Campus e Comunidade

i.Talks Brisa-Técnico explorou desafios de inovação, sustentabilidade e tecnologia

Terceira edição da iniciativa em parceria com a Brisa reuniu representantes da empresa, docentes, investigadores e estudantes para identificar novas oportunidades de colaboração.

Professores e investigadores do Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, e da Brisa reuniram-se para partilhar conhecimento e explorar oportunidades de colaboração em áreas como a engenharia, inteligência artificial, sustentabilidade, economia circular e gestão de ativos na terceira edição das i.Talks do Técnico. A terceira edição, em parceria com a Brisa,  que integrou também a primeira DEEC Talks deste ano letivo, decorreu a 16 de setembro, no Campus Alameda do Técnico.

A sessão foi aberta por Pedro Amaral, Vice-Presidente do Técnico para a Interface Empresarial, Inovação e Empreendedorismo, que destacou a evolução da parceria entre as duas instituições e o potencial da colaboração entre a academia e a indústria. “Esta parceria foi pensada à frente daquilo que o Técnico e a própria Brisa antecipavam do ponto de vista da implementação rápida de tecnologia”, referiu, sublinhando a ambição de criar valor para ambas as instituições.

Pedro Amaral destacou também a evolução tecnológica da Brisa e a importância de compreender melhor os desafios associados à transformação da empresa. “Não associamos por norma empresas nacionais ao nível tecnológico e desenvolvimento de inovação com que associamos a Brisa”, afirmou. O vice-presidente destacou ainda os resultados já alcançados através do envolvimento do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC), bem como outras oportunidades de colaboração que têm vindo a ser desenvolvidas.

João Portela, Executive Director at Brisa Infrastructure & Operation da Brisa, destacou a evolução dos desafios enfrentados pela empresa. “Se no início existia um funil natural para a Engenharia Civil, hoje em dia esses desafios são muito mais complexos e vão para além da Engenharia Civil”, explicou. Também Cláudia Machado, Leading AHEAD: Innovation Engine for Mobility da empresa, sublinhou o valor da colaboração entre academia e indústria: “É sempre de valor trazer conhecimento técnico para a indústria, mas também o contrário, trazer as necessidades da indústria para a academia”.

A  sessão contemplou apresentações dedicadas a desafios concretos identificados pela empresa.Carlos Canha, Structural Engineer & Project Manager da Brisa, apresentou o desafio associado aos transportes especiais, que abrangem veículos que excedem os limites convencionais de peso ou dimensão e que podem transportar, por exemplo, componentes de pontes e viadutos, equipamento militar ou pás eólicas.

A circulação destes transportes implica avaliar o impacto da carga nas chamadas “obras de arte”, como pontes e viadutos, ao longo do itinerário previsto. Atualmente, a Brisa recorre a uma ferramenta desenvolvida pela FUNDEC que compara as características da carga e do percurso com as sobrecargas previstas no Regulamento de Segurança e Ações para Estruturas de Edifícios e Pontes (RSA), permitindo calcular os efeitos da passagem do transporte pelas diferentes estruturas.

Um dos desafios identificados passa pela automatização das etapas mais repetitivas do processo, através da leitura automática dos pedidos e da extração da informação necessária para a análise. Entre as possibilidades de desenvolvimento estão ainda a integração do estado de conservação das estruturas nos cálculos e o aprofundamento das metodologias utilizadas na avaliação da segurança dos transportes especiais.

A sustentabilidade foi também um dos temas em destaque. Conceição Magalhães, Deputy Director da Brisa, apresentou um desafio relacionado com a avaliação e otimização da pegada hídrica da empresa, ainda em fase de desenvolvimento.

O projeto pretende permitir quantificar a pegada hídrica da organização, identificar medidas de redução do consumo, estimar as respetivas poupanças e avaliar o retorno do investimento (ROI). Os resultados poderão também contribuir para o acompanhamento dos indicadores ambientais, sociais e de governação (ESG) da empresa.

A aplicação de inteligência artificial à transição para uma economia circular foi outro dos desafios apresentados por Conceição Magalhães.A Brisa pretende reforçar a sua atuação na área da economia circular e procura desenvolver uma plataforma, apoiada por inteligência artificial, capaz de identificar oportunidades de circularidade na atividade da empresa, através do o mapeamento dos fluxos de materiais, energia e água, a identificação de desperdícios e ineficiências e a deteção de oportunidades de reutilização, reciclagem e valorização de recursos. 

A gestão e manutenção de ativos foi igualmente abordada através do desafio dos gémeos digitais. A proposta passa pelo desenvolvimento de uma solução que apoie decisões   relativas à  manutenção, recondicionamento, reutilização ou substituição de ativos, contribuindo para prolongar a sua vida útil e promover princípios de economia circular.

A sessão terminou com uma apresentação a cargo de António Pacheco Pires, professor do Técnico, dedicada a filas de espera e modelação de tráfego, com aplicação a semáforos semi-atuados.

A apresentação  abordou a possibilidade de desenvolver doutoramentos em ambiente empresarial,  através de oportunidades de colaboração com a Brisa.