Campus e Comunidade

Professores e Investigadores do Técnico abriram laboratórios de Bioengenharia e de Biomédica a estudantes do ensino secundário

Durante a semana, os “Laboratórios Abertos do Departamento de Bioengenharia” promoveram visitas e palestras, no campus Alameda.

Estudantes do ensino secundário tiveram a oportunidade de ver de perto tudo o que é possível fazer dentro de um laboratório. Levantar drones “com o poder da mente” (em realidade virtual), fazer uma ressonância magnética a uma vespa, trabalhar a sequenciação do genoma humano e usar micróbios para transformar resíduos em compostos de alto valor económico, como biocombustíveis, foram algumas das “magias” simplificadas durante a semana de Laboratórios Abertos do Departamento de Bioengenharia (DBE), que decorreu no campus Alameda, do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, entre 20 e 24 de abril.

Através de jogos de realidade virtual, desenvolvidos pelo Evolutionary Systems and Biomedical Engineering Lab (LaSEEB), quem visitou o Técnico compreendia como é que se pode trabalhar a neuroreabilitação de um paciente após um AVC. Daniela Esteves, estudante de doutoramento, demonstrou o trabalho desenvolvido pelo laboratório. “Aqui usamos o eletroencefalograma para medir a atividade elétrica do cérebro, interpretamos os sinais, enviamos um comando para um dispositivo externo, no nosso caso, usamos maioritariamente a realidade virtual pela sua facilidade em ser usada”, explicou. Ao imaginar o movimento repetidamente, o paciente estimula a zona lesada do cérebro e consequentemente estimula o cérebro para que reaprenda o movimento perdido. 

“Uma das vantagens do uso da realidade virtual é que as pessoas ficam imersas e conseguem enganar o cérebro a achar que avatar é o próprio corpo, isso ajuda a que a que ativem melhor o cérebro e torna as coisas mais divertidas”, completou. A investigadora considera ainda que esta é uma forma “direta e útil” de aplicar esta tecnologia, que além de ajudar em casos de AVC, pode ser expandida a outros casos de problemas de mobilidade.

“Sabem quantas células tem no corpo Humano? Cerca de 37 triliões de células. A escala de organismos é absolutamente gigantesca”. Foi com esta constatação que Emanuel Gonçalves, professor do Técnico, introduziu a Bioinformática e Biologia Computacional no Estudo de Sistemas Biológicos a estudantes da Escola Secundária Passos Manuel. A palestra teve como objetivo  explicar as possibilidades desta área que, de acordo com o especialista,  tem “muito futuro”.

“Nunca tínhamos ouvido falar de Engenharia Biológica, achamos muito interessante”, resumiram Natacha, Nicole e Sofia, estudantes do 10.º ano. Nicole afirmou que sonha em ser biomédica e achou curioso que a biomedicina esteja ligada à engenharia. Já César, a frequentar o 12.º ano, afirmou que a “parte cerebral” demonstrada nos laboratórios tinha despertado o interesse para a engenharia biomédica. Por outro lado, Natacha considerou importante a parte social da vida académica, apresentada pelo Núcleo de Engenharia Biológica Instituto Superior Técnico (NEBIST) e pelo Núcleo de Engenharia Biomédica (NBEM).

Bruno Morais, professor de física e química que acompanhava a turma, considera que, na cabeça dos estudantes, há um “campo em branco para preencher” sobre o que são as faculdades, sendo estas visitas uma “oportunidade de ver com mais proximidade e de conversar com estudantes universitários”. Referiu ainda que, na escola secundária onde leciona, é “um hábito aproveitar os dias dos Laboratórios Abertos”.

A explicar o trabalho de um engenheiro biomédico, esteve Rita Nunes, professora e investigadora do Técnico, que falou sobre Imagiologia por ressonância magnética. Sobre a missão de explicar esta área a estudantes do secundário, a docente afirmou que, apesar de ser “um desafio por se tratar de uma técnica complicada”, estas atividades permitem que os estudantes fiquem “com uma ideia mais clara do que é a vida de um cientista”.

Ao longo da semana, os estudantes tiveram ainda a oportunidade de detetar material genético, analisar micróbios pelo microscópio, compreender mais acerca da produção e purificação de um produto biológico, ver uma máquina de ressonância magnética em funcionamento, aprender sobre neuro-reabilitação, entre muitas outras atividades.

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