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Jornadas de Engenharia do Ambiente destacam sustentabilidade e ligação ao mercado nas Semanas das Carreiras do Técnico

Empreendedorismo sustentável e diversidade de saídas profissionais estiveram em destaque na XVII edição do evento.

Perguntas de estudantes, conversas informais no final das sessões e troca de contactos foram uma constante na XVII edição das Jornadas de Engenharia do Ambiente (JEAmbi), que decorreram a 18 e 19 de fevereiro, no âmbito das Semanas das Carreiras do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa. A iniciativa, promovida pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia do Ambiente (NEEA), reuniu estudantes, empresas e especialistas para debater desafios atuais da sustentabilidade e explorar oportunidades de carreira.

Entre os especialistas estava Catarina Matos, arquiteta de formação que co-fundou, em 2017, a Mind The Trash, a primeira loja online portuguesa focada na redução do desperdício. Durante o painel “Empreendedorismo Sustentável: Construir o Futuro”, partilhou a transição de área e o processo de criação de um negócio centrado na economia circular, procurando “responder a falhas identificadas no mercado da sustentabilidade, como o uso de materiais descartáveis”.

A motivação surgiu da observação do consumo quotidiano e da quantidade de plástico gerado. “O lucro não pode ser o único critério de sucesso”, afirmou, defendendo que as decisões empresariais devem integrar impacto ambiental e social. A empreendedora sublinhou ainda a importância de começar com pequenas mudanças e de assumir responsabilidade individual: “Pensar em sustentabilidade é também pensar em sensibilização, consciencialização e educação que desenvolvemos”.

O modelo de negócio da Mind The Trash assenta na “procura de soluções que reduzam materiais descartáveis e promovam alternativas duradouras”. A empresa aposta na produção nacional e artesanal, na certificação biológica e na reutilização de materiais logísticos, estimando que a “já tenha reutilizado mais de 200 mil caixas e mais de 600 embalagens de plástico para o envio de detergentes a granel”. Entre os produtos desenvolvidos, destacam-se champôs sólidos, pensos menstruais reutilizáveis e projetos educativos dirigidos a escolas, com o objetivo de sensibilizar para hábitos de consumo mais sustentáveis.

“Os estudantes do Técnico têm uma responsabilidade acrescida no modo como a sustentabilidade é discutida e aplicada. Precisamos de menos slogans e de mais capacidade de análise, de mais pensamento crítico e de uma maior competência para transformar intenções em implementação concreta”, rematou Catarina. “A sustentabilidade do futuro depende da forma como os jovens conseguem articular ciência, tecnologia e responsabilidade social, conscientes de que a sustentabilidade não é um estado final, mas um processo contínuo de melhoria, adaptação e compromisso”. 

Para Luísa Soares, presidente das JEAmbi, a iniciativa assumiu um papel central na valorização da Engenharia do Ambiente junto da comunidade académica. “As Jornadas contribuem para esclarecer potenciais interessados no curso e sobre a amplitude das saídas profissionais disponíveis, evidenciando as múltiplas vertentes de atuação do engenheiro do ambiente e a relevância crescente da área no atual contexto de transição ecológica”.

Ao longo dos dois dias, o evento procurou aproximar os estudantes do mundo profissional, promovendo o contacto com especialistas e empresas do setor e destacando diferentes percursos e oportunidades de futuro na área da sustentabilidade. “O engenheiro do ambiente desempenha um papel determinante na construção de um futuro mais sustentável ao atuar na interseção entre ciência, tecnologia e sociedade”, acrescentou Luísa, estudante de Engenharia do Ambiente no Técnico

As Jornadas de Engenharia do Ambiente integram as Semanas das Carreiras do Técnico, iniciativa que reforça a ligação entre o Técnico, os seus estudantes e o tecido empresarial. O programa incluiu também temas como monitorização ambiental com drones, reabilitação de locais contaminados, adaptação climática em cidades, construção sustentável e agricultura celular, promovendo o contacto com desafios reais e diferentes percursos profissionais.

“As Jornadas de Engenharia do Ambiente são um exemplo muito relevante da forma como os estudantes complementam a sua formação académica com experiências que não se desenvolvem apenas em sala de aula ou em laboratório”, partilhou Rogério Colaço, presidente do Técnico, na sessão de abertura do evento. “Ao longo de 17 anos, a iniciativa tem contribuído de forma consistente para projetar os estudantes do Técnico para fora da instituição, aproximando-os do mercado de trabalho e criando oportunidades concretas para o seu futuro”, concluiu.

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