Campus e Comunidade

Técnico celebrou 115.º aniversário dando palco à sua comunidade “viva, dinâmica e permanentemente em ação”

Cerca de mil pessoas da comunidade reuniram-se no Técnico Innovation Center, powered by Fidelidade para celebrar o 115 .º aniversário da Escola .

A cerimónia dos 115 anos do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, começava a ganhar forma à medida que estudantes e docentes ocupavam os seus lugares. Entre as cerca de mil pessoas presentes no Dia do Técnico 2026, amigos e familiares testemunharam o reconhecimento do percurso académico de centenas de estudantes e docentes distinguidos pela sua Excelência, no sala Técnico Innovation Center powered by Fidelidade, no dia 22 de maio. 

“Ele está feliz com todo o percurso académico que tem feito, sei que tem sido exigente, mas no (bom) sentido de desafiá-lo”, afirmou Nicole Almeida que assistia à cerimónia em que o seu irmão André Almeida, estudante de mestrado em Física Médica, seria distinguido. Algumas cadeiras mais à frente, Cristina Fernandes, mãe de Matias Fernandes, um dos estudantes de Engenharia Aeroespacial distinguido com o Diploma de Excelência Académica, acredita que, “para quem tem objetivos”, um curso no Técnico tem “uma fasquia extremamente elevada”. Para a mãe “orgulhosa e feliz”, trata-se de um prémio “mais do que merecido”.

“Este ano ainda somos mais e a única conclusão a que posso chegar é que somos mais porque somos cada vez melhores”, afirmou Miguel Cacho Teixeira, presidente do Conselho Pedagógico do Técnico, sobre a distinção dos 531 Docentes Excelentes e 439 estudantes de excelência (Diplomas de Excelência Académica). Comparando a  comunidade do Técnico a uma grande família marcada pelo “orgulho” e “amor à camisola” o docente refletiu sobre a importância de dialogar sem “extremismos” e concluiu: “Podemos estar descansados: passado glorioso, presente excelente e o futuro do Técnico, com esta comunidade, excecional”.

Para Rogério Colaço, presidente do Técnico, foi com segurança e visão no futuro que, “lado a lado”, se fizeram 115  anos de Técnico. “O Técnico é isto que vimos aqui hoje: uma comunidade viva, dinâmica, permanentemente em ação e sobretudo feliz e alegre”, afirmou. Recordando a sua entrada no Técnico há cerca de 40 anos, concluiu: “O Técnico há 40 anos era sobretudo excelência e qualidade do seu ensino. Hoje é isso e mais. É investigação e inovação de ponta e é, para os seus estudantes, uma vivência única”. Considerando ainda as alterações legislativas e institucionais que terão “impacto profundo” no futuro da instituição, o presidente reforçou que a razão de ser do Técnico “é maior do que qualquer conjuntura”. 

Para Jorge Marques, vice-presidente estudante do Conselho Pedagógico, trata-se de “115 anos de história, mas acima de tudo de mérito”. Dirigindo-se aos colegas estudantes, felicitou-os pela “resiliência” e mérito. “O vosso sucesso é a garantia de um futuro de amanhã”, concluiu. 

Margarida Pereira, Leonardo Ramos e Manuela Abreu são alguns dos estudantes do mestrado em Biotecnologia que receberam o diploma de excelência. Tendo ingressado no Técnico para o mestrado, Manuela Abreu afirmou ter sentido a diferença na acessibilidade dos professores, algo que considerou “muito importante” para a sua motivação e interesse. “Os docentes estão lá para ajudar, está toda a gente pronta a ajudar, o que torna o Técnico muito mais acessível”, afirmou Margarida Pereira. “Sabe bem ser reconhecido pelo trabalho que fizemos”, acrescentou Leonardo Ramos.

“Vocês não são excelentes porque chegaram aqui, chegaram aqui porque são excelentes, não só nos estudos, não só no ensino, mas em tudo aquilo que decidirem fazer”, declarou Nuno Moura Pinto, estudante que discursou em representação dos estudantes. Por sua vez, Sara Fava Gonçalves, também representante dos estudantes, apelou à colaboração. “Tentem fazer do Técnico um sítio mais acolhedor, inspirado e fofinho para todos os que estão cá”.



Que nunca nos esqueçamos de continuar a formar, acima de tudo, pessoas ligadas entre si”

A cerimónia da manhã concluiu com a entrega dos “Prémios Técnico Excelência no Ensino” e  do “Prémio José Tribolet para a Inovação Digital no Ensino, powered by Deloitte”. “Este prémio também os reconhece”, afirmou Miguel Tribolet de Abreu sobre os alunos “motivados e fáceis de motivar” a quem lecionou em Cálculo Diferencial e Integral, unidade curricular que lhe conferiu o Prémio  Excelência no Ensino, reconhecido pelos estudantes através do sistema de garantia de qualidade das unidades curriculares no ano letivo de 2024/2025. Já Ana Azevedo, distinguida pela segunda vez, afirmou não haver “maior validação” para um docente “do que perceber que a sua mensagem chegou ao destino”. Considerando essencial a ligação humana na academia, afirmou: “No Técnico formamos dos melhores engenheiros e cientistas do país, que nunca nos esqueçamos de continuar a formar, acima de tudo, pessoas ligadas entre si”.

