Parado num ramal na estação do Entroncamento, o Helianto não espera por passageiros nem mercadorias para iniciar a marcha. Em vez disso, o comboio-miniatura aguarda apenas a luz verde dos estudantes do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, que o observam, para ver em prática o desempenho deste projeto CAPSTONE que estão a desenvolver. São duas equipas de quatro estudantes cada e levaram este veículo, de seu nome Helianto, ao Portugal Railway Summit, organizado pela Plataforma Ferroviária Portuguesa a 20 e 21 de maio, no Entroncamento, para o seu rollout perante líderes do setor, representantes governamentais e especialistas.
É mais uma prova do mote de ‘mãos na massa’ trazido pelos CAPSTONE. Propostos por empresas, instituições ou núcleos de estudantes e supervisionados por equipas de professores e investigadores do Técnico, estes projetos procuram resolver problemas reais, permitindo aos estudantes de mestrado do Técnico consolidar a aprendizagem ao integrarem e aplicarem os conceitos que adquiriram ao longo do percurso académico.
“[Os CAPSTONE] oferecem aos estudantes a possibilidade de trabalhar diretamente com desafios reais”, explica Miguel Cacho Teixeira, presidente do Conselho Pedagógico do Técnico. Para o docente, estes projetos são uma oportunidade para desenvolver “soft skills de comunicação e trabalho em equipa num ambiente multidisciplinar complexo, bastante mais próximo do que será a sua experiência no mercado de trabalho”.
Com efeito, as atividades no Entroncamento, inseridas na modalidade CAPSTONE, foram os primeiros testes alargados de vários sistemas do protótipo Helianto: o sistema de painéis solares, os motores (em formato de rodas independentes), a travagem regenerativa e a integridade estrutural da composição foram postos à prova.
“A modalidade CAPSTONE permitiu que cada subsistema do protótipo fosse estudado, projetado e construído imitando um ambiente de projeto da vida real”, partilhou Aliya Ibrahimo, líder do ISTrain e aluna da Escola. Este núcleo de estudantes do Técnico é a primeira equipa estudantil portuguesa dedicada a competir em desafios ferroviários internacionais. Fundado em 2024, o ISTrain projeta, constrói e testa locomotivas elétricas em escala reduzida, com o seu primeiro protótipo, a LOCO1-Andorinha, a competir este mês no Reino Unido.
Além deste projeto, estudantes de mestrado do Técnico podem candidatar-se, até 22 de junho, a participar em outros seis projetos desta “modalidade de dissertação de mestrado, na forma de projecto curricular multidisciplinar, integrador e de resposta a desafios reais”, como descrito no site do Programa Capstone.
A par do Helianto, a lista de projetos inclui também uma prova de conceito de inversor para uma moto elétrica de competição, inserida nas atividades do núcleo de estudantes TLMoto, a utilização de nanobolhas para processos de desinfeção e degradação de poluentes, em parceria com a Bubtex, o desenvolvimento de novos métodos de classificação de veículos, em colaboração com a Brisa, e outros três projetos propostos pela Fidelidade – a criação de um modelo de classificação de infraestruturas em função da sua vulnerabilidade a eventos climáticos de risco, a análise dos efeitos das alterações climáticas na qualidade do ar e saúde das populações e a avaliação do potencial impacto das alterações climáticas na gestão de recursos hídricos.