Catarina Botelho, Catarina Pinto, Inês Cardoso e Rui Infante são os quatro estudantes do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa distinguidos no Prémio ULisboa – redeSAÚDE 2025, que realça os melhores trabalhos de doutoramento e de mestrado realizados na ULisboa ligados à temática da saúde. Na cerimónia, que decorreu no âmbito da 9.ª Conferência Anual da redeSAÚDE, no dia 26 de novembro, sob o tema “People and Planet: How the Environment Shapes Human Health”, estiveram em destaque os trabalhos de Inês Cardoso (mestrado) e Catarina Pinto (doutoramento), na área de Oncologia/Medicina de Precisão, e de Rui Infante (mestrado) e Catarina Botelho (doutoramento) na área de Sistemas de Saúde/Empreendedorismo/Transição Digital.
Com o projeto de tese de mestrado “Design and manufacturing of a microfluidic system towards evaluating the interaction between gut microbiota and colorectal cancer cells”, Inês Cardoso, estudante de mestrado em Engenharia Biomédica, diz que o prémio “representa um reconhecimento muito importante, não só do trabalho desenvolvido no âmbito desta tese, mas também do esforço e dedicação ao longo de todo o percurso académico”, além de validar “a relevância científica do projeto, bem como o potencial da tecnologia microfluídica na investigação em oncologia e medicina de precisão”.
O projeto incidiu no desenvolvimento de um potencial modelo microfluídico de cancro colorretal, conhecido como “colorectal cancer-on-a-chip”. “Este modelo permitiria estudar de forma controlada a interação entre células de cancro colorretal e a microbiota intestinal, reconhecida como um fator relevante na progressão desta patologia”, explica.
Catarina Pinto, estudante de doutoramento em Engenharia Biomédica, com a sua tese de doutoramento “Biological evaluation of copper-64 chloride as a promising tool for cancer theranostic” diz que “é muito gratificante perceber que o [seu] trabalho pode contribuir para novas estratégias de diagnóstico e tratamento do cancro”.
A investigação focou-se no cloreto de cobre-64, um isótopo radioativo de um metal essencial às células humanas e utilizado em maior quantidade pelas células tumorais. A investigadora avaliou o seu potencial enquanto ferramenta capaz de conjugar diagnóstico por imagem (através de tomografia PET) com capacidade terapêutica, destruindo células cancerígenas graças à radiação emitida.
“O cobre é um elemento fundamental para o metabolismo celular, mas os tumores absorvem-no de forma muito mais intensa. Essa diferença pode ser explorada para criar novos radiofármacos mais eficazes e selectivos”, explica.
A investigação recorreu ainda a modelos tridimensionais de cultura celular, que imitam de forma mais realista o comportamento dos tumores humanos, o que permitiu estudar com maior precisão os mecanismos de ação do cobre-64.
Premiado com a tese de mestrado “Enhancing Argumentative Delphi processes with Dialogue Mapping: Setting discharge criteria for Day Hospital patients with Follicular Lymphoma”, Rui Infante, estudante do mestrado em Engenharia Biomédica, considera a distinção “uma validação do esforço colaborativo entre investigadores e profissionais de saúde, e um incentivo claro para continuar a desenvolver métodos que tornem a tomada de decisão clínica mais transparente, participativa e baseada em evidência, sem perder de vista a realidade dos contextos clínicos locais e o bem-estar dos doentes”.
A investigação que realizou cruzou abordagens Colaborativas, saúde e Inteligência Artificial (IA)e é fruto de uma colaboração entre o Centro de Estudos de Gestão do Instituto Superior Técnico (CEGIST) e o Serviço de Hematologia e Transplantação de Medula da Unidade Local de Saúde de Santa Maria. O estudo incide na aplicação de uma nova metodologia para auxiliar o Serviço de Hematologia a criar critérios de alta para doentes com o diagnóstico de Linfoma Folicular. “Após um longo processo, que envolveu uma análise extensiva de dados qualitativos pela equipa de investigação, foi possível construir, com sucesso, um conjunto consensual de critérios que se encontram em vigor no Serviço de Hematologia desde novembro de 2024”, conta.
Catarina Botelho, estudante de doutoramento em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, viu a sua tese de doutoramento “Speech as Biomarker for Multidisease Screening” receber o prémio, representando “uma validação muito importante do [seu] trabalho por parte da comunidade da área da saúde, especialmente num contexto multidisciplinar”.
Com uma investigação centrada na “utilização da fala como biomarcador para a deteção de diferentes doenças”, em particular do Alzheimer, explorou uma abordagem que “consiste na utilização de modelos de linguagem de grande escala (LLMs) para anotar dimensões interpretáveis do discurso, como a coerência ou a diversidade lexical”. Desse modo, doenças que afetam qualquer um dos sistemas envolvidos na produção da fala deixam pistas específicas na voz, que podem ser analisadas para apoiar o diagnóstico médico. Métodos automáticos baseados na análise da fala podem “apoiar o diagnóstico precoce de doenças neurológicas, de forma não invasiva e acessível”, explica.
O Prémio é atribuído anualmente, com um valor pecuniário de 1000 euros para o melhor trabalho de doutoramento e de 250 euros para o melhor trabalho de mestrado, com o objetivo de estimular o interesse dos estudantes da Universidade de Lisboa nas temáticas da saúde, de incentivar a investigação de novas abordagens e soluções para o desenvolvimento do setor, incentivar a divulgação de estudos e trabalhos que, pelas suas características, possam servir de referência na promoção de boas práticas ou apoiar políticas públicas na área da saúde e ainda, de fomentar o intercâmbio de saberes e fazeres entre o setor da saúde e o da ciência e tecnologia.