“Temos fumo branco.” As palavras, lançadas perante uma plateia em expectativa no Técnico Innovation Center powered by Fidelidade, interromperam as conversas e fizeram convergir os olhares para o palco. Depois de uma tarde de apresentações, perguntas e deliberações, chegava o momento de conhecer os projetos distinguidos na 3.ª edição do Simpósio do Projeto Integrador (PIC) de 1.º Ciclo da Licenciatura em Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.
Enquanto o júri ultimava a decisão, os estudantes permaneciam junto dos colegas de equipa, trocando impressões sobre as apresentações e aguardando o anúncio final. Em redor da sala permaneciam os cartazes, protótipos e esquemas desenvolvidos ao longo do semestre, testemunhos dos desafios lançados nas áreas da mobilidade, da sustentabilidade, da energia e do design mecânico.
Entre as 19 propostas apresentadas, o júri distinguiu a “ideia arrojada” do projeto ORBIOS-16, que propôs a “utilização de um CubeSat em órbita terrestre para explorar processos de bioimpressão e maturação de tecidos em ambiente de microgravidade”. A solução destacou-se pela integração de diferentes áreas da engenharia e pela aplicação de conceitos espaciais a um problema associado à produção de órgãos para transplantes.
“Partimos da limitação atual, imposta pela gravidade, na produção de órgãos para transplantes”, começou por apresentar Rúben Duarte, porta-voz do grupo. “O desafio foi pensar, do ponto de vista da engenharia mecânica, uma solução capaz de levar este processo para um ambiente de microgravidade, onde esta bioimpressão é possível, assegurando estabilidade, controlo e viabilidade operacional”.
À semelhança dos restantes grupos, os estudantes tiveram oportunidade de apresentar publicamente as suas soluções perante docentes, familiares, colegas e representantes do setor empresarial.
Foram ainda atribuídas duas menções honrosas aos projetos Formula E-VEE, que apostou na eletrificação de um automóvel Formula Vee, procurando preservar a simplicidade e o caráter acessível desta categoria de competição automóvel; e H2 Moto: Hydrogen Retrofit, um kit de conversão bicombustível para motociclos, concebido para reduzir as emissões de dióxido de carbono na mobilidade urbana. Os prémios foram atribuídos com o apoio do grupo Jerónimo Martins, parceiro da Rede de Parceiros do Técnico.
“Trabalharam em equipa como engenheiros”, afirmou Rogério Colaço, presidente do Técnico, sublinhando a dinâmica de trabalho das equipas e a forma como se organizaram ao longo do desenvolvimento dos projetos. “A engenharia constrói-se nesta capacidade de juntar conhecimento, método e trabalho coletivo para responder a problemas complexos. É esta vivência que queremos continuar a promover no Técnico”, frisou.
Na sessão de encerramento, Pedro Amaral, Vice-Presidente para a Interface Empresarial, Inovação e Empreendedorismo do Técnico, dirigindo-se aos estudantes, destacou a “maturidade” das propostas, apelando a uma “enorme salva de palmas a todos os envolvidos”. “O que hoje foi apresentado deixa-nos confiantes no futuro: temos estudantes preparados para enfrentar problemas complexos com conhecimento, criatividade e ambição”, afirmou, considerando “tremendo” o resultado alcançado pelas equipas.
Listagem de todos os grupos que participaram no simpósio, por ordem de apresentação:
- Grupo 1 – Fitiipaldi: Formula VeEvo
- Grupo 2 – The Future Bus
- Grupo 3 – Bikinetic
- Grupo 4 – TerraData
- Grupo 5 – MoPoS: Mobile Power Station
- Grupo 6 – SEREIA: Sistema Elétrico Retrofit Inteligente para Areias
- Grupo 7 – LUME: Linha Urbana de Mobilidade Elétrica
- Grupo 8 – MONICA: Módulo para Navegação, Intervenção e Captura Autónoma
- Grupo 9 – STRIVE
- Grupo 11 – Sistema de Aquecimento do Ar Ambiente
- Grupo 12 – Fórmula E-VEE Niki Lauda
- Grupo 13 – Solar-Powered Efficiency Vehicle
- Grupo 14 – Modular Drone End-Effector for Reforestation
- Grupo 15 – BLUE TEJO Project
- Grupo 16 – MULE UGV
- Grupo 17 – H2 moto: Hydrogen Retrofit
- Grupo 18 – CoLina: Comboio Ligeiro para o Norte e Alto Douro
- Grupo 19 – ORBIOS-16