pinMode(banana0, INPUT_PULLUP);
int reading0= analogRead(banana0);
Uma letra maiúscula trocada. Um ponto e vírgula em falta. Basta um pequeno erro para o código deixar de funcionar.
À volta de uma mesa, um grupo de estudantes do 3.º ciclo observa atentamente o ecrã do computador, enquanto outro liga fios a quatro bananas alinhadas sobre a bancada. “Agora experimentem tocar”, desafia um dos monitores. Instantes depois, começam a ouvir-se as primeiras notas. “Dó”, “Ré”, “Mi” e “Fá” ecoam pela sala à medida que as bananas, ligadas a uma placa Arduino, se transformam num piano improvisado.
“Nunca pensei que fosse possível fazer música com bananas”, comenta Guilherme, de 16 anos, durante a atividade dinamizada pelo Núcleo de Estudantes de Electrotecnia e Computadores (NEECIST) do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa. Ao fim de algumas tentativas, um dos grupos consegue tocar “Parabéns a Você”, arrancando aplausos espontâneos dos colegas.
Entre 6 e 10 de julho, depois de uma primeira semana dedicada a estudantes do Ensino Secundário, o Técnico voltou a receber jovens do 3.º ciclo do Ensino Básico no âmbito do programa Verão na ULisboa. Durante cinco dias, os Núcleos de Estudantes da Escola abriram laboratórios, salas de aula e oficinas para dar a conhecer diferentes áreas da engenharia através de atividades práticas, nas quais, como resumiu Salvador Veloso, estudante de Engenharia Biomédica do Técnico e mentor de um dos grupos, “aprender significa, acima de tudo, experimentar”.
Ideias improváveis também podem subir a palco
As paredes, outrora brancas, enchem-se de esquemas, modelos de negócio e desenhos feitos à pressa com marcadores de filtro. No desafio “Unicórnio por um Dia”, promovido pela Junitec – Júnior Empresas do Técnico, a criatividade vale tanto como a capacidade de convencer quem está do outro lado.
Cada equipa tinha uma missão: “criar duas startups, uma credível e outra assumidamente improvável”. Em pouco mais de uma hora surgiram aplicações de organização pessoal com inteligência artificial, plataformas de ensino, cabines silenciosas para instalar na via pública e até uma solução para limpar terrenos recorrendo a bodes (que acabaria por se revelar uma das propostas vencedoras).
Mais do que encontrar a “ideia perfeita”, o objetivo passava por aprender a defendê-la, comunicar em público e perceber que falhar faz parte do processo de inovar. “Foi muito divertido porque tivemos de pensar em soluções para problemas reais, mas também de as apresentar de forma convincente”, resume Duarte, de 15 anos, no final da apresentação da sua equipa. Inscrito inicialmente por incentivo dos pais, admite agora “ver a experiência com outros olhos”. “Não sabia bem ao que vinha, mas acabei por gostar muito da experiência de conhecer o Técnico”.
Batas, lupas e reações inesperadas
Nos laboratórios do Núcleo de Engenharia Química do Técnico (NEQIST), a primeira regra é simples: vestir a bata, colocar os óculos de proteção e seguir cuidadosamente o protocolo experimental. “Deitem 2,5 mililitros de uma solução aquosa saturada de iodeto de potássio”, indica Beatriz Cunha, monitora da atividade do núcleo. Terminado o procedimento, todas as atenções convergem para o balão de Erlenmeyer.
Em poucos segundos, uma espuma espessa começa a subir pelo recipiente e rapidamente transborda para a bancada. A experiência, conhecida como “pasta de dentes de elefante”, demonstra a decomposição do peróxido de hidrogénio (popularmente conhecido como água oxigenada). “O iodeto de potássio atua como catalisador da reação, que liberta oxigénio e calor, enquanto o detergente retém o gás, formando esta espuma”, explica Beatriz Cunha, enquanto as expressões de surpresa se multiplicam à sua volta.
A ‘surpresa’, porém, não se fica pela reação química. Para muitos, a semana é também uma primeira aproximação ao ambiente universitário e à forma como se aprende, experimenta e trabalha em ciência e engenharia. “Fiquei surpreendida com a quantidade de projetos e núcleos de estudantes que existem”, afirma Rafaela, aluna do 9.º ano, para quem a iniciativa foi uma “oportunidade para explorar cursos que antes nem conhecia”.
Mais adiante, noutra bancada, a curiosidade muda apenas de escala. “Não são microscópios”, corrige Bárbara Paulo, também mentora da atividade e estudante de Engenharia Química do Técnico. “São lupas estereoscópicas”. Um a um, os participantes observam cristais produzidos em laboratório e descobrem que “diferentes compostos apresentam estruturas próprias”, invisíveis a olho nu. Entre perguntas, aproximações às lentes e comparações entre amostras, a química revela-se através da observação direta.
Para Afonso, de 15 anos, a experiência no Técnico não era totalmente nova. No ano anterior, tinha participado em atividades no campus Oeiras do Técnico e quis “repetir a experiência”. Prestes a ingressar no 10.º ano, na área de Ciências e Tecnologias, conta que o interesse pela engenharia “sempre esteve presente”, embora continue à procura da “área que mais o entusiasma”. “Tenho muita curiosidade por Engenharia Mecânica, mas esta semana mostrou-me outras possibilidades”, afirma.
O percurso inverso foi feito por Gonçalo, de 12 anos. Com o hábito de visitar várias universidades para perceber “do que mais gosta”, encontrou nas atividades do campus Oeiras do Técnico uma das “maiores surpresas da semana”. Através da criação de um jogo, descobriu “uma vertente da programação que até então desconhecia”, aprendendo a construir cenários, controlar personagens e ultrapassar diferentes desafios.