A comunidade do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, voltou a reunir-se para a preparação de verão da minifloresta do Técnico, situada no campus Alameda. A iniciativa, promovida pelo Núcleo de Sustentabilidade do Técnico em parceria com a URBEM, organização dedicada à regeneração ecológica de espaços urbanos, decorreu no dia 25 de junho, entre as 14h e as 17h, horário habitual de manutenção do espaço, sempre na última quinta-feira de cada mês.
“Este tipo de projetos são realmente importantes para pôr as pessoas em contacto com a natureza e fazê-las perceber que há esperança num mundo mais sustentável”, afirmou André Crespim, estudante de mestrado em Matemática Aplicada e Computação e presidente do Grupo de estudantes ambientalista do Instituto Superior Técnico (AmbientalIST), também parceiro da iniciativa. Agora na fase de manutenção da minifloresta, recorda a plantação das primeiras espécies. “Eu vi isto quando as plantas estavam ainda muito pequeninas. Agora está lindíssimo, as plantas já estão a crescer e acompanhar as diferentes estações faz parte do processo e acho que é muito giro também”. Para promover esse contacto e envolver mais membros da comunidade, o AmbientalIST dedicou um episódio do seu podcast à construção da minifloresta.
António Alexandre, membro da URBEM e estudante da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, explicou em que consiste a monda, uma das principais tarefas de preparação da minifloresta para o verão.“Estamos a tirar algumas plantas indesejadas e colocá-las no sol para fazer cobertura do solo, porque é muito importante agora manter o sol protegido para evitar que o calor faça evaporação”.
Depois de ultrapassado o primeiro verão, a probabilidade de sobrevivência das plantações aumenta. Neste sentido, António Alexandre sublinha que esta fase exige “o máximo de cuidado”. Além disso, o estudante acredita também que a faculdade deve ser “um espaço de encontros”. “Se (as pessoas) aproveitarem para estar um bocadinho aqui e contribuírem para a geração presente e vindoura, acho que é uma coisa que é benéfica”, concluiu.
Afonso Lopes, estudante no segundo ano da licenciatura em Engenharia Física e Tecnológica, tomou conhecimento da iniciativa através das redes sociais e decidiu juntar-se à atividade. “Estou a achar muito giro e muito confortável, não sabia bem como é que conseguiria ajudar, mas já me deram ferramentas para as mãos e explicaram o que fazer”, contou o estudante, de tesoura na mão. Sendo a sua primeira participação na construção da minifloresta, considera que seria importante um maior envolvimento da comunidade. “Agora que sei como é, espero conseguir trazer mais pessoas”.
Considerando-se “uma entusiasta do projeto”, Clementina Teixeira, professora aposentada do Técnico e voluntária da URBEM, acompanha o projeto desde o início. Interessada por plantas desde 2008, aplica os seus conhecimentos também na catalogação das espécies presentes na minifloresta. “A nossa preocupação aqui nas florestas é utilizar plantas da região. Em termos de colheita de sementes, estamos limitados a um raio de 30 quilómetros, porque as plantas fora da sua zona, onde elas costumam aparecer, podem tornar-se infestantes ou até podem ser tóxicas para a fauna daquele lugar”, explicou.
Entre os voluntários encontrava-se ainda Mariana Veiga, funcionária do Técnico no Núcleo de Sustentabilidade do Técnico. Para a voluntária, “meter as mãos na massa” é um processo “terapêutico”, no qual “toda a gente deveria participar”. “O projeto para mim tem sido muito interessante e muito gratificante, até apetece vir cada vez mais e expandir isto a todos os pequenos bocadinhos que há de relevado”, partilhou. Além disso, destacou ainda a horizontalidade da atividade. “É muito giro também ver um bocadinho essa união de diferentes hierarquias dentro do Técnico, porque temos professores, temos gestores de edifícios, temos alunos e funcionários a trabalhar neste projeto”.