Vítor Cardoso, professor catedrático do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, foi eleito membro da Real Academia Dinamarquesa de Ciências e Letras, pelas suas contribuições para a ciência e pelo impacto do seu trabalho. O docente, especializado em gravitação na área da física, foi um dos 30 novos membros que ingressaram oficialmente na academia, no dia 9 de junho.
Fundada em 1742, a Real Academia Dinamarquesa de Ciências e Letras atua como um espaço de cooperação e encontro para cientistas de destaque de diversas áreas da investigação científica. “É um elogio ter sido nomeado membro. Mas, para alguém que, como eu, chegou há relativamente pouco tempo à comunidade científica dinamarquesa, é algo mais, são boas vindas e um convite a pensar e a ajudar a dirigir o país também”, afirma Vítor Cardoso. Para o docente, esta distinção é a prova de que “o trabalho constante e consistente é reconhecido pela sociedade”.
Entre as principais atividades da Academia, destacam-se a organização de reuniões quinzenais para membros, publicação de trabalhos científicos, a coordenação de eventos e palestras de caráter científico e a cooperação internacional com outras academias e organizações científicas. “A Academia tem grupos de trabalho que produzem visões e documentos de estratégia que são fulcrais para a forma como a comunidade funciona”, explica. Na qualidade de membro, Vítor Cardoso espera “integrar ativamente esses grupos de trabalho”, contribuindo para a sociedade através da melhoria do pode ser aprimorado e da preservação do que funciona bem.
“A Física na Dinamarca é invulgarmente forte, dada a tradição que tem de grandes físicos e cientistas”, refere. Na sua perspetiva, esta nova posição contribuirá para manter a física como “área de vanguarda”. Considerando que a “nova fronteira do conhecimento” se encontra na física do espaço, frisa: “Temos que saber mais, e vamos saber mais, se continuarmos a trabalhar, investir e pensar”.
Ao integrar uma instituição que reuniu nomes como Ørsted, Niels Bohr, Charles Darwin, Marie Skłodowska-Curie e Albert Einstein, Vítor Cardoso considera que “ser parte desta Academia torna-se realmente um privilégio e uma honra”.
Vítor Cardoso é Prémio ULisboa 2023, pelo “seu extraordinário contributo para o desenvolvimento da física teórica e para o progresso da ciência a nível global”. Antes, em 2022, recebeu uma bolsa do European Research Council (ERC) no valor de dois milhões de euros para estudar buracos negros, cerca de um ano depois de ter obtido uma outra bolsa da fundação dinamarquesa Villum Fondon, de 5,3 milhões de euros, para criar e liderar o grupo de investigação que integra, no Niels Bohr Institute. Já em 2025, foi eleito presidente da Sociedade Internacional para a Relatividade Geral e Gravitação.