Campus e Comunidade

Técnico recebeu mais de 3300 visitantes na maior edição de sempre do Dia Aberto

Visitas a laboratórios, atividades experimentais para todas as idades, apresentações de cursos e outras iniciativas constituíram o Dia Aberto do Técnico 2026.

De cabelos “em pé” e em cima de uma cadeira, uma criança compreendia de forma “muito prática e visual” os efeitos da eletricidade estática. Guilherme Ferreira, estudante de Engenharia Física, representava o Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico (NFIST) numa das bancas da Feira de Ciências, que também atraía os mais pequenos. O estudante simplificou o fenómeno: uma bola metálica (um gerador Van der Graaf) estava carregada de eletrões que se repeliam com o objetivo de alcançar a terra. “Esse caminho é feito através do contacto com corpo humano e, estando em cima de uma cadeira, os eletrões não descem em direção à terra, mas sobem, usando o nosso cabelo” explicou.

Esta é uma das centenas de experiências do Dia Aberto do Técnico que durante o dia 18 de abril de 2026 levou ao Campus Alameda do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, cerca de 4 mil pessoas, entre visitantes, professores, investigadores e estudantes do Técnico.

No mesmo corredor, dois irmãos, Aleida e João, circulavam, após terem explorado as atividades da Feira de Ciência do Salão Nobre. A irmã mais velha, a frequentar o 12.º ano, pretende ingressar no curso de Engenharia Biológica. Já o irmão mais novo estuda na área de Humanidades, mas ainda assim quis explorar o Dia Aberto do Técnico. “Queríamos ver principalmente a Feira de Ciência e a Ciência dos Pequeninos”, explicaram. 

A ligação entre estes dois espaços era frequente. Uma criança puxava o braço do pai para jogar ao “Clima Tic Tac”, um jogo de tabuleiro que a investigadora do Centro de Recursos Naturais e Ambiente (CERENA) Abeer Mohtar mostrava a outra família. No jogo cooperativo, cada participante recebia cartas de perigo, ação e desafio, sendo incentivado a compreender problemas ambientais e a tomar decisões para os resolver.

Depois de explorarem a Feira de Ciência, alguns pais levaram os filhos à “Ciência dos Pequeninos”. Com o carrinho de bebé, Ana Torres embalava a filha mais nova enquanto observava o filho de três anos que via clorofila pelo microscópio, numa atividade dinamizada pelo Instituto de Bioengenharia e Biociência (iBB). “Acho importante que comecem a gostar de aprender, sem sentirem que é uma obrigação”, afirmou a mãe. Na banca, Sandra Pinto, Investigadora auxiliar no iBB, explicou em que consistia a atividade. “Esta parte está relacionada com as moléculas e as suas propriedades, é interessante porque muitas destas moléculas estão presentes em alimentos diários como a corcumina, presente no caril, responsável pela florescência”, explicou.


“Isto é muito importante para a ligação à comunidade”

Na fila para o check in de entrada no Dia Aberto, Suzana e Lara Rodrigues, mãe e filha, aguardavam a sua vez. Lara, aluna do 12.º ano, confessou estar ainda “um bocadinho indecisa” sobre que curso seguir e decidiu este ano explorar os cursos de Engenharia Civil e Engenharia e Gestão Industrial, após já ter visitado Engenharia Química, no ano anterior. João Aparício, professor do Técnico, visitou o evento enquanto participante. “Quero ver o que os meus colegas estão a fazer nos laboratórios, perceber o que interessa às pessoas e falar com elas. Isto é muito importante para a ligação à comunidade”, explicou.

Mais à frente estavam Mariana e Carolina, duas amigas, que visitavam o campus. Com diferentes cursos em vista, Arquitetura  e Engenharia Mecânica, ambas tinham visitas marcadas. “Já tive parentes que frequentaram o Técnico, parece ser uma Escola que abre muitas portas e possibilidades no estrangeiro” explicou Mariana. “E, há várias opções para quem tem interesse em engenharia”, acrescentou Carolina.

Enquanto algumas crianças pulavam numa bola de equilíbrio de uma das bancas dos serviços da Universidade de Lisboa, um grupo avançava para uma visita no Pavilhão de Informática I. A sala encheu-se para assistir à apresentação de Ana Carrasco, estudante de doutoramento de Engenharia Informática e de Computadores, sobre o robô “NAO”, desenvolvido no âmbito da robótica social. “Robótica social é tornar estes robôs mais próximos de nós, capazes de interagir de forma ética e transparente”, explicou. Projetos nesta área incluem equipas de robôs capazes de atuar em situações de emergência, como acidentes rodoviários ou incêndios, interagindo com vítimas e autoridades.

Entre os visitantes estava Maria Fonseca, que regressou pelo segundo ano consecutivo, desta vez acompanhada pela filha e uma amiga. Diana e Eva, de 12 anos, planeavam visitar o laboratório de Engenharia Química e explorar o tema dos órgãos artificiais.