Ao encerrar a manhã, foi  atribuído o Prémio José Tribolet para Inovação Digital no Ensino, powered by Deloitte. Rui Pedro Vaz, representante da Deloitte, considerou essencial “encontrar novas abordagens pedagógicas que conciliem rigor, inovação e proximidade com os estudantes”, e reforçou o papel do prémio que “reconhece quem lidera esta transformação”. Considerando que “nenhuma inteligência artificial consegue substituir o papel da pedagogia”, Sérgio Pequito”, o professor premiado nesta edição, sublinhou o papel do docente. “A nossa missão é formar pessoas capazes de continuar a aprender, pensar criticamente, agir com integridade e resolver problemas complexos”.

Sessão solene celebrou “ambiente científico e humano” do Técnico 

“É um momento para olharmos para a nossa escola, vermos como chegámos até aqui e imaginarmos como a queremos ver no futuro”, afirmou António Jarmela, presidente da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST). Destacando os 2500 estudantes e os 3,1 milhões de euros dinamizados nos Núcleos de estudantes do Técnico concluiu que “o futuro do Técnico é promissor”. “Façamos por merecer os próximos 115 anos de história”, concluiu.

Para celebrar os valores do Técnico, Raquel Aires Barros, Provedora Provedora do Técnico, discursou em nome dos 70 embaixadores e embaixadoras da Escola. “Cada nome que vemos hoje no ecrã representa uma pessoa que aceitou o compromisso”, afirmou. Fazendo votos de que este programa “continue a crescer e a consolidar-se”, acrescentou: “Os valores vivem nas pessoas, nas suas atitudes, na forma como cada um de nós escolhe ser Técnico todos os dias”. 

Honrando quem faz o Técnico todos os dias, foram também realizadas homenagens aos trabalhadores do Instituto, às novas contratações, às progressões na carreira, aos recém-aposentados, bem como aos trabalhadores com 25 e 40 anos de casa. Em representação destes, esteve Hermínio Fonseca Costa, técnico administrativo há 40 anos. Fazendo uma breve retrospectiva sobre o seu percurso no Técnico, desde a metalurgia ao departamento de audiovisuais, deixou um “bem-haja” à sua “segunda casa”.

Durante a tarde foram ainda atribuídos os prémios Professor Distinto 2026 aos professores Fernando Pereira e Leonel Sousa. Considerando tratar-se de “um dos momentos da sua vida”, Fernando Pereira, docente do Técnico, agradeceu aos funcionários e colegas pelo “excelente ambiente científico e humano” que ajudaram “a criar ao longo dos anos”, bem como aos estudantes pelos “incentivos de todas as horas”. Considerando “o ensino e a investigação profundamente humanos”, destacou ainda a importância da empatia pelo próximo e a responsabilidade acrescida de continuar a transmitir os valores do Técnico. 

Também Leonel Sousa afirmou ter encontrado no Técnico, durante o mestrado, “um ambiente propício ao ensino e investigação de excelência”. Agradecendo aos colegas, considerou que “o Técnico conta com um conjunto de funcionários que são o pilar da instituição”. Para o docente, o Técnico é uma constante construção, sendo importante apostar na internacionalização e no risco, “essenciais para a inovação”. Recebendo o prémio “com enorme orgulho e satisfação”, terminou o discurso emocionado, agradecendo aos familiares.

“O Técnico é uma instituição que recusa o papel de mera observadora do estado da arte, o Técnico define o estado da arte”, declarou Luís Ferreira, Reitor da Universidade de Lisboa. Considerando que, nos últimos anos, a “extraordinária escola de engenharia, ciência, tecnologia e arquitetura” tem sido uma “demonstração inequívoca do vigor científico, da audácia intelectual e do impacto social”, destacou alguns marcos históricos da Escola, entre eles a captação de 27,2 milhões de euros para a fundação do Sustainable Artificial Intelligence Laboratory (SAIL), um centro de excelência focado nos impactos ambientais, energéticos e económicos da inteligência artificial.

Acreditando que a Escola irá “desenhar a IA fiável e sustentável do futuro”, o reitor sublinhou: “Isto não é apenas captar financiamento, é liderar a agenda científica internacional”.  Sem ignorar a instabilidade e as mudanças regulatórias na legislação, que “provocam consequências imediatas”, o reitor relembrou no seu discurso “a solidez de quem molda a engenharia e a matriz tecnológica e científica do país” há 115 anos e afirmou: “As descobertas mais importantes ainda são aquelas que estão por fazer”. A cerimónia foi consagrada com o canto de parabéns ao Técnico, que incluiu a partilha de dois bolos e ainda apresentações dos Grupo de Cantares Tradicionais, da Tuna Mista, da Tuna Feminina e da Tuna Universitária do Técnico.  

Na véspera da cerimónia, realizou-se a 2.ª Gala Solidária Técnico Alumni, no Salão Nobre do Campus Alameda, que angariou mais de 40 mil euros para apoiar alunos com dificuldades económicas com bolsas de estudo através do Fundo Solidário Alumni Técnico.  A gala distinguiu ainda 3 alumni: João Bento, Marta Oliveira e Joana Pinto. 

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