Campus e Comunidade

Técnico na Futurália: perguntas sobre o futuro encontram respostas nos estudantes

De 11 a 14 de março, estudantes e docentes do Técnico apresentam cursos, projetos e oportunidades académicas na maior feira de educação do país.

À entrada da Feira Internacional de Lisboa (FIL), no Parque das Nações, o som é constante: vozes que se cruzam, grupos de estudantes que avançam entre stands e perguntas que se repetem em diferentes corredores: “Que curso devo escolher?”. No primeiro dia da 17.ª edição da Futurália, a 11 de março, milhares de alunos do ensino básico e secundário percorrem a feira dedicada à educação, formação e empregabilidade à procura de pistas para decidir o futuro académico.

Na área central do stand da Universidade de Lisboa, uma das paragens é o espaço do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa. Mapas de cursos, marcadores das 18 licenciaturas (e mestrado integrado) e pequenas demonstrações científicas chamam a atenção dos visitantes, que se aproximam para perguntar sobre médias de acesso, exames nacionais ou simplesmente para perceber melhor “o que significa estudar engenharia”.

É neste ambiente que Rafael, aluno do 10.º ano de uma escola secundária da Grande Lisboa, se aproxima decidido do stand do Técnico. Apesar de ainda faltar algum tempo para a candidatura ao Ensino Superior, a área de interesse está definida. “Quis perceber melhor como funciona a licenciatura em Engenharia Informática e de Computadores e que oportunidades existem ao longo do curso”, explica.

O interesse pela área começou cedo, entre computadores e programação. Agora, procura perceber de que forma essa curiosidade pode transformar-se num percurso académico. “Mais do que conhecer as disciplinas, interessa-me saber que projetos os estudantes desenvolvem e que experiências têm durante o curso”, acrescenta. “Falar diretamente com quem já estuda no Técnico ajuda a perceber melhor como é o dia-a-dia”.

A poucos metros, Constança e Beatriz, do 11.º ano, vindas do Estoril, analisam atentamente a lista de cursos disponíveis. As duas estudantes chegaram à Futurália com uma preocupação mais imediata: decidir que exames nacionais realizar ainda este ano. “É uma fase difícil, porque há muitas opções e combinações possíveis”, explica Constança. “Estamos a tentar perceber que áreas nos interessam e que tipo de formação pode abrir mais portas”. Entre as hipóteses consideradas está a licenciatura em Engenharia e Gestão Industrial do Técnico.

Enquanto algumas conversas se centram em planos de estudo e médias de acesso, outras surgem em torno de demonstrações práticas. No espaço dedicado ao curso de Engenharia de Materiais, Amélia Almeida, docente do Técnico, apresenta exemplos de aplicações médicas desenvolvidas com ligas metálicas especiais. 

Sobre a mesa está uma prótese de anca e uma pequena estrutura metálica que demonstra um fenómeno particular: depois de deformada, recupera a forma original quando exposta a uma fonte de calor. “Estas ligas com memória de forma são utilizadas em vários dispositivos médicos, incluindo instrumentos usados em procedimentos como o cateterismo”, explica. Quando questionada sobre a sua presença na Futurália destaca o “dar a conhecer oportunidades” e “mostrar o leque de saídas profissionais” de uma área que descreve como estando “em grande crescimento”.

“A engenharia está cada vez mais ligada a problemas complexos que exigem conhecimentos de diferentes áreas”

Noutro ponto do stand, entre risos e comentários, um grupo de alunos observa atentamente um ecrã onde uma pequena abelha tenta defender a colmeia de invasores. O jogo faz parte de um conjunto de projetos desenvolvidos por estudantes do Técnico no âmbito do mestrado em Engenharia Informática e de Computadores, aplicado ao Laboratório de Jogos do Técnico. “Experimenta desviar-te mais cedo”, sugere Tiago Santana, estudante do mestrado, enquanto Eva, integrante de um grupo de alunas vindas de Elvas, tenta ultrapassar o desafio.

A pontuação sobe rapidamente – 200, 400, 700 pontos – até chegar aos 900. “Todos estes jogos foram desenvolvidos por estudantes ao longo do curso”, aponta Tiago Santana. “São projetos que juntam programação, design e trabalho em equipa. Para quem está a pensar seguir informática, perceber que pode criar algo do zero – desde a ideia até ao produto final – costuma despertar muita curiosidade”.

Enquanto alguns experimentam os jogos, outros procuram esclarecer dúvidas sobre as diferentes áreas da engenharia. João, aluno do 11.º ano de uma Escola de Alcabideche, percorre o stand com atenção. “O meu objetivo é perceber melhor as diferenças entre os cursos e o tipo de trabalho que cada ‘engenheiro’ desenvolve”, diz. Neste momento, considera o Técnico uma das opções para o futuro e hesita entre Engenharia Mecânica e Engenharia Eletrónica. “Gosto de tecnologia e de compreender como os sistemas funcionam. Esta visita ajudou-me a perceber qual destas áreas se aproxima mais do que quero fazer”.

Entre os visitantes estão também professores que acompanham grupos escolares. Carmo Nunes, docente de Biologia e Geologia na Escola Secundária de Benavente, considera que a visita à feira tem um papel no processo de decisão dos alunos. “Para muitos estudantes, este é o primeiro contacto direto com diferentes instituições e áreas de estudo”, afirma. Entre os decididos e os indecisos, a professora admite que o importante do dia “é que [os seus alunos] possam recolher informação e refletir sobre as opções antes de tomarem uma decisão”, sendo o Técnico “uma referência para muitos estudantes interessados em engenharia”.

Ao longo do dia, o stand do Técnico inclui também a apresentação de novas ofertas formativas da Escola. Miguel Teixeira, docente e presidente do Conselho Pedagógico do Técnico, acompanha o interesse de muitos visitantes pelo curso de General Engineering, que recebe pela primeira vez candidaturas na próxima janela do concurso nacional de acesso ao ensino superior. “A engenharia está cada vez mais ligada a problemas complexos que exigem conhecimentos de diferentes áreas”, explica. “Este curso foi pensado para dar uma base sólida em ciência e engenharia, permitindo depois especializações mais flexíveis”. Segundo o docente, a abordagem privilegia o trabalho em projeto e o contacto com desafios reais. “Queremos formar engenheiros capazes de trabalhar em equipas multidisciplinares e de responder a problemas que ainda nem sabemos exatamente como serão”.

Ao final da tarde, o fluxo de visitantes mantém-se constante. Alguns passam rapidamente, recolhem informação e seguem caminho. Outros permanecem mais tempo, conversando com estudantes e docentes do Técnico que partilham experiências sobre aulas, projetos, mobilidade internacional ou oportunidades de investigação. 

Até 14 de março, a Futurália volta a reunir, no mesmo espaço, perguntas sobre o futuro académico e respostas de quem já percorre esse caminho no Técnico. Professores e estudantes de todos os cursos de 1.º Ciclo da Escola estarão presentes, em rotação, para partilhar a sua experiência e conhecimento. Ao longo de todo o evento, estudantes do Núcleo de Apoio ao Estudante (NAPE) permanecem no espaço para ajudar a esclarecer as dúvidas dos participantes.

2.ª Reportagem da presença do Técnico na Futurália 2026.

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