O BPI, a Fundação “la Caixa” e o Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, celebraram a 17 de julho a criação da Cátedra BPI | Fundação “la Caixa” em “Florestas e Gestão do Fogo” de Tiago Oliveira, que procura estimular o debate público informado em estratégias e políticas territoriais e florestais, contribuindo para reforçar a evidência científica sobre a governança do fogo centrada na gestão ativa da paisagem, na prevenção e mitigação do risco.
O investigador fica, assim, integrado no Centro de Estudos em Inovação, Tecnologia e Políticas de Desenvolvimento (IN+), um dos centros de investigação associados ao Técnico, no seio do qual abordará, no primeiro ano da Cátedra, processos e produtos que estimulem a prevenção dos incêndios, comparará indicadores regionais e europeus e realizará diálogos prospetivos nacionais e internacionais. Tiago Oliveira fica, também, integrado no Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) na qualidade de Professor Associado Convidado.
Para Rogério Colaço, na sua intervenção na Sala de Reuniões do campus Alameda, saber “o que é útil de dar à sociedade” é essencial para o Técnico. É por isso que o presidente da Escola refere “uma alegria imensa ao assinar este protocolo com a La Caixa” – a quem deixou uma palavra de agradecimento na sua intervenção –, sendo este “um tema absolutamente central do nosso país e não só, em consequência das alterações climáticas”. “Este protocolo permite-nos fazer o arranque de uma forma muito interessante de contribuir para que o país se desenvolva, para criar conhecimento e para ajudar os decisores políticos a tomarem escolhas sustentadas em dados científicos”, afirmou, relembrando que “um dos três eixos principais do Técnico é a participação social – foi para isso que o Técnico foi pensado há 115 anos atrás por Brito Camacho”. Justamente, Rogério Colaço fazia estas intervenções aos olhos do retrato do antigo Ministro do Fomento, disposto na parede ao fundo da Sala de Reuniões.
O titular da Cátedra, Tiago Oliveira, mostrou logo no evento de apresentação da Cátedra a vontade de divulgar informação sobre esta área, com uma apresentação sobre gestão e combate de fogos em Portugal e ainda um momento de debate com os jornalistas Soraia Ramos (RTP) e Amadeu Araújo (Expresso). A repórter da estação televisiva pública portuguesa deu os parabéns à iniciativa “porque falar de fogo não é uma coisa muito consensual” e, finda a temporada de incêndios em Portugal, “esquecemo-nos deles até ao verão seguinte”. Amadeu Araújo reforçou que é essencial “fazer um acelerado programa de fogo controlado”, bem como “ter a coragem para, de uma vez por todas, ordenar o território”.
Na sua apresentação, Tiago Oliveira referiu “uma ligação com o Técnico” ao longo dos anos, incluindo uma pós-graduação, e relembrou com um sorriso que “há 30 anos, v[eio] a esta escola pedir um radiómetro emprestado” para estudos de campo que realizava na altura sobre incêndios. O investigador partilhou dados e números sobre o ‘estado da arte’ da gestão de fogos – cerca de 390 milhões de hectares foram queimados globalmente em 2025; só na Europa, houve 38 mortes e mais de 120 mil hectares ardidos nesse ano. Em Portugal, no espaço de 50 anos arderam 56 mil quilómetros quadrados (uma área equivalente à ocupada pela Croácia), dos quais 77% arderam duas ou mais vezes.
O objetivo, segundo Tiago Oliveira, deverá ser o de passar de um sistema apenas reativo, focado na supressão, para um sistema integrado, coordenado e multinível que aborde as fontes do problema. O investigador fez ainda menção a um viés da opinião pública, que acredita que a contratação de um meio aéreo “resolve tudo”, mas que tal não corresponde à realidade – a partir de um certo valor de energia libertada por metro quadrado de chama, combater o fogo diretamente torna-se ineficaz (mesmo com meios aéreos), sendo preferível redirecionar meios para retirar o material combustível de zonas para onde as labaredas ainda poderão alastrar-se.
Madalena Alves, presidente do Conselho Diretivo da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), sublinhou que, “ao apoiarem esta Cátedra, [as entidades envolvidas] revelam visão estratégica”, sublinhando o “percurso singular” de Tiago Oliveira e a excelência do IN+ e do Técnico.
Também presente na cerimónia, o presidente honorário do BPI, Artur Santos Silva, falou de “um tema central na sociedade portuguesa, e talvez o problema menos agarrado por quem governa o país”. “No verão, os políticos lembram-se que é preciso atacar o fogo, mas prevenir que isto aconteça é um problema”, defendeu, realçando ainda que o Técnico é uma “escola que, tanto quanto s[abe], é a mais importante em dimensão e em múltiplos conteúdos do sistema de ensino superior português”.
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