Iniciativa promovida pelo Conselho Pedagógico, com o apoio do Conselho Científico e do Conselho de Gestão, os Projetos de Inovação Pedagógica (PIP) têm o objetivo de financiar métodos pedagógicos inovadores e de aprendizagem ativa com impacto positivo na atualização e adaptação do modelo de ensino do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa.
A edição PIP2026, oitava desta série, recebeu 38 propostas, das quais 13 foram financiadas, com vista à melhoria do ensino e aprendizagem dos estudantes. Entre os PIP financiados nesta edição, contam-se plataformas digitais, materiais físicos de apoio ao ensino e novos espaços, entre outras iniciativas, num total que ronda os 70 mil euros.
“A existência deste financiamento para este tipo de projeto é muito relevante, porque dá aos professores interessados os meios para implementar novas ideias e estratégias pedagógicas”, partilha Joana Lobo Antunes. A professora do Departamento de Engenharia de Recursos Minerais e Energéticos propôs um dos treze PIP que conquistaram financiamento nesta edição e, sendo este o seu primeiro ano como docente no Técnico, sente a iniciativa como um “apoio da Escola às [suas] ideias” – “é uma forma de sentir o apoio do Conselho Pedagógico além do que já tenho da parte do meu departamento”, acrescenta.
Tiago Fernandes, professor do Departamento de Bioengenharia, acredita que “os PIP são uma ótima ferramenta para tornar a aprendizagem mais eficiente e motivadora para os estudantes”. “Todos os docentes têm ideias para melhorar as suas unidades curriculares ou para experimentar novas abordagens pedagógicas, mas muitas vezes essas ideias exigem tempo, recursos e condições para serem implementadas”, explica o docente, para quem “os PIP criam precisamente esse espaço de inovação”, oferecendo “uma oportunidade para experimentar, inovar e concretizar projetos que, de outra forma, poderiam ficar apenas no papel”.
Projetos de Inovação Pedagógica com Financiamento (PIP2016)
Do código ao Tangível
Augusto Esteves, Departamento de Engenharia Informática (DEI)
Este PIP pretende recorrer à inteligência artificial generativa para auxiliar na criação de código para renderização de objetos tridimensionais. Desta forma, rato e teclado poderão ser substituídos por equipamentos físicos como Arduino e sensores. Libertos de alguma da carga cognitiva necessária para a implementação do projeto, os estudantes ficam assim mais disponíveis para pensar em questões de arquitetura de interação.
StartUp Navigator
Carla Costa, Departamento de Engenharia e Gestão (DEG)
A StartUp Navigator é uma plataforma digital com a finalidade de orientar os estudantes ao longo das diferentes etapas de desenvolvimento de uma ideia de negócio. O sistema, que integrará ferramentas de inteligência artificial, funcionará como um guia estruturado do processo de validação e será articulado com o funcionamento de uma unidade curricular, sendo um instrumento de apoio contínuo ao trabalho autónomo dos estudantes.
VisDeck
Daniel Gonçalves, Departamento de Engenharia Informática (DEI)
O VisDeck é um sistema de cartas físicas que codificam os elementos fundamentais da gramática de design da visualização de informação. Estas cartas podem ser usadas tanto em aulas teóricas como de laboratório ou autonomamente para auxiliar os estudantes a desenvolver um projeto. Um sistema de portas e símbolos nas arestas das cartas tornará imediatamente visíveis as configurações inválidas – nessas situações, as cartas simplesmente não encaixarão.
Melhorando o Ensino com IA
Filipe Joaquim, Departamento de Física (DF)
Este PIP propõe uma implementação da plataforma Upstack.AI com o envolvimento de unidades curriculares de vários departamentos do Técnico. A Upstack.AI é uma plataforma de inteligência artificial aplicada à educação, fundada por alumni da Escola. A sua arquitetura permite criar módulos de aprendizagem, gerar avaliações, disponibilizar assistentes virtuais, produzir feedback automático e apoiar docentes na análise do desempenho dos estudantes.
LabCOMTécnico
Joana Lobo Antunes, Departamento de Engenharia de Recursos Minerais e Energéticos (DER)
O Laboratório de Comunicação de Ciência e Engenharia do Técnico (LabCOMTécnico) será um espaço munido de equipamento para gravação, edição e realização de podcasts e videocasts, servindo ainda como laboratório experimental para unidades curriculares na área da comunicação de ciência. Os estudantes usufruirão, assim, de uma aprendizagem baseada em projetos, procedendo à captação de som e vídeo, elaborando guiões e editando conteúdos, estes últimos com qualidade científica e potencial de divulgação pública em plataformas digitais.
