O Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, lançou em julho a formação “Ensinar com IA@Técnico”, um programa integrado de formação desenvolvido pelo Conselho Pedagógico (CP) e pelo Núcleo de Desenvolvimento Académico (NDA) destinado a apoiar os docentes na adaptação das suas metodologias de ensino ao uso de inteligência artificial (IA).
A iniciativa pretende explorar diferentes formas de integrar a IA no contexto pedagógico, nomeadamente no apoio ao processo de aprendizagem dos estudantes (através do desenvolvimento de tutores virtuais), na melhoria da qualidade dos materiais pedagógicos e aumentando a eficiência no processo de avaliação (correção, análise de resultados e feedback mais detalhado e útil para os estudantes).
Durante uma das sessões de formação, o quadro eletrónico está preenchido por uma imagem onde se leem as instruções para a preparação de uma sandes de manteiga de amendoim e compota, com a peculiaridade de estarem dirigidas a um alienígena pouco familiarizado com o ambiente humano. É um exemplo insólito, porém eficaz, das funcionalidades pedagógicas e didáticas do NotebookLM, demonstrando a capacidade deste modelo de linguagem em resumir e apresentar informação de forma sucinta e clara. A par disto, o NotebookLM cria questionários, compila informação, gera apresentações de diapositivos e simula conversas em formato de podcast discutindo o tema em apreço, oferecendo abordagens a um mesmo assunto a partir de vários ângulos.
Outras sessões incluídas no programa abordaram a criação de ‘tutores virtuais’ com a capacidade de esclarecer dúvidas pontuais dos estudantes em tempo real durante uma sessão de estudo, caso não o consigam fazer junto do professor e ainda o processo de avaliação recorrendo ao Gradescope, um software a que os professores do Técnico têm acesso que permite a digitalização do processo de classificação de trabalhos, testes e exames, facilitando aos docentes a realização destes processos burocráticos.
“O grande foco é melhorar a produtividade – não no sentido de fazermos mais coisas, mas, pelo contrário, abrandarmos um pouco e focarmo-nos naquilo que realmente importa no ensino, melhorando até a saúde mental dos docentes”, explica Sérgio Pequito. O professor do Técnico agraciado com o Prémio José Tribolet para a inovação digital no ensino de 2024/2025 transmite agora conhecimentos que adquiriu ao longo da carreira docente e em particular no estrangeiro, em Uppsala (Suécia), em formações sobre as potencialidades pedagógicas destas ferramentas.
O formador relembra que “o conhecimento está a aumentar a uma velocidade grande e antes não tínhamos um acesso tão fácil a ele. Estas ferramentas permitem esse acesso; são como ter uma grande biblioteca, mas é preciso saber como começar a procurar”. Estes processos, sublinha, são “um instrumento como outro qualquer”, apenas com verdadeiro uso se se souber utilizá-los corretamente.
O programa culminará numa sessão pública de apresentação dos conteúdos desenvolvidos pelos docentes ao longo das sessões de formação, agendada para o início de setembro, com os materiais que serão já aplicados no ano letivo de 2026/27. “É uma mostra pública” para que os resultados conseguidos pelos professores recorrendo a estas ferramentas “cheguem a mais colegas, para que estes vejam a sua utilidade nas respetivas áreas”, explica Sérgio Pequito.
A formação inclui ainda um curso online na plataforma Partners/openedX do Técnico, onde todos os professores e investigadores poderão aceder aos conteúdos de forma assíncrona, ampliando o impacto e a acessibilidade da iniciativa.