Com o passar dos anos, somar-se-ão centenas, mas esta foi a primeira vez que Nicolas Serna atravessou as portas do Pavilhão Central do campus Alameda do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa. O aluno colombiano morava em Braga há quatro anos, mas estes são os primeiros passos na sua jornada académica em Lisboa, inserido na Licenciatura em Engenharia Informática e de Computadores e recebido no segundo dia da Semana de Acolhimento, onde foram também integrados estudantes das Licenciaturas em Matemática Aplicada e Computação e em Engenharia Geral, esta última estreante na oferta letiva da Escola, bem como estudantes de mobilidade internacionais.
“Não estava à espera deste nível de dinâmica”, confessa o aluno sul-americano, olhando em redor, já no interior do Pavilhão da Associação dos Estudantes do Técnico (AEIST), para todas as bancas que enchiam o espaço, apresentando as atividades das dezenas de Núcleos de Estudantes. “Achei que seriam coisas mais simples ou calmas, como um clube de leitura de vez em quando… não motas e comboios”, partilha, impressionado, referindo-se às iniciativas do TLMoto e do ISTrain.
“A nível nacional, o Técnico é das faculdades mais reconhecidas” – quem o diz é uma das guias do seu grupo, Joana Horta, que começa agora o segundo ano da Licenciatura em Matemática Aplicada. No ano anterior, não tivera a oportunidade de frequentar a Semana de Acolhimento e ser acompanhada por um mentor, mas isso não a impediu de querer prestar essa ajuda neste ano. “Quero dar apoio aos novos alunos – felizmente, tinha uma amiga cá no Técnico para isso, no meu caso”, diz, acenando com a cabeça para a outra guia do seu grupo, Rita Ferreiro, uma colega de curso igualmente desejosa de auxiliar os novos estudantes a aclimatarem-se ao seu novo ambiente de estudos.
Na sessão oficial de boas vindas que seria feita aos estudantes dos três cursos na parte da tarde, no Técnico Innovation Center, Rogério Colaço agradeceu aos presentes o facto de terem escolhido o Técnico, parabenizando-os também com uma ovação partilhada por todos. No seu discurso, o presidente do Técnico recordou a história da fundação da Escola – a necessidade de formar pessoas com competências técnicas e científicas para participar no desenvolvimento do país. De 1911 para a atualidade, a principal diferença “é que agora não vos formamos para melhorar o país, mas sim o mundo”. “Sejam muito felizes e divirtam-se neste percurso que vão ter aqui connosco”, apelou, defendendo que estes estudantes “ficarão para sempre ligados ao Técnico”, assim como sucedeu consigo, quando há 40 anos deu as primeiras passadas na Escola, à semelhança dos estudantes para quem falava.
O presidente do Conselho Pedagógico, Miguel Teixeira, concordou na necessidade de parabenizar os presentes na plateia – afinal de contas, “entraram na melhor escola e, portanto, são os melhores alunos e serão os melhores profissionais”, vaticinou. O mesmo critério de qualidade deverão esperar dos docentes do Técnico – “são extremamente simpáticos, extraordinariamente acessíveis e excecionais naquilo que fazem”. “São todos investigadores de nível internacional e também extremamente preocupados em ensinar de uma forma que vocês aprendam bem”, garantiu.
O presidente da AEIST, António Jarmelo, corroborou que “as aulas são fantásticas”, mas também assinalou que, “mais do que as aulas, o que torna o Técnico verdadeiramente único são vocês”, os estudantes. “Há uma infinidade de oportunidades” nos Núcleos de Estudantes e, para aqueles que mesmo assim que não se identificam com os que já existem, “há a possibilidade de criar o vosso próprio”. Enumerou, como exemplo, dois núcleos criados nos últimos meses para embarcações de vela e trabalhar em blockchain e ainda dois novos núcleos que serão criados futuramente, em torno de produtos farmacêuticos e de um clube de jazz.
Falando de Núcleos dedicados à cultura, de volta ao período da manhã e ao Pavilhão da AEIST a ser visitado pelos novos estudantes, entre protótipos de motas e comboios, há também lugar para a música. Helena Mourinha e Iara Pereira afinam acordeão e guitarra respetivamente, trocando acordes de Amanhã de Manhã das Doce entre si. Em representação da Tuna Feminina do Técnico (TFIST), as alunas sublinham o papel positivo que o coletivo teve na sua integração quando chegadas à faculdade. “É a melhor forma de viver o traje e a experiência académica”, garante Iara, que é, na verdade, contrabaixista do conjunto. Helena concorda, explicando que “assim que entr[ou] no Técnico, f[oi] logo procurar a tuna”, seguindo a recomendação de um conhecido. “Acho que foi das melhores decisões que fiz desde que entrei e estou aqui para tentar partilhar o quão incrível isto é”, declara, sorridente.
