Ciência e Tecnologia

Técnico reforça participação em redes doutorais europeias com financiamento MSCA Doctoral Network

Projetos nas áreas da neurotecnologia e da fotónica integram consórcios internacionais de formação avançada.

O Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, integra dois novos consórcios internacionais que combinam formação doutoral, mobilidade e colaboração entre academia, indústria e setor clínico. As duas novas redes doutorais, integradas por investigadores de duas Unidades de Investigação associadas ao Técnico, contam com financiamento europeu das Marie Skłodowska-Curie Actions (MSCA). A variabilidade da aprendizagem humana e o controlo da luz em regimes ultrarrápidos são os desafios científicos que enquadram o financiamento, em projetos liderados por Athanasios Vourvopoulos, (Técnico/ Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-Lisboa)) e Marco Piccardo (Técnico/ Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores – Microsistemas e Nanotecnologias (INESC-MN)). 

No domínio da neurotecnologia, o projeto “VARIABILITI – Understanding learning variability to personalise training and boost knowledge driven, efficient and acceptable neurotechnologies”, coordenado por Athanasios Vourvopoulos, docente do Técnico e investigador no ISR-Lisboa, procura compreender “porque é que as pessoas aprendem de forma diferente quando interagem com interfaces cérebro-computador” e de que “forma essa variabilidade pode ser utilizada para personalizar o treino e melhorar os resultados”, explica o investigador. 

Estes sistemas, que interpretam a atividade cerebral para aplicações de comunicação, controlo, reabilitação ou melhoria do desempenho cognitivo, são o foco de uma abordagem interdisciplinar que cruza neurociência, psicologia, engenharia biomédica e IA. “A nossa equipa contribui especialmente para o desenvolvimento de sistemas adaptativos que integram realidade virtual e feedback em tempo real para treino de reabilitação personalizado”, acrescenta.

Com início previsto para março de 2027, o projeto inclui investigação doutoral orientada para sistemas neuro-adaptativos aplicados à reabilitação após Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) em indivíduos. “Pretendemos desenvolver neurotecnologias mais eficazes, centradas no utilizador e fiáveis”, refere Athanasios Vourvopoulos, sublinhando a integração num ambiente que articula engenharia, saúde e tecnologias interativas. “Esta combinação de excelência científica, mobilidade e experiência prática prepara os estudantes para se tornarem futuros líderes na investigação e inovação em neurotecnologia”.

Também financiado, o projeto “SPARK – Spatiotemporal photonic technologies”, coordenado por Marco Piccardo, docente do Técnico e investigador no INESC-MN, integra uma rede dedicada ao desenvolvimento de tecnologias fotónicas espaço-temporais, com financiamento global de 4,5 milhões de euros. “O SPARK é uma oportunidade para construir um esforço verdadeiramente europeu na fronteira da fotónica”, frisa o investigador.

Situado na interseção entre metamateriais, luz estruturada e ótica ultrarrápida, o projeto procura “ultrapassar limitações atuais da fotónica, baseadas em componentes essencialmente estáticos ou de sintonização lenta”. “O objetivo do nosso projeto é passar para sistemas capazes de controlar a luz em espaço e em tempo, com controlo programável de frequência, fase, momento, polarização e momento angular a velocidades ultrarrápidas”, explica Marco Piccardo. Esta abordagem, acrescenta, abre “novos regimes de manipulação da radiação eletromagnética e novas arquiteturas fotónicas com relevância para comunicações, sensores avançados e sistemas digitais de próxima geração”.

A formação dos doutorandos constitui outro dos eixos centrais da rede. “Os doutorandos terão uma formação mais abrangente do que a de um doutoramento convencional, incluindo supervisão intersetorial, formação técnica especializada e períodos de mobilidade em instituições académicas e parceiros não académicos”, refere ainda o investigador. No Técnico, serão acolhidos dois estudantes de doutoramento, integrados num ecossistema internacional que articula investigação fundamental e aplicação tecnológica. Para o investigador, “esta participação reforça o posicionamento do Técnico em consórcios europeus altamente seletivos e em áreas emergentes da engenharia”.

A presença nestas redes doutorais dá continuidade à participação do Técnico em programas MSCA, que nos últimos anos tem incluído projetos como o IQ-BRAIN, desenvolvido no Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-Lisboa), focado na melhoria da ressonância magnética quantitativa através da integração de inteligência artificial e modelos físicos; e o MGICIAN, do Centro de Física e Engenharia de Materiais Avançados (CeFEMA), dedicado ao desenvolvimento de soluções sustentáveis de arrefecimento termoelétrico com recurso a materiais alternativos ao telúrio, como o magnésio.

No conjunto desta chamada, a Comissão Europeia atribuiu cerca de 617 milhões de euros para apoiar 141 programas doutorais, prevendo a formação de mais de 2 mil doutorandos.