sala onde se discutia a experiência dos estudantes e oportunidades de aprendizagem, o ensino surgiu como um “processo em permanente construção”. “Ensinar implica uma reflexão contínua sobre a forma como os estudantes aprendem e sobre as estratégias que podemos desenvolver para os envolver nesse processo”, testemunhou Luísa Coheur, professora do Técnico distinguida pelo Prémio de Inovação Pedagógica 2025 da Universidade de Lisboa, que reconhece o mérito de docentes e investigadores pela “utilização consistente, refletida e fundamentada de práticas pedagógicas”.

No último dia, a componente pedagógica foi acompanhada por uma apresentação das estruturas de apoio existentes na Escola. Numa sessão em formato de mesas-redondas, coordenadores e responsáveis de diferentes áreas e serviços responderam às dúvidas colocadas pelos participantes. “Foi importante perceber como a Escola está organizada e conhecer as pessoas a quem podemos recorrer em diferentes situações”, partilhou Carla Costa, agora professora do Departamento de Engenharia e Gestão (DEG), com alguma “surpresa da diversidade de serviços de apoio à docência e investigação” do Técnico.  

Na sessão de encerramento, Pedro Brogueira, presidente do Conselho Científico do Técnico, retomou o desafio lançado aos participantes ao longo do programa para colocarem questões, discutirem ideias e partilharem os desafios dos respetivos percursos académicos, reforçando a importância de criar um “espaço para estarem presentes, ouvirem e serem ouvidos”. 

Também Miguel Cacho Teixeira, presidente do Conselho Pedagógico do Técnico, destacou a centralidade do ensino na atividade académica. “Ensinar é uma parte fundamental do [nosso] trabalho e é um objetivo que partilhamos enquanto comunidade”, frisou. O responsável sublinhou ainda o compromisso do Técnico com a “formação pedagógica dos seus docentes e investigadores”, considerando que a qualidade do ensino resulta do “investimento continuado no desenvolvimento de competências e na valorização da prática letiva”.

“Destes três dias levo sobretudo uma visão mais completa da instituição e das diferentes dimensões da carreira académica”, resumiu João Aparício, professor do Departamento de Informática do Técnico, o sentimento partilhado por vários participantes. “Saio daqui com novos contactos e com uma maior confiança para os próximos anos”.

À saída, os grupos voltaram a formar-se nos corredores. Trocaram-se contactos, discutiram-se projetos e ficaram agendadas conversas para os meses seguintes. Foi neste ambiente que terminou a 11.ª edição do Técnico Shaping the Future, programa que, ao longo da última década, tem acompanhado a integração de docentes e investigadores em período experimental e promovido espaços de reflexão sobre a carreira académica no Técnico.

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