Campus e Comunidade

Professor do Técnico coordena projeto para criar estrutura de acesso secundário a dados de saúde

Eduardo Costa, docente do Técnico, coordena o projeto “Mais Dados, Melhor Saúde”.

O projeto “Mais Dados, Melhor Saúde”, coordenado por Eduardo Costa, professor do Técnico, foi apresentado a 12 de dezembro, na Culturgest, em Lisboa. Dezenas de peritos reuniram-se numa iniciativa que serviu a partilha de recomendações para aproveitar melhor os dados de saúde, de forma a avaliar o impacto das políticas públicas e reduzir custos do sistema. 

Eduardo Costa explica que o projeto visa apoiar o desenho e implementação de um modelo de acesso secundário a dados de saúde em Portugal. O objetivo final do projeto passa pela formulação de um documento estratégico e uma apresentação pública de conclusões que permitam a Portugal construir “uma estrutura de acesso secundário a dados de saúde eficaz, segura e alinhada com as prioridades europeias, transformando a atual base digital em conhecimento de valor público”.

O professor do Técnico defende que “Portugal não parte do zero”, tendo em conta que tem já “uma boa base tecnológica”, referindo-se aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), que funciona como uma agência digital para a saúde e que permite o cruzamento de dados dos utentes em diferentes bases de dados. Acrescenta que é necessário colocar “as 39 ULS (Unidades Locais de Saúde) em contacto num único portal”, de forma a facilitar os pedidos de acesso a dados, e reforçou a necessidade de transparência no uso dos dados dos doentes. “É importante garantir que há transparência e segurança nessa utilização”. 

A sessão da manhã foi moderada por Carlos Daniel, jornalista da RTP, tendo contado com a presença e intervenção de Tânia Ramos, Presidente do CEGIST, Mário Martins, Diretor-Geral da IQVIA, e André Vasconcelos, General Manager da Roche. 

Eric Sutherland, Economista de Saúde da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), expôs a sua apresentação “Health Data Today, AI Tomorrow”, onde partilhou o trabalho que está a ser feito na Europa e na OCDE. Diz que “todos os países pensam que estão atrás dos outros”, mas que “as discussões com outros países ajudam a arranjar soluções“. Para Eric, a inteligência artificial é a “big thing” na atualidade e comentou que “temos de saber usar estas ferramentas em conjunto com os dados”. Deixou ainda a curiosidade de que “30% dos dados mundiais são de saúde”. 

Nuno Costa, Vogal Executivo dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS),abordou o tema da Digitalização da Saúde em Portugal. Falou no tema da inteligência artificial como “uma ferramenta que pode auxiliar os profissionais” e ressaltou o trabalho desenvolvido por Portugal, no que diz respeito a plataformas de dados pioneiras, à forma como tratam esses dados e de que forma fazem a comunicação entre si. 

Houve ainda espaço para debate, num painel composto por Francisca Vargas Lopes, Presidente da Associação Portuguesa de Economia da Saúde (APES), Maria de Belém Roseira, Jurista e Ex-Ministra da Saúde, Paulo Gonçalves, Presidente RD-Portugal (União das Associações de Doenças Raras de Portugal), e André Peralta Santos, Subdiretor-Geral da Saúde. O fecho da sessão pertenceu à Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que reforçou a importância do cruzamento da digitalização com os dados e as suas plataformas.