Da reconstrução do ouvido interno de dinossauros ao desenvolvimento de novos materiais para a construção sustentável, são quatro os novos projetos financiados pelas Marie Skłodowska-Curie Actions a desenvolver no Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, através das suas Unidades de Investigação associadas. As bolsas são atribuídas no âmbito do programa europeu de apoio à mobilidade e desenvolvimento de carreira de investigadores.
Na área da evolução biológica, Filippo Bertozzo, pós-doutorando vindo de Bruxelas, irá desenvolver investigação no Centro de Recursos Naturais e Ambiente (CERENA), integrando o laboratório de paleontologia liderado por Ricardo Araújo, docente do Técnico. O projeto propõe a reconstrução digital do ouvido interno de espécies extintas, como dinossauros e pterossauros, e a sua comparação com espécies atuais, permitindo aprofundar o conhecimento sobre a evolução do metabolismo animal e a relação entre estrutura anatómica e funcionamento fisiológico. Este trabalho integra uma das linhas de investigação financiadas por uma bolsa do Conselho Europeu de Investigação (ERC) atribuída ao investigador.
Também no CERENA, Rosana Pinto, doutorada pelo Técnico, procura desenvolver o seu projeto focado na utilização de estruturas metal-orgânicas (MOFs) para o armazenamento e libertação controlada de gases terapêuticos, como o óxido nítrico e o monóxido de carbono. O trabalho será realizado no laboratório de Ana Clara Marques, também docente e investigadora do Técnico, e procura explorar aplicações biomédicas destes gases, conhecidos pelos seus efeitos anti-bacterianos e anti-cancerígenos quando utilizados em doses controladas.
No domínio da engenharia civil, o projeto RECO2-CONC, será desenvolvido no Instituto de Investigação e Inovação em Engenharia Civil para a Sustentabilidade (CERIS), por Dianchao Wang, sob a supervisão de Jorge de Brito, docente do Técnico. A investigação propõe o desenvolvimento de betão com agregados reciclados totalmente carbonatados, abordando os desafios associados à qualidade destes materiais e ao seu desempenho em novas construções. O objetivo passa por reduzir a utilização de matérias-primas naturais e as emissões de dióxido de carbono associadas ao setor da construção, contribuindo para soluções alinhadas com os princípios da economia circular.
A quarta bolsa Marie-Curie é atribuída ao projeto SPORA, na área da medicina regenerativa, a desenvolver no Instituto de Bioengenharia e Biociências (iBB) por Diego Trucco, investigador proveniente de Itália, sob a orientação de Frederico Ferreira, docente do Técnico. A investigação, a desenvolver ao longo dos próximos dois anos, centra-se no desenvolvimento de materiais inteligentes para ‘terapias inovadoras’ aplicadas à osteoartrose, uma doença que afeta as articulações e cuja resposta clínica atual é limitada. O projeto propõe a criação de sistemas capazes de responder a estímulos externos, como sinais elétricos ou magnéticos, permitindo controlar a libertação de compostos relevantes para a regeneração de tecido danificado.
Incentivando a produção de conhecimento científico e a sua aplicação em desafios societais e industriais, cada uma das bolsas atribuídas aos projetos de investigação desenvolvidos no Técnico tem um financiamento de cerca de 200 mil euros. No total, Portugal garantiu apoio para 38 projetos na edição de 2025, num concurso que registou mais de 17 mil candidaturas às bolsas de pós-doutoramento Marie Skłodowska-Curie.