Para refletir sobre a preparação do país para eventos extremos, a plataforma Técnico Alumni e a Associação de Antigos Alunos do Instituto Superior Técnico (AAAIST) promoveram uma conferência que reuniu um painel de especialistas, no dia 15 de abril, no Técnico Innovation Center powered by Fidelidade.
“Recorda-se que a resiliência não se contrai apenas na resposta, mas na prevenção e na capacidade de antecipar”, afirmou Rogério Colaço, Presidente do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa. Reforçando a missão do Técnico de “capacitar, inovar e colocar conhecimento ao serviço da sociedade”, considerou que o contributo da instituição “passa por modelar e ajudar a preparar profissionais, e por criar pontes entre a academia, empresas e a Administração Pública”. Salientou a importância de “transformar vulnerabilidade em preparação e resiliência” e assegurou a vontade da Escola de “trabalhar ativamente” em soluções. Terminou o seu discurso felicitando a iniciativa “É um gosto ver a comunidade de antigos alunos trazer para debate temas como este”.
“Com este encontro queremos dinamizar a nossa rede e propomos uma reflexão para a preparação de Portugal para eventos extremos”, explicou Francisco Moitinho de Almeida, Presidente da AAAIST. Na sua perspetiva, a comunidade não deve ser feita apenas de memórias, mas da “missão partilhada de cuidar dos seus e do seu país”. Defendeu ainda que o Técnico “deve continuar a ser um elevador social”, tendo convidado todos a inscreverem-se na plataforma e a contribuírem com donativos para a associação, que apoia estudantes através da atribuição de bolsas anuais até quatro mil euros.
Jean Barroca, Secretário de Estado da Energia e ex-presidente da Associação dos Estudantes do Instituto Superior Técnico, destacou três momentos recentes que testaram o sistema energético: o apagão de 28 de abril de 2025, a depressão Kristin, em janeiro, e o ataque ao Irão, em fevereiro. “A única forma de resposta é apostar na serenidade da população, no planeamento, na ciência e trazer medidas concretas”, afirmou. Referiu ainda a criação de um grupo de aconselhamento, que integra alunos do Técnico, para refletir sobre o sistema energético a desenvolver. Reconhecendo a necessidade de descarbonizar a economia e reforçar a eficiência energética, considerou que a transição energética é “a única forma de obter resiliência energética”.
Numa mesa redonda, moderada por Ana Dias, Chief Financial Officer da Medialivre, o painel de convidados deu o seu parecer sobre o tema. António Gonçalves Henriques, professor do Técnico, destacou a necessidade de reforçar os sistemas de monitorização das bacias hidrográficas, defendendo uma maior monitorização por parte das entidades de gestão. Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade, sublinhou a importância da educação para o risco, afirmando que esta contribui para um maior nível de proteção. Já Carlos Fernandes, Vice‑Presidente da Infraestruturas de Portugal, garantiu que estão em curso planos para “aumentar a resiliência”, através de uma abordagem centrada no planeamento e na gestão de ativos.
Esteve ainda em discussão o papel da inteligência artificial na previsão de fenómenos como cheias e secas, na digitalização de informação e no desenvolvimento de modelos preditivos para a redução de riscos.