“O mundo mudou”. É desta forma que Nuno Nunes, professor do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, e coordenador da nova licenciatura em Engenharia Geral (GENI), enquadra o lançamento do curso que terá início em setembro de 2026, na qualidade de curso de Engenharia “ integralmente lecionado em inglês, pela primeira vez em Portugal”.
Com 30 vagas nacionais e outras 20 destinadas a estudantes internacionais, a nova licenciatura surge num contexto de transformação tecnológica e científica acelerada, procurando responder a desafios “cada vez mais interdisciplinares e globais”. A proposta combina uma formação de base em ciências fundamentais (Matemática, Física, Química e Biologia), com contacto progressivo com diferentes áreas da engenharia (com uma forte componente de inteligência artificial, competências informáticas e metodologias modernas de aprendizagem), permitindo aos estudantes “construir o seu percurso de forma flexível ao longo da licenciatura”. A ideia é oferecer aos estudantes as bases científicas para compreenderem sistemas complexos e as ferramentas digitais que hoje permeiam todas as áreas da engenharia.
“Vivemos numa era volátil, incerta, complexa e ambígua”, afirma Nuno Nunes. “Os desafios atuais dos engenheiros, como alterações climáticas, transição energética, inteligência artificial e biotecnologia, exigem competências que vão além de uma única especialidade”.
A nova licenciatura inspira-se em experiências internacionais como o Olin College of Engineering, nos Estados Unidos, ou a Singapore University of Technology and Design, criada em colaboração com o MIT. Em comum, estes modelos privilegiam aprendizagem baseada em projetos, integração entre áreas científicas e resolução de problemas reais desde os primeiros anos de formação.
“O curso oferece tempo para explorar, experimentar e decidir”, acrescenta o docente. “Uma base sólida em ciências fundamentais, aliada ao pensamento computacional e à exposição a diferentes áreas da engenharia, permite escolhas informadas no terceiro ano”, complementa.
O plano curricular prevê uma base comum em matemática, física, química, biologia, programação e pensamento computacional, complementada por unidades curriculares e projetos multidisciplinares. Entre as soluções propostas estão a articulação entre as ciências básicas, projetos integradores desenvolvidos ao longo do percurso e unidades curriculares dedicadas a Tecnologias de Engenharia Futuras.
Além da dimensão internacional, marcada pelo ensino em inglês e pela abertura a estudantes estrangeiros, o curso é também apresentado como um “espaço de experimentação pedagógica dentro da Escola”. “O objetivo não é abandonar o que funciona, mas complementar com abordagens que comprovadamente preparam melhor os engenheiros para um futuro imprevisível”, sublinha Nuno Nunes.
“Os desafios que a engenharia enfrenta atualmente exigem profissionais com uma visão abrangente e capacidade de integrar diferentes áreas do conhecimento. Esta licenciatura foi desenhada para dar aos estudantes essa base sólida e, ao mesmo tempo, a liberdade para construírem um percurso alinhado com as suas motivações e ambições”, refere Miguel Cacho Teixeira, presidente do Conselho Pedagógico do Técnico. “A forte componente prática e o contacto com problemas reais desde cedo são essenciais para preparar engenheiros mais autónomos, colaborativos e preparados para contextos em constante mudança. É também uma ótima oportunidade para internacionalizar a excelência da engenharia do Técnico e com isso promover um ambiente cada vez mais multicultural, com todas as vantagens que isso tem para todo o campus”, complementa.