Investigadores do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, desenvolveram protocolos para a deteção de agentes infeciosos em águas residuais que integram as orientações da Comissão Europeia. As metodologias, criadas no âmbito de um projeto europeu de vigilância epidemiológica, poderão ser utilizadas por organismos de saúde pública para monitorizar doenças como o dengue, a chikungunya e o Ébola.
Sílvia Monteiro e Ricardo Santos, investigadores do Laboratório de Análises do Instituto Superior Técnico (LAIST), do Instituto de Investigação e Inovação em Engenharia Civil para a Sustentabilidade (CERIS), e do Departamento de Engenharia e Ciências Nucleares (DECN), lideram a participação do Técnico no desenvolvimento destes protocolos. “Temos trabalhado com águas residuais desde a altura da pandemia do SARS-CoV-2. Isto acaba por ser uma extensão desse projeto”, explica Ricardo Santos.
A monitorização foi alargada a um maior número de agentes infeciosos, como o vírus da dengue e da chikungunya. Atualmente, o projeto envolve parceiros em Portugal, Alemanha e Itália e estende-se a outros países europeus e fora da Europa. A equipa do Técnico é responsável pela elaboração dos protocolos, disponíveis no Joint Research Centre da Comissão Europeia. “Os protocolos têm toda a informação das metodologias que utilizamos, desde que as amostras chegam até ao resultado final”, enquadra Sílvia Monteiro.
Um dos protocolos mais recentes foi desenvolvido para a monitorização do vírus do Ébola em águas residuais, permitindo que países vizinhos da República Democrática do Congo possam detetar precocemente a circulação do vírus. “No Maláui existem muitos campos de refugiados que recebem pessoas da República Democrática do Congo todos os dias e vão utilizar o protocolo desenvolvido por nós para saberem se há um extravasamento do número de pessoas infetadas para o país”, conta Ricardo Santos.
Para o investigador, a aplicação prática do trabalho desenvolvido é o aspeto mais importante. “O Técnico tomou a liderança deste protocolo para águas residuais, disponibilizando a diferentes países uma ferramenta que lhes permite saber se há pessoas infetadas a entrar”, acrescenta.
Os investigadores destacam ainda a confiança depositada no Técnico neste projeto europeu, que representa cerca de quatro milhões de euros para investigação. “No caso do Ébola tivemos diversas reuniões com a Comissão Europeia, o Instituto Pasteur, a ONU, a Gates Foundation e diversos institutos em África. Nós contribuímos, ou tentamos contribuir, para ajudar a conter a situação”, declara Sílvia Monteiro.