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Técnico promoveu encontro entre estudantes, investigadores e docentes na área da física

Simpósio “IST-PhysFront” distinguiu os melhores trabalhos de investigação de estudantes dos três ciclos de estudo na área da física.

Raios cósmicos, sistemas quânticos, buracos negros, aceleradores astrofísicos e descodificação de interações de neutrinos foram alguns dos temas aprofundados por estudantes e investigadores do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, na segunda edição do IST-PhysFront’26.  A iniciativa promoveu um encontro, no dia 16 de setembro, no Técnico Innovation Center powered by Fidelidade, dando a conhecer projetos desenvolvidos nos diferentes domínios da física.

Rogério Colaço, presidente do Técnico,  reforçou a importância de iniciativas como esta para a Escola e para a comunidade estudantil. “Estes eventos são únicos, todos os anos vocês têm a oportunidade de privar com pessoas mais experientes que partilham conhecimento convosco”, destacou.

“É muito importante para [os estudantes] verem o que podem fazer com a física”, afirmou Paulo Freitas, investigador do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Microsistemas e Nanotecnologias (INESC- MN), que abriu o programa com uma Special Talk sobre “Efeitos quânticos macroscópicos, o Prémio Nobel de Física em 2025 e dispositivos quânticos dependentes de spin no INESC MN/IST”.

O evento distinguiu dois projetos na categoria de projetos de inovação: o Faralab, um programa de simulação para o ensino da física, e o Lumination, um sistema inteligente de iluminação pública adaptativa. Afonso Sítima, estudante de Engenharia Informática, é um dos elementos do projeto Faralab, criado e desenvolvido por Telmo Vaz, docente do Técnico, que procurava tornar mais visuais os fenómenos físicos e facilitar a aprendizagem dos seus alunos. O estudante tem contribuído para o aperfeiçoamento do simulador, cujo nome é inspirado no cientista Michael Faraday. “Fomos procurar o que é que já existia neste preciso momento e encontrámos aplicações muito mais [limitadas]. Então decidimos desenvolver nós mesmos e agora estamos a tentar melhorar a app e divulgá-la”, afirmou o estudante.”

Em representação do projeto Lumination, Duarte Lopes, estudante de mestrado em Engenharia Física Tecnológica, contou que, depois de terem vencido a final nacional da RED Bull Basement Portugal, o grupo está agora a tratar da parte burocrática, da patenteação do projeto e da implementação do projeto-piloto. “Estamos felizes por vermos o nosso trabalho a ser reconhecido, tanto em Portugal como lá fora. É sempre agradável ver o projeto que sai daqui do Técnico, que começou do nada, a crescer e ser reconhecido”.

O grupo Lumination é composto por estudantes de física que, no mestrado, ingressaram por especialidades diversas. Duarte Lopes destacou a possibilidade de os estudantes explorarem projetos para além da sua área de formação. “É ótimo para eles perceberem que podem criar projetos que aparentemente não têm a ver com o curso ou com as cadeiras e que conseguem ter acesso a meios e a este tipo de exposição”.

Luana Cruz e Francisco Albuquerque iniciam agora a sua jornada no Técnico como estudantes de Licenciatura em Engenharia Física Tecnológica. “Achei os dois projetos de inovação interessantes, mas também os projetos de investigação, que estão bastante desenvolvidos e com bastante potencial de crescimento. Acho que há iniciativas muito interessantes”, afirmou o estudante. “Aprendi muitas coisas hoje, conceitos que eu não sabia, e isso permitiu-me expandir o meu conceito de física”, acrescentou Luana Cruz.

Farzaneh Ostovarpour, estudante de doutoramento em Engenharia Física Tecnológica, recebeu o prémio de Melhor Póster pelo seu projeto, que combina física, química e modelação. O trabalho procura melhorar a compreensão dos mecanismos de combustão e de como as reações se comportam quando há diluição. “O metano é muito prejudicial para a atmosfera. Por isso, queremos explorar e desenvolver formas de reduzir até mesmo essa quantidade de metano em diluição”, explicou.

Para a estudante, este prémio é “especial”, tanto pela surpresa de ter sido distinguida como pela colaboração que envolveu. “Tenho realmente dois orientadores excelentes, colegas da área experimental e da área de química. Alargam a minha visão sobre a química, porque a minha formação era puramente em física, mas agora é um mundo novo para mim.”

Já o prémio de Melhor Póster de mestrado foi atribuído a Gonçalo Roriz, pelo desenvolvimento de um detetor para fazer a caracterização de feixes para um novo tratamento de radioterapia, a radioterapia FLASH. O estudante contribuiu para o desenvolvimento de protótipos, trabalho que tem vindo a desenvolver ao longo do mestrado. Os projetos têm sido desenvolvidos no Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), no âmbito do Particles4Health, e o projeto FlashGuard tornou-se uma spin-off do Técnico e do LIP, a RTBeamTech.

O prémio de Melhor Póster de licenciatura foi atribuído a Francisco Cavaco, pelo projeto desenvolvido em associação ao BoneOscopy, que procura “trazer uma solução revolucionária para o tratamento do cancro ósseo metastático”. “O que estive a fazer foi analisar os dados de um detetor que foi testado para esse efeito e depois fazer toda essa análise e chegar os resultados que pretendíamos”, explicou o estudante.

Foi ainda entregue o prémio de Melhor Vídeo de PIC2. Os estudantes foram desafiados a explicar, através de vídeo, os temas das suas teses. Joana Yao, estudante de mestrado, foi a vencedora do concurso com um vídeo animado desenhado à mão.“Sinto-me muito feliz. Acho que, numa altura em que há muitas coisas feitas por IA, é bastante bom que as pessoas reconheçam o trabalho feito à mão”. Na sua animação, Joana explora os limites da teoria da relatividade através do estudo de soluções associadas à formação de buracos negros.

“Queremos que este seja um ponto de encontro entre estudantes, investigadores e docentes”

A segunda edição do IST-PhysFront alargou o seu programa, com um maior número de palestras apresentadas pelos estudantes, e contou com cerca de 400 participantes. Filipe Joaquim, docente do Técnico, conta que a iniciativa teve também inscrições de estudantes de outros cursos do Técnico, considerando que esta participação demonstra a afirmação da iniciativa para além do próprio Departamento de Física.

“Isso é particularmente importante para nós, porque queremos que este seja não apenas um momento de divulgação da investigação que fazemos, mas também um ponto de encontro entre estudantes, investigadores e docentes, promovendo novas interações, ideias e, quem sabe, futuras colaborações”.

“Parece-nos importante que o PhysFront seja também, cada vez mais, uma montra do talento e da investigação produzida pelos alunos do Departamento de Física”, afirmou o docente, sobre a escolha de dedicar uma palestra ao tema do Prémio Nobel da Física de 2025 e de dar, este ano, mais visibilidade aos trabalhos de investigação desenvolvidos pelos estudantes do Técnico.

Na sua perspetiva, o trabalho de investigação desenvolvido pelos estudantes do Técnico é “verdadeiramente excecional”. “Uma das características mais marcantes dos cursos de Engenharia Física Tecnológica no Técnico é precisamente o facto de, logo desde a primeira semana, os alunos de licenciatura terem contacto direto com investigadores das unidades de investigação associadas ao Departamento de Física num evento como o PhysFront”, declarou. Não obstante, salienta que o espírito do evento está sobretudo na “dimensão de criatividade, iniciativa e empreendedorismo”, não se limitando ao percurso académico “mais tradicional”.

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