Sentados às mesas ou em pé, à sombra, membros da comunidade do Técnico assistiam ao showcooking sustentável que decorria no jardim norte do campus Alameda. Antes, os participantes tinham ficado a conhecer melhor a minifloresta do Técnico e descoberto, através da Grupos Águas de Portugal (EPAL), boas práticas para o consumo mais sustentável de água. Foram estes três momentos que marcaram, a 25 de setembro, a iniciativa do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, para assinalar pela primeira vez o Dia Nacional da Sustentabilidade.
A minifloresta do Técnico recebeu novas visitas numa sessão dedicada à biodiversidade. António Alexandre, membro da URBEM, organização dedicada à regeneração ecológica de espaços urbanos, apresentou o método Miyawaki, utilizado na construção da minifloresta do Técnico, e convidou os participantes a entrar em contacto direto com as plantas, numa atividade prática. “A ideia é naturalizar o máximo possível os espaços pequeninos que temos para uma coisa mais parecida possível ao que era a cidade de Lisboa há 200 ou 300 anos atrás” explicou.
“Concordo que deveria haver mais espaços verdes e acho que é importante para todos podermos, dentro do trabalho e até mesmo fora dele, aplicar essas ideias que servem para melhorar o espaço à nossa volta”, afirmou Cláudio Rodrigues, funcionário do Técnico na área de manutenção, que assistiu à apresentação.
No jardim norte do campus Alameda, o showcooking sustentável procurou promover a literacia alimentar e ambiental. “Alguém tem noção porque é que os produtos animais requerem tanto do planeta”, perguntou Francisca Gusmão enquanto temperava um molho à bolonhesa de origem vegetal.
A convidada, responsável pela demonstração, falou com o público sobre escolhas alimentares mais conscientes, do ponto de vista da pegada carbónica. “A alimentação ou a produção alimentar emite um terço de todos os gases com efeito de estufa de origem antropogénica, ou seja, de origem humana. Se nós conseguirmos fazer uma alimentação que emita menos gases com efeito de estufa, consuma menos água, menos recursos do planeta e menos terreno, então vamos conseguir ser todos agentes de mudança e agentes positivos”, defendeu.
Francisca Gusmão confecionou, em conjunto com uma colega, uma bolonhesa de soja e lentilhas e um salame de alfarroba, que foram degustados pelos participantes no showcooking. “Gostamos de falar com as pessoas que se calhar não estão tão conscientes destas alterações tão necessárias. Está a ser muito bom, as pessoas parecem estar a gostar, o que é, na realidade, a parte mais importante”, afirmou.
Loane Genevay, estudante do mestrado em Engenharia Aeroespacial, tomou conhecimento da iniciativa através do site do Técnico e decidiu juntar-se às atividades. “Acho que é uma iniciativa muito boa, porque precisamos de preservar a água e talvez tenhamos de aprender a cozinhar de uma forma diferente. Também participei esta manhã no evento do jardim e plantei algumas sementes no jardim”, afirmou a estudante.
Em simultâneo, equipas da EPAL distribuíram, durante a manhã e em diversos pontos do campus, água da torneira em copos, através de aguadeiros, e marcadores de livros com boas práticas relacionadas ao consumo sustentável de água, procurando sensibilizar a comunidade para hábitos de consumo mais sustentáveis. Raquel Gil, da área de marketing da EPAL, falou em representação da empresa. “Foi com muito gosto que recebemos este convite do Instituto Superior Técnico, de quem já somos parceiros há algum tempo, para marcarmos presença”, declarou.
Para Inês Cóias Correia, responsável da Direção de Sustentabilidade e Instalações do Técnico, as ações de sensibilização ambiental assumem uma “enorme transversalidade”. “Assinalamos o dia para trazer aqui para a comunidade do Técnico cada vez mais uma noção da importância da sustentabilidade. Este dia é um título de exemplo, mas, no fundo, serve como um mote para que possamos viver de forma mais sustentável e para que isso possa, de facto, constar nas nossas vidas de uma maneira transversal”, afirmou.