O QuantumPUF é o novo projeto de investigação europeu que promete reduzir o risco de roubo, cópia ou extração de credenciais digitais através da física quântica. O projeto coordenado pelo Instituto de Telecomunicações, reúne uma equipa multidisciplinar de investigadores e instituições de toda a Europa, incluindo Paulo André, Emmanuel Cruzeiro, Paulo Mateus, Preeti Yadav, Ana Bastos, Chrysoula Vlachou, investigadores do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.
O projeto, financiado pelo programa europeu EIC Pathfinder, procura desenvolver Quantum Physical Unclonable Functions (PUF) com leitura portátil, baseadas em materiais luminescentes e em propriedades quânticas difíceis de replicar. Tal significa que os dispositivos que usamos no quotidiano poderão vir a integrar funções físicas não clonáveis, em vez de dependerem apenas de credenciais digitais armazenadas, como palavras-passe ou chaves criptográficas.
“A ‘identidade’ do dispositivo está incorporada na sua própria matéria e resulta de pequenas variações físicas introduzidas no processo de fabrico, que são praticamente impossíveis de reproduzir ou copiar” explica Paulo André, também professor do Técnico. Para o investigador, este projeto representa “uma mudança importante de paradigma na segurança”, que poderá traduzir-se em dispositivos “mais seguros e mais fiáveis, sem aumentar a complexidade de utilização”.
A combinação de áreas como a fotónica, a engenharia de materiais e a criptografia quântica é vista como um avanço no desenvolvimento de “novas soluções de autenticação seguras”. O investigador sublinha que este projeto abre portas a aplicações práticas fora dos laboratórios: “Um dos aspetos mais promissores é a ambição de tornar essas assinaturas legíveis por sensores óticos portáteis e, no futuro, potencialmente até por câmeras de smartphone”.
Na perspetiva de Paulo André, as PUF poderão vir a ter um impacto social “muito significativo”, sendo capazes de conferir “maior proteção de dados pessoais, mais confiança nas infraestruturas digitais, maior segurança em cadeias de abastecimento e maior resiliência em setores críticos”, explica.
Paulo André destaca ainda que este projeto não se restringe à área da cibersegurança, demonstrando que “áreas como a física, a ciência dos materiais, a engenharia e a criptografia podem criar soluções inovadoras com verdadeiro potencial de transferência para a sociedade”. O projeto apresenta um orçamento total de aproximadamente três milhões de euros e pretende dar resposta aos desafios de um “mundo hiperconectado” e antecipar o impacto das tecnologias quânticas.