Zita Martins, vice-presidente do Instituto Superior Técnico para os Assuntos Internacionais, é agora co-presidente do grupo de trabalho sobre Uso Duplo, Defesa e Espaço do CESAER (Conference of European Schools for Advance Engineering Education and Research), associação europeia de universidades especializadas e abrangentes de ciência e tecnologia, composta por 53 membros em 24 países europeus mais Israel. Esta nomeação partiu do Conselho de Administração da organização, e o mandato decorre até 31 de dezembro de 2027.
Zita Martins afirma que a ciência e a tecnologia deixaram de ser apenas motores de progresso e tornaram-se também “instrumentos de soberania, segurança e resiliência”. Considera, por isso, que o grupo de trabalho que integra poderá ter um impacto “muito relevante” ao nível da liderança institucional, não se tratando de projetos individuais, mas da forma “como as universidades pensam estrategicamente o seu papel”.
Neste sentido, destaca três contributos principais para a cultura de investigação: a definição de estratégias institucionais nestas áreas; a partilha de boas práticas, nomeadamente ao nível do acesso a financiamento europeu; e a construção de confiança entre instituições, com a promoção de diálogo.
A co-presidente identifica também desafios: “A tensão entre ciência aberta e segurança, as diferenças culturais e políticas entre países, a necessidade de garantir que a investigação de dupla utilização é feita com responsabilidade e transparência”. Além destes, destaca que o maior desafio poderá ser não perder a identidade enquanto universidades.
“A curto prazo o mais importante é ouvir, este é um grupo exploratório, e isso significa criar uma base sólida de entendimento comum”, defende. Já a longo prazo espera que o trabalho realizado contribua para “algo maior”, promovendo investimento na ciência “não apenas por competitividade, mas por visão estratégica e responsabilidade global”.
“Para mim, é uma oportunidade de ajudar a posicionar as universidades, e em particular o Instituto Superior Técnico, como atores centrais neste novo contexto”, afirmou. Na sua perspetiva, “num contexto europeu cada vez mais complexo”, a Escola pode ser essencial para a construção de pontes. “O Técnico é um local de conhecimento em tecnologias de dupla utilização; um facilitador de diálogo entre ciência, política e sociedade; um exemplo de governança responsável”, sublinhou.
A co-presidente concluiu ainda que a conjuntura atual está a deixar as fronteiras entre civil e defesa “cada vez mais ténues”, o que pode representar uma oportunidade para as universidades afirmarem o seu “valor único”. “Estamos a ajudar a moldar o futuro da ciência na sociedade. E isso, para mim, é o mais importante” afirmou.