Mais de uma década após ter acolhido, pela primeira vez, o Workshop de Robótica Marinha e Aplicações (EMRA’26) financiado pela União Europeia, o Instituto Superior Técnico, Universidade de Lisboa, através de investigadores do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-Lisboa), regressou ao papel de organizador do EMRA, realizado nos dias 23 e 24 de junho de 2026 no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva, no Parque das Nações, em Lisboa.
Coordenado localmente por David Cabecinhas, professor do Técnico e investigador do ISR-Lisboa, e António Pascoal, investigador do ISR-Lisboa, o workshop reuniu cerca de 80 participantes num programa de sessão única, combinando apresentações de projetos europeus, contribuições da indústria e palestras principais, em linha com o formato estabelecido pela série EMRA desde a sua primeira edição em Roma, em 2014.
Na sessão de abertura, ao lado dos anfitriões do Técnico, Massimo Caccia (CNR-INM), um dos fundadores do EMRA, recordou o longo caminho percorrido pela área desde a primeira edição em Roma, há doze anos. Evocando os seus próprios laços com Lisboa (“aqui em 1999, o melhor período da minha vida profissional”), assinalou que, ao longo dos anos, “a robótica marinha deixou de ser vista como uma mera ramificação da biologia marinha para ser reconhecida como um campo autónomo, e de grande inovação” – uma evolução visível na maturidade dos projetos apresentados este ano.
No evento deste ano, Miguel Miranda, do AIR Centre (Atlantic International Research Centre), deu uma palestra dedicada à manutenção e melhoria da observação do oceano. Defendendo que a economia do oceano depende de uma infraestrutura de observação partilhada e aberta, o investigador sublinhou que um “mundo cada vez mais globalizado” continua a exigir “respostas locais”. “Precisamos de ferramentas de medição e informação normalizadas que qualquer pessoa possa utilizar. Se conseguirem fazer isso, vão mudar o mundo”, concluiu.
O programa centrou-se na apresentação de projetos europeus de investigação e inovação, incluindo o GLADIUS, do qual o Técnico é parceiro, em sessões dedicadas à participação da indústria e em projetos regionais financiados pela União Europeia.
O EMRA reúne anualmente investigadores, empresas e instituições europeias para promover a colaboração em robótica marinha. A 12.ª edição do programa voltou a realizar-se sob organização do Técnico, reunindo a comunidade europeia para discutir os principais desafios do setor e as tecnologias que estão a ser desenvolvidas para lhes dar resposta.
Texto em colaboração com o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR-Lisboa).