Uma empresa com dois anos e meio que nasceu há 10 anos com a orientação da dissertação de mestrado de um aluno, João Januário. Foi desta forma que Carlos Oliveira Cruz, professor do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, começou por apresentar a Stone Brick, nas IST Civil Talks. A conversa reuniu várias empresas no Museu de Civil do campus Alameda do Técnico, para falar sobre a forma como usam a metodologia BIM, no âmbito das Jornadas de Engenharia Civil, realizadas entre 2 e 5 de março e integradas nas Semanas das Carreiras.
Da análise de dados para previsão de preços no mercado imobiliário, estudada por João Januário, os dois investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Engenharia Civil para a Sustentabilidade (CERIS) passaram a previsão de custos na indústria da construção civil.
No pós-covid, a inflação levou a que uma empresa procurasse o apoio dos investigadores uma vez que “os preços estavam a variar numa ordem que não tinha capacidade de prever”. Para tal, analisaram “dados e custos para perceber exatamente o que se estava a passar” e tiveram de perceber “como é que os preços dos materiais estavam a variar nos mercados internacionais”. “Quanto tempo demora [por exemplo] entre variarem na bolsa de Londres e de repente chegarem ao mercado da construção”.
Terminado o trabalho, o cliente referiu que “o que precisava mesmo era de um botão para carregar e fazer esta análise” e daí surgiu “o primeiro piloto da Stone Brick”. O software desenvolvido por Carlos Oliveira Cruz e João Januário “faz a estimativa de custos para os projetos e depois analisa a volatilidade desses custos”.
Obter a “estimativa do preço de custo do edifício” não é novidade. “Há muitas ferramentas de orçamentação automática”. O que os dois investigadores do Técnico não encontraram noutras ferramentas foi algo que permitisse prever como é que este preço pode oscilar ao longo do tempo “face às flutuações do mercado”. Por consequência, é possível perceber o risco envolvido “ao aceitar fazer uma obra” por um determinado preço.
A ferramenta deve “sair para o mercado dentro de três ou quatro meses”, estando agora em testes com os parceiros.
As Jornadas de Engenharia Civil, organizadas pelo Fórum Civil, foram este ano abertas a estudantes de fora do Técnico. Pela primeira vez, “enviámos convites para todas as escolas de engenharia civil do país e tivemos a participação de estudantes da Universidade do Minho e do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa”, conta João Pegas, presidente daquele núcleo de estudantes.
Cerca de 1000 pessoas terão passado por esta semana das carreiras que contou, este ano, com a presença de 67 empresas nas 40 atividades disponibilizadas.