De luvas calçadas e olhos atentos, os visitantes entraram nos laboratórios de Química para acompanhar, passo a passo, o trabalho desenvolvido no Centro de Física e Engenharia de Materiais Avançados (CeFEMA). Entre bancadas e equipamentos, a investigadora Rita Pires explicou como a “engenharia pode contribuir para responder a limitações dos tratamentos atuais”. Na sessão foi possível seguir a “jornada” de construção de um rim artificial, desde ao fabrico de membranas até à montagem do módulo e aos testes laboratoriais. “O objetivo do projeto de investigação passa por desenvolver soluções mais eficazes, duradouras e seguras, reduzindo reações adversas e melhorando a qualidade de vida dos doentes”, explicou Rita Pires.


Entre a divulgação da oferta formativa e Conversas com Cientistas

No Salão Nobre, entre muitos protótipos desenvolvidos por estudantes do Técnico estava uma locomotiva com painéis solares, desenvolvida pelo ISTrain. A representar o núcleo estava Aliya Ibrahimo, estudante de Engenharia Mecânica  e Manuel Barreiros, estudante de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores. “Estamos habituados às feiras, mas aqui temos pais tão interessados, e bebezinhos põem-se ali dentro dos comboios”, explicaram. O núcleo que reúne estudantes de vários cursos do Técnico está inscrito numa competição no Reino Unido onde apresentarão as “características inovadoras” dos seus projetos. 

Na iniciativa “Conversa com Cientistas”, Luís M. Correia, docente do Técnico e investigador do Instituto de Telecomunicações (IT) e perito em telecomunicações, abordou a importância da robustez e resiliência das redes, destacando medidas como redundância, formação contínua e diversidade de fornecedores. Referiu ainda soluções práticas para situações de emergência, como mochilas ou vestuário com painéis solares.

Na sessão da tarde, Filipa Ferreira, professora do Técnico e investigadora do Centro de Investigação e Inovação em Engenharia Civil para Sustentabilidade (CERIS) falou sobre os desafios da gestão de águas em meio urbano. Apresentou soluções implementadas em Lisboa, como o Plano Geral de Drenagem, incluindo a construção de um túnel entre Campolide e Santa Apolónia, bacias de retenção e zonas verdes permeáveis.

“Foi a primeira vez que viemos ao Dia Aberto do Técnico e encontrámos um ambiente acolhedor e muito dinâmico”, referiram os amigos Diogo e Lourenço, estudantes do 11.º ano, que participaram na iniciativa à procura de novas oportunidades de acesso ao Ensino Superior. O contacto com o curso e palestra de Engenharia Geral, inserida na atividade “Cursos e Percursos” que apresentava as principais valências dos cursos do Técnico, permitiu-lhes “perceber melhor as várias áreas da engenharia, conhecer um pouco de cada curso e as possibilidades futuras que oferecem”. 

“As atividades foram muito interessantes e mostram uma ciência que não conseguimos ver no dia-a-dia”, referiu Maria Inês, de 15 anos, e Margarida, aluna do 12.º ano, que participaram nas visitas guiadas do Dia Aberto do Técnico. A acompanhar as duas irmãs esteve o pai, José Pires, engenheiro eletrotécnico formado no Técnico, para quem a iniciativa foi também uma forma de “recordar o campus e aproveitar as diferentes atividades”. Numa família com quatro filhos, em que dois já estudam na Escola – em Engenharia Naval e Oceânica e em Engenharia Biomédica – o encarregado de educação destacou o papel do evento em “abrir os horizontes e explicar o valor da ciência”.

Já no final da tarde, depois de ter olhado para o telescópio, numa sessão de observação do Sol, André, de 4 anos, afirmou ter visto “uma bola vermelha e dois pontos pretos”. Tratavam-se de manchas solares de regiões mais frias, causadas por distorções do campo magnético do Sol. Pedro Pinta e Rita Caeiro, pais de André, acreditam que o Dia Aberto “caça a curiosidade das crianças sobre tudo o que se faz na ciência” e pretendem voltar nas próximas edições com o filho já maior. Durante todo o dia os visitantes tiveram a oportunidade de observar o sol por uma lente na visita guiada do Núcleo de Estudantes de Engenharia Física.

O Dia Aberto do Técnico envolveu centenas de projetos de investigação e inovação, num formato de exposição interativa com experiências dinamizadas por investigadores e estudantes, assim como de visitas a laboratórios. Serviços do Técnico e da Universidade de Lisboa aproveitaram também para esclarecer o público sobre a sua atividade. O evento realizou-se com a colaboração dos Departamentos, Unidades de Investigação, Núcleos de Estudantes e da Associação dos Estudantes do Técnico.


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