Campus e Comunidade

A perspetiva de um programa alumni eficaz é muito positiva”

O especialista em relações com alumni falou sobre o desenvolvimento de estratégias em instituições de Ensino Superior.

Qual é o papel da comunidade alumni no desenvolvimento das instituições de Ensino Superior?
Essa é uma questão crítica que muitas instituições de Ensino Superior estão a colocar, à medida que percebem o papel significativo que os seus graduados podem ter na concretização de objetivos estratégicos. Os alumni, por sua vez, estão também a tornar-se importantes stakeholders, devido ao seu contínuo investimento no sucesso da universidade, esperando que o valor da sua formação se mantenha muito tempo após a sua saída. O desafio das universidades é desenvolver um plano de ligação efetivo que corresponda às prioridades estratégicas da universidade e aos interesses e necessidades dos seus alumni.

O que ganham os alumni em manter o contacto com a sua universidade?
Se as universidades implementarem estratégias efetivas de ligação aos seus alunos e alumni, eles terão muito a ganhar, o que, por sua vez, leva a que também se sintam motivados a apoiar o desenvolvimento da universidade.
O que os alumni procuram varia e altera-se ao longo do tempo, mas há uma palavra que capta o que podem obter: acesso. Para dar um exemplo, os alumni procuram constantemente acesso a uma rede de contactos que ofereça oportunidades de negócio variadas e possibilidades de expandir a sua rede profissional, talento na forma de alunos estagiários, recém-licenciados e outros alumni ou conhecimento, na forma de oportunidades de desenvolvimento profissional.

Quais são as principais diferenças entre a cultura norte-americana e europeia, no que diz respeito às relações entre os alumni e a escola?
Acredito que as diferenças se resumem a um único conceito, envolvimento. Nos Estados Unidos, alunos e alumni são envolvidos de forma ativa e estratégica ao longo do seu processo de transição de aluno para alumnus. A relação entre a universidade e o aluno é estabelecida logo de início, fomentada através da experiência de cada aluno e mantida após a sua graduação. Como resultado, o aluno reconhece a universidade como um recurso incalculável que acrescenta, de forma contínua, valor às suas vidas.
Em contrapartida, o sentimento de pertença e orgulho em relação à sua universidade é reforçado, o que significa também que estão dispostos a assumir a responsabilidade de retribuir e apoiar a universidade de várias formas.
Ao trabalhar neste percurso nas instituições de Ensino Superior e a viver na Europa desde 2004, acredito que as universidades europeias, na sua grande maioria, não têm visto os seus alunos e alumni como stakeholders, e por isso não reconhecem a necessidade de se envolverem ativamente com eles – isso não faz parte do modelo típico das universidades. Contudo, isto está a começar a mudar, uma vez que as instituições de Ensino Superior por toda a Europa começam a aperceber-se do retorno do investimento ao envolver de forma efetiva estes grupos. Agora as universidades precisam de desbloquear proativamente o potencial de envolvimento de um grupo de pessoas a quem até agora não foi dada qualquer razão para se manterem ligadas à universidade.
O envolvimento é acerca das relações, e independentemente da cultura e do percurso, as pessoas querem sentir que fazem parte de algo.

Acredita que essas diferenças irão impossibilitar o desenvolvimento na Europa (e em Portugal) atividades significativas de recolha de fundos?
Com base na minha experiência, considero que as diferenças são apenas um desafio que pode ser ultrapassado. Não se trata de copiar e colar o modelo norte-americano, porque isso não vai necessariamente funcionar. Trata-se de analisar as possibilidades e desenvolver um modelo de envolvimento apropriado que produza resultados que beneficiem todos os stakeholders. Para que isto aconteça será necessário requisitar o apoio dos líderes da universidade, ter uma estratégia de envolvimento alinhada com os objetivos institucionais e vontade por parte de alunos e alumni envolvidos em funções académicas para pensar e agir de forma diferente.

Quais são os fatores-chave para manter uma relação estável e dinâmica com os alumni?
Além do que já aqui discuti, gostaria de falar sobre o modelo NOYO C.A.R.E., que desenvolvi com o objetivo de ajudar as instituições a criar e fomentar uma relação estável e dinâmica. Ao fazer isto, as universidades irão estabelecer uma ligação que vai promover um programa de envolvimento mutuamente benéfico. Isto leva a que as universidades tratem (C.A.R.E.) das relações que estabeleceram com os alumni e outros stakeholders.
Para isso, a consciencialização assume uma grande importância. Os antigos alunos sabem da existência do Gabinete dos Alumni? Sabem acerca dos serviços que lhes são oferecidos? As instituições estão a par das necessidades dos alumni? Quem se procura envolver com os alumni e porquê? Estas são algumas das questões que devem ter resposta através de programas e iniciativas relevantes para os alumni e para as suas necessidades.

Acredita que o Técnico pode melhorar significativamente a sua relação com os alumni e incluí-los na sua missão?
Em discussões anteriores com colegas do Técnico, ficou claro que há uma paixão pela instituição e um compromisso para desenvolver ainda mais o seu perfil e sucesso. Este entusiasmo está no centro de qualquer modelo de envolvimento de alunos e alumni eficaz. Isto, conjuntamente com a natureza intensiva de estudo no Técnico e a ligação que se faz sentir entre os alunos, significa que a perspetiva de um programa alumni eficaz é muito positiva!