Campus e Comunidade

Técnico abriu as portas da investigação a estudantes universitários na 1.ª edição dos Estágios de Verão do DECN

Durante duas semanas, dez estudantes do 1.º ciclo do Técnico e de outras instituições de Ensino Superior integraram equipas de investigação do Departamento de Engenharia e Ciências Nucleares (DECN), acompanhando de perto o trabalho desenvolvido no Campus Loures.

Vestir uma bata, entrar num laboratório e participar em projetos científicos reais foi a experiência proporcionada aos dez participantes da 1.ª edição dos Estágios de Verão do Departamento de Engenharia e Ciências Nucleares (DECN), que decorreu entre 6 e 17 de julho, no Campus Loures do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.

Os participantes desenvolveram atividades experimentais em áreas como a síntese de materiais moleculares, energia, património cultural, geociências, aplicações das radiações na saúde, reações nucleares, simulação de repositórios de resíduos radioativos e desenvolvimento de ligas de alta entropia para aplicações energéticas. Para muitos, esta foi a “primeira oportunidade de conhecer de perto” o funcionamento de um laboratório de investigação e o quotidiano de quem faz ciência.

Francisco Valente, estudante do 3.º ano da Licenciatura em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores do Técnico, admite que iniciou o estágio “com poucas expectativas, por não saber exatamente em que projeto iria trabalhar”. No final, considera que a experiência lhe permitiu “aprender muito sobre química estrutural, uma área fora do meu curso”, classificando-a como “uma experiência enriquecedora, num ambiente bastante acolhedor”.

A iniciativa arrancou com uma sessão de boas-vindas conduzida por Marta Almeida, vice-presidente do Técnico para a gestão do Campus Loures e investigadora do DECN e do Centro de Ciências e Tecnologias Nucleares (C2TN), que apresentou as infraestruturas científicas e as principais valências do campus. Seguiu-se a intervenção de Katharina Lorenz, presidente do DECN, diretora-adjunta para o Laboratório de Aceleradores e investigadora do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Microssistemas e Nanotecnologias (INESC-MN) e do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) que deu a conhecer o Departamento, as suas linhas de investigação e a oferta formativa nas áreas da engenharia e das ciências nucleares. Os estudantes tiveram ainda oportunidade de conhecer os investigadores responsáveis pela orientação dos diferentes estágios.

Além da componente laboratorial, o programa incluiu visitas aos laboratórios, momentos de convívio entre estudantes e investigadores e uma sessão interativa em formato Kahoot!, que permitiu consolidar os conhecimentos adquiridos. Os participantes assistiram ainda ao seminário “Teranóstica com Radiofármacos: o casamento perfeito entre terapia e diagnóstico”, dinamizado por Célia Fernandes, investigadora do DECN e do C2TN, sobre o potencial dos radiofármacos na conjugação entre diagnóstico e terapêutica em medicina nuclear.

Marta Dias, investigadora do DECN e do IPFN, considera que “este primeiro contacto dos estudantes com a investigação permite alargar horizontes, despertando novas ideias, conceitos e competências que podem contribuir para o crescimento da ciência em Portugal”. E acrescenta: “Quem sabe se um destes estudantes não será o próximo Prémio Nobel?”.

O programa culminou com a apresentação pública dos trabalhos desenvolvidos por cada estudante, seguida da entrega dos certificados de participação.

Maria Eugénia Naudin, estudante do 3.º ano da Licenciatura em Engenharia de Materiais do Técnico, afirma que o estágio lhe permitiu “descobrir uma aplicação da Engenharia de Materiais que desconhecia: a arqueometalurgia”. Ao longo desta experiência, aplicou conhecimentos em novos contextos, contactou com técnicas e equipamentos que nunca tinha utilizado e percebeu “que é possível conciliar o meu interesse pela História com o percurso que pretende seguir”. A estudante acrescenta que o estágio confirmou o gosto por  “trabalhar em ambiente de laboratório e de investigação”.

No final, Katharina Lorenz manifestou o desejo de que  “esta experiência tenha despertado nos estudantes curiosidade e entusiasmo pelas ciências e tecnologias nucleares”, sublinhando que o programa constitui “uma forma essencial de aproximar as novas gerações da investigação e de dar a conhecer o trabalho desenvolvido no Departamento”.