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Lição de Jubilação de José Saldanha Matos, um representante do “paradigma de académico”

Docente revisitou 40 anos de percurso académico, na lição intitulada “Para além da Água”.

Na sala de congressos do Pavilhão Civil do campus Alameda, ouvia-se o burbúrio das conversas e saudações de amigos, familiares e colegas reunidos para a Lição de Jubilação de José Saldanha Matos, professor Catedrático do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, na área de Hidráulica, Ambiente e Recursos Hídricos. “Para além da Água” foi o título escolhido para a lição celebrativa do percurso do docente do Técnico, que teve lugar no dia 14 de maio.

José Saldanha Matos confessou sentir-se “muito pequeno” perante a quantidade de pessoas reunidas para celebrar a sua caminhada. Começando pela a infância e adolescência felizes, entre histórias e episódios curiosos, revisitou os projetos e atividades que fizeram de si “um privilegiado”. Ao longo do percurso, acumulou  diversos cargos de gestão, entre os quais  presidente do Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Ambiente do Técnico, presidente da European Water Association e presidente da Parceria Portuguesa para a Água. Na sua perspetiva, todas as conquistas resultam de um caminho pautado pela persistência. “É muito importante a persistência, para deixar marca, é preciso tempo”, afirmou. Sobre o exercício de atividades associativas concluiu:“Ganhei muito mais do que dei, precisei da muita ajuda que tive, sempre em grupo, dando contribuições, mas nunca sozinho”, declarou, expressando toda a “gratidão” aos presentes.

Foi com um “misto de sentimentos” que Rogério Colaço, presidente do Técnico, afirmou que ver “a casa cheia de amigos e familiares” valia mais do que “qualquer palavra”. Considerando que José Saldanha Matos representa o “paradigma de académico”, destacou o seu perfil humanístico e ético. Agradecendo o serviço prestado à Escola e ao país, sublinhou que aquele “momento marcante” não representava “um ponto final”, mas antes a “abertura de qualquer coisa nova” que ali começava “simbolicamente”.

Soube “atrair e despertar o interesse dos seus estudantes”

Presente na homenagem esteve também Luís Calado, professor catedrático do Técnico, que destacou um percurso “fortemente ligado” ao ciclo da água. Numa breve apresentação do percurso do docente que nasceu em 1956, em Lourenço Marques, e iniciou o seu percurso no Técnico em 1974, salientou o facto de ter formado centenas de estudantes e demonstrado a sua “capacidade de liderança” em tempos difíceis, em particular durante a pandemia da Covid-19.

Dídia Covas, também professora catedrática do Técnico, fez não só uma retrospectiva dos 40 anos de academia, como partilhou “diferentes dimensões da mesma pessoa”, que “articula a vida, o saber, e o ensino na mesma realidade”. Nas palavras da colega, que foi também sua aluna, José Saldanha Matos soube “atrair e despertar o interesse dos seus estudantes” tendo a capacidade de “enriquecer o seu discurso com exemplos concretos” e de conciliar a “visão estratégica com a prática”. Para além da vida profissional, destacou ainda que o docente realizou atividades pessoais como o Karaté e o Aikido, que lhe conferiram o título de “arrojado, aventureiro e destemido”.

Helena Alegre, docente do Técnico e diretora do Departamento de Hidráulica e Ambiente (DHA) do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), partilha “desde sempre” o “mapa profissional” com o “amigo de enormes anos” que considera ser “uma pessoa muito fiável”. No seu discurso, destacou o seu “grande sentido de serviço público” associado a um “grande pragmatismo e bom senso”, celebrando não só os seus feitos, mas também “a forma” como os concretizou.

Também António Monteiro, professor do Departamento de Engenharia Civil, Arquitetura e Ambiente e amigo há cerca de 42 anos, esteve presente na cerimónia. Durante a sua intervenção, recordou momentos partilhados desde o início da carreira, em que  encontraram um no outro “um lugar de conversa franca”. Referindo-se ao amigo que “ouve, pondera, mas fica sempre com o mais difícil”, afirmou: “Leva contigo um legado em andamento”.

O Reitor da Universidade de Lisboa, Luís Ferreira, descreveu o homenageado como “uma pessoa que, apaixonada pelo seu trabalho e pelos seus estudantes, nunca ficou preso ao passado”. Considerando-o “precursor da Universidade de Lisboa” agradeceu, em nome da Instituição, o contributo do “eminente” investigador, professor e engenheiro, que “poderia ter sido um diplomata” pela sua “tranquilidade extraordinária” e capacidade “apaziguadora” em situações críticas. “Celebramos o júbilo de fazer o que se gosta”, concluiu.

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