Da sustentabilidade urbana à preparação de candidaturas ao Conselho Europeu de Investigação (ERC), passando pela inovação, pela transferência de conhecimento e pela internacionalização da investigação, o Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, acolheu, entre 14 e 16 de julho, a Unite! Widening Summer School – Innovation & Training Days. Organizada pela Universidade de Lisboa, no âmbito do projeto Unite! Widening, a iniciativa juntou estudantes de doutoramento, investigadores em início de carreira e profissionais de apoio das universidades parceiras da Aliança Unite! para três dias de formação, partilha de experiências e desenvolvimento de competências no ecossistema europeu de investigação e inovação.
A sustentabilidade urbana marcou o arranque do programa científico pela voz de Paulo Ferrão, professor do Técnico e investigador do Centro de Estudos em Inovação, Tecnologia e Políticas de Desenvolvimento (IN+). Com exemplos como a eficiência energética dos edifícios, as comunidades de energia e os digital twins, o investigador destacou o papel da integração de dados e da colaboração entre setores na transição para cidades climaticamente neutras. “A neutralidade carbónica não será alcançada por soluções isoladas”, começou por recordar. “Precisamos de ligar energia, mobilidade, edifícios e políticas públicas para construir cidades verdadeiramente inteligentes e resilientes”.
A reflexão sobre o impacto da investigação na sociedade prosseguiu com Joana Mendonça, vice-presidente do Técnico para o Campus Oeiras. A partir da distinção entre invenção e inovação, desafiou os estudantes de doutoramento a pensar no percurso que transforma uma descoberta científica numa solução capaz de gerar valor. “A inovação acontece quando conseguimos mudar a forma como as pessoas se relacionam com uma ideia. É isso que transforma conhecimento em valor”, resumiu.
Por sua vez, o percurso de investigadores em início de carreira esteve no centro da sessão conduzida por Marco Piccardo, docente do Técnico e investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Microsistemas e Nanotecnologias (INESC-MN). Partindo da experiência que o levou à obtenção de uma bolsa ERC Starting Grant, explicou que uma candidatura competitiva se constrói “muito antes da escrita da proposta”. “É um percurso que exige visão, preparação e uma ideia verdadeiramente transformadora”, sublinhou, destacando a importância do planeamento, da interdisciplinaridade e da construção de uma trajetória científica consistente.
“Um espaço onde investigadores, estudantes e profissionais aprendessem em conjunto e encontrassem novas formas de colaborar”
“A qualidade das sessões e a abertura para discutir desafios comuns tornaram esta experiência verdadeiramente inspiradora”, comentou Magdalena Grzegorzewska-Gryglewicz, participante da Universidade de Ciência e Tecnologia de Wrocław, na Polónia. “Levo comigo novas perspetivas e contactos para futuras colaborações”, acrescentou, referindo esta oportunidade como uma das “principais razões que a motivaram a participar”.
A dimensão internacional da investigação esteve também presente nas atividades dirigidas aos profissionais de apoio e administrativos. Rui Mendes, diretor da Área de Assuntos Internacionais do Técnico, conduziu uma sessão dedicada aos instrumentos europeus de “reforço do Espaço Europeu da Investigação”, incentivando a reflexão sobre o papel estratégico da internacionalização na criação de parcerias e projetos colaborativos entre universidades.
A componente prática da formação permitiu aos participantes desenvolver e avaliar propostas para diferentes programas europeus de financiamento. “Para quem trabalha nos bastidores da investigação, esta formação mostrou como o conhecimento técnico e a colaboração internacional são essenciais para transformar boas ideias em projetos europeus bem-sucedidos”, destacou Sandra Ponce, gestora de projetos do Centro de Engenharia e Tecnologia Naval e Oceânica (CENTEC).
Distribuída por diferentes espaços da Universidade de Lisboa, a Summer School integrou três ações de formação dirigidas a estudantes de doutoramento, investigadores em início de carreira e profissionais de apoio, além de quatro workshops dedicados aos ecossistemas de investigação e inovação, à saúde digital e à sustentabilidade urbana.
Para Fátima Montemor, professora do Técnico e coordenadora do projeto Unite! Widening, a diversidade de formatos e públicos traduziu o “verdadeiro espírito da iniciativa”. “Queríamos criar um espaço onde investigadores, estudantes e profissionais aprendessem em conjunto e encontrassem novas formas de colaborar”, afirmou. “O fortalecimento destas redes é um dos maiores contributos que esta iniciativa pode deixar às universidades parceiras”.