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“Lusofonia na Era Digital”: Vozes da CPLP reuniram-se pelo segundo ano consecutivo no Técnico para debater soluções para uma plataforma comum

Evento juntou três painéis de especialistas no Técnico Innovation Center powered by Fidelidade.

Ao som da Kora, instrumento musical tradicional da África ocidental, interpretada por um mestre do instrumento, teve início a 2.ª edição do encontro académico “Lusofonia na Era Digital”. A iniciativa, organizada pelo Núcleo de Estudantes Africanos do Instituto Superior Técnico (NEAIST), em parceria com a Federação Académica Africana de Portugal (FAAP), reuniu, no dia 26 de junho, no Técnico Innovation Center Powered by Fidelidade, três painéis de especialistas para refletir sobre os desafios e as oportunidades que a era digital coloca à comunidade lusófona.

De acordo com Júnior Sane, estudante cabo-verdiano no primeiro ano do mestrado em Engenharia Aeroespacial do Técnico, membro da FAAP e um dos organizadores do evento, a iniciativa pretende sensibilizar para a necessidade de desenvolver projetos “mais concretos”, capazes de “acelerar a digitalização do espaço lusófono”.

Na abertura da sessão, Maria de Fátima Monteiro Jardim, secretária executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), recordou os valores da comunidade lusófona: “Queremos construir a prosperidade para todos os nossos países”, afirmou, sublinhando a importância da juventude para a transformação da sociedade. Também presente na sessão de abertura, Rahim Kassam, diretor executivo da Delegação do Ismaili Imamat em Portugal, destacou a educação como um dos “maiores instrumentos” para o progresso e defendeu que a tecnologia deve caminhar lado a lado com a educação para formar “uma nova geração de líderes”.

Numa mesa redonda, o primeiro painel dedicou-se ao tema “Memória, Identidade e Construção de Futuro da Lusofonia”. Ana Paula Costa, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) e presidente da Casa do Brasil de Lisboa, destacou três aspectos fundamentais para fomentar a comunidade lusófona: Inovação tecnológica na Administração Pública, a preservação das diversas variantes do português e uma organização social mais coletiva.

André Santos Pereira, professor do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), analista político e especialista em políticas públicas, defendeu o reforço da produção de conhecimento em língua portuguesa. Já Martilene dos Santos, membro do conselho de administração do grupo ENSINUS, reforçou que a lusofonia deve servir como “vantagem competitiva” para todos os países que integram a CPLP. Por sua vez, João Paulo Pereira, chefe da Divisão de Programação, Formação e Certificação Direção de Serviços da Língua, Camões, I.P, realçou a necessidade de uma visão pluricêntrica da língua portuguesa.

O segundo painel, dedicado ao tema “Literatura, Educação e Desenvolvimento”, contou com a participação de Rogério Colaço, presidente do Técnico, Alda Moreira, coordenadora da Área de Educação, Projetos e Desenvolvimento da UCCLA, e António Soares Lopes (Tony Tcheka), escritor, jornalista e analista social e político.

Rogério Colaço considerou que “há várias décadas” se perde a oportunidade de criar “uma plataforma de língua comum” e defendeu a necessidade de a transformar numa ferramenta “útil para todos” os países da comunidade. Alda Moreira sublinhou que, num contexto digital marcado por posições extremadas, é essencial “reconhecer a riqueza que já existe”, valorizando a diversidade das diferentes realidades lusófonas para enriquecer a língua portuguesa. Já Tony Tcheka aproveitou a ocasião para reforçar a importância da solidariedade e sensibilizar os presentes para a situação sociopolítica da Guiné-Bissau.

Acreditando que esta era digital poderá contribuir para uma melhor “partilha de conhecimento” e para a difusão de “informação rigorosa”, Miguel Amado, Vice-Presidente para a Sustentabilidade e Infraestruturas do Técnico, enfatizou, no último painel, a necessidade de uma “interajuda clara” e de “transmitir  conhecimento com “sentido de responsabilidade” e de forma desinteressada.

Entre os participantes encontrava-se Felisangela Mendim, estudante guineense em Portugal, que regressou ao evento depois de ter participado na edição anterior. “No ano passado também estivemos aqui, gostámos e voltámos porque é interessante e é importante existirem estes momentos de partilha”, afirmou. A acompanhá-la estava a colega Gabriela Martins, que se identificou com várias das intervenções. “Achei muito interessante a palestra, houve temas que me tocaram bastante”, concluiu.

A 1.ª edição do encontro académico” Lusofonia na Era digital” realizou-se no ano de 2025. Nesta edição, Júnior Sane apontou o crescimento do evento. “Em comparação com a edição anterior, esta tem uma dimensão maior. Desta vez, houve um nível de discussão mais elevado e alterámos a perspetiva dos temas, procurámos abordar questões mais críticas, que é o nosso  objetivo com este evento”, afirmou. Para as próximas edições, o estudante considera que o caminho deverá ser menos voltado para a discussão e mais orientado para a “criação de soluções”. Defendeu ainda uma maior participação de membros da CPLP “com poder de decisão”.

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