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Técnico acolheu debate sobre a transição “entre o aprender abstrato e o aprender fazendo”

Local Event on Education (LEoE) reuniu estudantes, docentes e representantes da indústria para discutir sobre inteligência artificial, soft skills e desafios da preparação para o mercado de trabalho.

Estudantes, docentes e representantes da indústria reuniram-se para refletir sobre a discrepância entre a preparação proporcionada pelo ensino superior e a realidade do mercado de trabalho, em mais uma edição do LEoE (Local Event on Education), evento organizado pelo BEST Lisboa, grupo local do BEST – Board of European Students of Technology , que decorreu no dia 11 de maio, no Técnico Innovation Center powered by Fidelidade.

O programa contou com um painel de debate composto por Maria Ribeiro Soares, fundadora e CEO da Immersiv Studios, Miguel Cacho Teixeira, presidente do Conselho Pedagógico do Instituto Superior Técnico, Fernando Almeida Santos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros, e Pedro Neto Monteiro, representante da Federação Académica de Lisboa e antigo presidente da Associação de estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST). Em discussão estiveram temas como a inteligência artificial no ensino, o desenvolvimento de soft skills e a aproximação do ensino superior ao mercado de trabalho.

Pedro Neto Monteiro defendeu que o Técnico apresenta uma “boa capacidade para preparar os estudantes para o mercado de trabalho”, destacando a existência de percursos complementares. O representante da Federação Académica de Lisboa defendeu ainda que as instituições de ensino superior beneficiam de uma maior aproximação ao contexto profissional. “O Técnico está bastante bem adaptado, mas não é uma realidade em todas as instituições”, referiu. Na mesma linha, Miguel Cacho Teixeira reforçou que o Técnico está a fazer uma transição “entre o aprender abstrato e o aprender fazendo”, considerando que as parcerias entre empresas e os projetos universitários desenvolvidos na instituição fazem “toda a diferença”.

A adaptação do ensino ao crescimento da inteligência artificial e à transição digital esteve também em debate. Considerando que a IA deve ser utilizada na engenharia como ferramenta, Fernando Almeida Santos reconheceu que esta pode melhorar o trabalho dos engenheiros, ao mesmo tempo que são necessários engenheiros para “melhorar” a própria tecnologia. “O engenheiro sobrepõe-se sempre à IA”, reforçou. Concluiu ainda que é necessário investir mais na área digital nos cursos de engenharia, de forma a aumentar a “atratividade” destas formações.

Para Miguel Cacho Teixeira, a integração da inteligência artificial não constitui o verdadeiro “desafio”, mas sim a necessidade de “redefinir” as “profissões do futuro”. O docente salientou ainda que a “capacidade de projetar, resolver problemas e assumir responsabilidades” continua a ser humana.

O papel das instituições académicas no desenvolvimento de soft skills e competências ligadas ao empreendedorismo foi outro dos temas em discussão. Maria Ribeiro Soares acredita que a “solução” para desenvolver competências valorizadas no mercado de trabalho, como a comunicação, não deve surgir de um “impingir” de mais unidades curriculares. Em concordância com os restantes membros do painel, a representante da indústria considerou que estas competências podem ser desenvolvidas através de atividades extracurriculares, defendendo que existe na Escola “espaço” para isso. Além disso, salientou como positiva a promoção de iniciativas de empreendedorismo fora do currículo formal, sem que esta componente seja “forçada”.

Vicente Gomes, estudante do quinto ano de Engenharia Informática e de Computadores, considera necessário “expandir os horizontes” para além do estudo, sublinhando a importância de perceber o que “diferencia” os estudantes no olhar das empresas para além das notas. “Acho que eventos deste tipo, onde há troca de ideias e interação e onde aprendemos como vender o nosso valor, ajudam bastante e são importantes para desenvolver esse tipo de habilidades (soft skills)”, afirmou.

Beatriz Morais, estudante do último ano do mestrado em Engenharia Biomédica, considerou “fulcral” o debate sobre a integração na indústria e o “gap” entre as expectativas das empresas e as competências adquiridas pelos estudantes. Para a estudante, os oradores ajudaram a compreender “que conjunto de atributos” são necessários para integrar uma equipa. Tendo participado em diferentes projetos e integrado a AEIST , acredita que existe “facilidade” de integração nos núcleos existentes no Técnico. “Acho que é uma das componentes que o Técnico tem e que o distingue de outras faculdades, porque nos dá estas soft skills. Não está diretamente no nosso currículo académico, mas é algo que o Técnico indiretamente nos oferece, também pelo apoio dado aos núcleos”, referiu.

“Na edição passada falámos sobre o impacto das LLMs, quando houve o boom, e este ano decidimos abordar este tema porque o consideramos bastante relevante”, explicou David Rodrigues, estudante de mestrado em Engenharia Biomédica e “Main organizer” do BEST Lisboa. Segundo o responsável, o “ponto fulcral” da discussão passa por “melhorar o sistema educativo” para que os estudantes “saiam mais preparados” para o mercado de trabalho. “As conclusões do debate serão enviadas em documento para o Conselho Pedagógico do Técnico, para conseguirmos implementar o que foi discutido”, concluiu.

O programa contou ainda com um momento de networking entre empresas e participantes e terminou com a intervenção de João Moita, Alumnus do  Técnico e CEO da Product Circle, no âmbito da celebração do aniversário do BEST Lisboa.

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