XR-Clinical IA Lab
Joaquim Jorge, Departamento de Engenharia Informática (DEI)
Este PIP propõe um ecossistema pedagógico que servirá de ponte entre os estudantes de Engenharia e os problemas, requisitos e utilizadores reais da área médica, com validação por docentes e especialistas clínicos da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e da Unidade Local de Saúde Santa Maria. Os estudantes desenvolverão sistemas imersivos apoiados por inteligência artificial, enquanto os docentes, especialistas clínicos e estudantes da área da saúde participarão como validadores e utilizadores dos cenários simulados.
PALOMY
Leigh Sutherland, Departamento de Engenharia Mecânica (DEM)
A base deste projeto reside na compra de uma pequena frota de modelos navais telecomandados e de um tanque portátil. Estes equipamentos permitirão aos estudantes de Engenharia Naval uma aprendizagem empírica de conceitos de teoria de navegação e estabilidade para pequenas embarcações. Servirão ainda como reforço das atividades interativas disponibilizadas pelo Técnico em eventos como o Dia Aberto e o Verão na ULisboa, bem como de maqueta de testes para teses de mestrado na área da Engenharia Naval.
5e-Rocket
Paulo Oliveira, Departamento de Engenharia Mecânica (DEM)
Enquanto conjunto de plataformas autónomas, o 5e-Rocket propõe aos estudantes um contacto com sistemas aeroespaciais de alguma complexidade, em ambiente laboratorial e em testes em tempo real. A configuração apresentada tem sido largamente utilizada em lançadores espaciais, quer na fase de ascensão como de aterragem autónoma.
Gamificação IEI
Pedro Adão, Departamento de Engenharia Informática (DEI)
Alguns estudantes enfrentam dificuldades em unidades curriculares (UI) na área da Engenharia Informática, não por causa de dificuldades conceptuais dos tópicos, mas porque desconhecem como usar algumas ferramentas essenciais por vezes assumidas como pré-requisitos a essas UIs (git, terminal e linha de comando, SSH…). Este PIP pretende “gamificar” a aprendizagem dessas ferramentas apresentando uma estrutura de pontos, badges e desafios opcionais mais avançados, desenhada de forma a incentivar o envolvimento dos estudantes sem penalizar aqueles que progridam a ritmos mais lentos.
HERO
Ricardo Lameirinhas e Marcelino Santos, Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC)
O projeto HERO foca-se em implementar, desenvolver e adaptar instrumentos experimentais como espetrómetros, medidores de comprimento de onda, sistemas de alinhamento ótico, microscópios, analisadores de espetros e outros equipamentos, com vista a capacitar os estudantes para “fazer” em vez de apenas “usar” esses dispositivos. Inserido na modalidade de aprendizagem baseada em projeto (“project-based learning”), o projeto propõe uma abordagem pedagógica empírica, em detrimento de exercícios isolados e predefinidos.
Interface E-textiles
Teresa Almeida, Departamento de Engenharia Informática (DEI)
O objetivo deste projeto é introduzir e-textiles (interfaces têxteis digitais) no ensino do design de interação, provocando uma mudança face ao ensino tradicional – o foco é deslocado das interfaces digitais convencionais para interfaces materiais, incorporadas e sensoriais. A metodologia assenta na aprendizagem ativa e baseada em projeto, envolvendo os estudantes em todas as fases do processo de design thinking.
TwinBioSys
Tiago Fernandes, Departamento de Bioengenharia (DBE)
Um digital twin (“gémeo digital”) pode ser entendido como uma representação computacional dinâmica, simplificada e orientada para fins pedagógicos de um sistema biológico real, capaz de simular o seu comportamento e apoiar a formulação de hipóteses e previsões sob diferentes condições. O TwinBioSys propõe que, em equipa, os estudantes irão desenvolver digital twins de sistemas celulares (por exemplo, crescimento e viabilidade celular, resposta a estímulos ou fármacos, circuitos regulatórios simples ou dinâmicas metabólicas), numa estrutura de módulos pedagógicos e feedback formativo contínuo.
Digital Bioprocessing
Tiago Matos, Departamento de Bioengenharia (DBE)
O projeto propõe uma abordagem académica inovadora baseada na integração sequencial de duas unidades curriculares na área da Bioengenharia, permitindo aos estudantes evoluir de conceitos fundamentais de sistemas dinâmicos para o desenvolvimento de modelos mecanísticos, digital twins e ferramentas de inteligência artificial. A metodologia pedagógica assenta em aprendizagem baseada em projeto (“project based learning”), com integração de salas de aula invertidas (“flipped classrooms”) onde os estudantes preparam e apresentam conteúdos teóricos antes da sua aplicação prática.