Campus e Comunidade

Técnico assinala lançamento da nova incubadora da Agência Espacial Europeia em Portugal

Lançamento oficial da ESA BIC Tagus teve lugar no Campus Oeiras.

A nova incubadora da Agência Espacial Europeia (ESA) em Portugal,  ESA BIC Tagus, foi oficialmente lançada, no campus de Oeiras do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, no dia 26 de maio. O evento reuniu investigadores, estudantes, empreendedores, startups e especialistas internacionais para debater o futuro da economia do espaço e o papel das novas gerações na construção desse futuro. Sob o mote “Space Tech Entrepreneurship in the Artemis Generation 2026–2040”, o evento marcou o arranque de uma infraestrutura estratégica dedicada ao apoio de projetos empresariais de base espacial. 

“O Técnico quer estar no centro dessa transformação, formando talento, apoiando novas empresas e reforçando a presença de Portugal nas cadeias de valor europeias e internacionais do setor espacial”, afirmou Rogério Colaço, presidente do Técnico. Reforçando o papel da ESA BIC Tagus na transformação de conhecimento científico e tecnológico em soluções concretas para a sociedade, o presidente sublinhou que o espaço “deixou há muito de ser apenas um território de exploração científica”, assumindo-se hoje como “uma nova fronteira económica, tecnológica e estratégica”. 

A ESA BIC Tagus , coordenada pelo Instituto Superior Técnico através do Técnico Venture Lab, em parceria com outras instituições, integra a rede europeia de incubadoras da ESA dedicada ao desenvolvimento de startups e tecnologias espaciais com potencial de aplicação global. Niels Eldering, Head of Space Solutions Section da ESA, destacou o simbolismo histórico do “Tagus” enquanto ponto de partida para novas descobertas e novos mercados. “Os empreendedores não são apenas exploradores. São pioneiros que criam novos negócios, novas oportunidades e novas formas de colaboração”, afirmou, defendendo o papel das universidades enquanto motores de ecossistemas de inovação capazes de ligar talento, investigação, formação e empreendedorismo.

O evento contou ainda com apresentações de vários projetos desenvolvidos por jovens empreendedores e equipas académicas. O IST NanoSatLab apresentou os seus projetos de satélites desenvolvidos no Técnico, incluindo missões já em órbita e futuras aplicações ligadas às comunicações 5G no espaço. Já a startup N3O destacou o desenvolvimento de satélites de média dimensão em Portugal, enquanto a LUMA mostrou como a observação da Terra e a inteligência artificial podem apoiar a monitorização florestal, a gestão ambiental e os mercados de carbono.

Moderado por Joana Mendonça, vice-presidente do Técnico para o Campus Oeiras, o painel “The Future in Space: A Dialogue with Students”  reuniu especialistas internacionais, investigadores e representantes de núcleos de estudantes numa conversa sobre exploração espacial, empreendedorismo e inovação tecnológica.

Miguel Fontinha, do Lisbon’s New Satellite (LISAT), e André Gonçalves, coordenador da Rocket Experiment Division (RED) do AeroTéc – Núcleo de Estudantes de Engenharia Aeroespacial, partilharam a experiência de desenvolver satélites e foguetes em ambiente universitário, defendendo que as equipas académicas funcionam como verdadeiros laboratórios de experimentação e empreendedorismo.

Para os estudantes, a possibilidade de participar em missões reais, testar hardware e competir internacionalmente é essencial para acelerar competências técnicas, desenvolver espírito crítico e criar as bases para futuras startups espaciais. “Quando temos a oportunidade de lançar um satélite ou testar um foguete, a mentalidade da equipa muda completamente”, sublinhou André Gonçalves, destacando a importância de aprender através da experimentação e da capacidade de ultrapassar falhas. Já Miguel Fontinha salientou que projetos como o LISAT permitem aos estudantes “sonhar mais longe”, abrindo novas oportunidades científicas e tecnológicas para Portugal num setor em rápida transformação.

Dava Newman, antiga administradora adjunta da NASA e atual diretora do MIT Media Lab, defendeu uma estratégia internacional orientada pela ciência, pela colaboração e pela capacidade de imaginar objetivos de longo prazo.“O espaço obriga-nos a pensar a décadas de distância”, afirmou. Também Manuel Heitor, professor do Técnico e antigo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, destacou a necessidade de criar uma cultura europeia mais aberta ao risco, à experimentação e ao empreendedorismo, defendendo que “o espaço obriga-nos a aprender a falhar” e que os ecossistemas de inovação dependem da capacidade de transformar falhas em aprendizagem e crescimento.

O encontro, organizado em parceria com o MIT Portugal, terminou com uma mensagem de ambição coletiva para o futuro do setor espacial em Portugal. Estiveram também presentes Sílvia Breu, vereadora da Câmara Municipal de Oeiras e Teresa Fiuza, CIO do Banco Português de Fomento. “Que a ESA BIC Tagus seja uma porta aberta para novas ideias, novas empresas e novas ambições, e que, a partir deste campus em Oeiras, possamos ajudar a construir o futuro do espaço a partir de Portugal para o mundo”, concluiu Rogério Colaço.

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