Ali perto, por detrás de um par de óculos de sol, o GESTiceiro observa quem passa, cofiando a comprida e branca barba postiça que enverga, em conjunto com um manto castanho de capuz pontiagudo. Membro do Grupo de Estratégia, Simulação e Táctica (GEST), o mago, bruxo, feiticeiro e druida (porque se identificou com todos estes termos) partilhou que “divertirmo-nos é tão importante como trabalhar, e jogos de tabuleiro são uma forma de relaxar e passar tempo com pessoas afáveis”. Esforçando-se para não deixar o riso quebrar a voz roufenha que tentava manter para a personagem, o ocultista esclareceu que, entre sessões de jogos do GEST, também pratica magia negra, branca, às riscas e às bolinhas, “em função do dia do mês”.
Mais de um milhar de internacionais, mais de noventa nacionalidades
O segundo dia da Semana de Acolhimento do Técnico também foi dedicado aos estudantes internacionais, a quem o presidente da Escola dedicou algumas palavras, também num Técnico Innovation Center totalmente apinhado. “É maravilhoso ter tantas pessoas simpáticas de tantos pontos do mundo na nossa escola”, apontou, frisando que “é importante que, no decorrer da vossa estadia, aproveitem ao máximo a experiência de cá estar, partilhando impressões com colegas e professores”. Na presença de estudantes oriundos de 91 países diferentes – um recorde –, Rogério Colaço deixou uma confissão, provocando risos: “quando era pequeno, o meu sonho era ser rockstar – isto é o mais próximo que já estive disso”.
Representando a Área de Assuntos Internacionais do Técnico, Joanne Laranjeiro deu também as boas-vindas aos estudantes, anunciando que todos faziam agora parte da comunidade da Escola. “Encorajo-vos a aproveitarem ao máximo esta oportunidade – sejam curiosos, façam perguntas, conheçam pessoas fora do vosso grupo, participem em atividades, explorem o campus…”, intimou.
Oriundo do Brasil, João Hossepian estuda Engenharia Industrial em São Paulo e escolheu o Técnico para um programa de duplo grau. A língua comum é uma vantagem e o Técnico “é uma universidade muito respeitada”, explica. Não tendo a componente de gestão financeira no seu curso no Brasil, ficou agradado com a oferta formativa da Escola nesse campo. Depois de ouvir o discurso do presidente do Técnico, o aluno trocou impressões com Nayoung Koh. “Adoro o ambiente e quero preservá-lo”, conta, entusiasmada, a estudante sul-coreana de Engenharia do Ambiente.
Da mesma área científica que Nayoung, mas de uma área geográfica bem diferente, Myriam Wanzerley cresceu na Amazónia. “Contactei com muitas situações como desflorestação, poluição, contaminação de rios… ver estas transformações todas desde criança fez-me sentir que [uma carreira ligada ao ambientalismo] é a minha missão profissional e pessoal”, partilha a aluna brasileira, que escolheu Engenharia Ambiental para “propor soluções para estes problemas”. “Vejo que a missão desta instituição é muito voltada para procurar soluções – engenharia –, por isso acho ser o lugar perfeito”, afirma.
Amaar Bukhari vive em Portugal há um ano e, depois de concluir uma licenciatura na área da Engenharia Mecânica, o estudante paquistanês ganhou interesse renovado pela indústria aeroespacial. “Os portugueses são amistosos e gentis”, relata, o que fez com que queira cá estudar e, em particular, fazer carreira. Na sua vida profissional, quer “poder retribuir ao país a simpatia que [lhe] deram”. “Gosto de viver aqui – sinto-me em casa”, conclui.
Neste segundo dia estiveram presentes os cursos:
- Licenciatura em Engenharia Informática e de Computadores
- Licenciatura em Matemática Aplicada e Computação
- Licenciatura em Engenharia Geral
- Mestrado em Engenharia Informática e de Computadores
- Mestrado em Matemática Aplicada e Computação
Todas as informações em: Primeiros Passos no Técnico | Guia Estudar no Técnico.
Reportagem do 1.º dia de acolhimento: Todos os caminhos vão dar ao Técnico: Começa a semana de acolhimento aos novos estudantes
Reportagem do 3.º dia de acolhimento: “Entrar na universidade é um passo em frente”: a Semana de Acolhimento chega ao Campus Oeiras do Técnico
Reportagem do 4.º dia de acolhimento: “Semana de Acolhimento no Técnico chega ao fim com novos rostos e um convite a “viver a universidade”
Reportagem sobre o acolhimento dos estudantes do novo curso de Engenharia Geral: Uma nova licenciatura, diferentes caminhos para “construir o seu próprio percurso” no Técnico